Veronica Mars está de volta ao Série Maníacos. Yay?
Infelizmente, o nosso projeto de escrever sobre todos os episódios de Veronica Mars encontrou inúmeros empecilhos nos últimos três meses de 2013. Deixamos nossa querida heroína abandonada lá em “Papa’s Cabin”, episódio que encerra grande parte do que a terceira temporada da série construía até aquela ocasião. Se fosse para interromper o projeto, não existiria um momento mais apropriado (mesmo esse não sendo, lógico, o que esperávamos fazer). Veronica encontra-se em uma posição quase que de recomeço após o último episódio que analisamos aqui, o que propicia que o retorno dos textos sobre a série não fiquem tão desconectados quanto podiam parecer. Considerando que viciado em série que se preze odeia pontas soltas, eu e o Henrique Haddefinir uniremos força para honrar os cinco episódios finais da série como uma forma de aquecimento para o filme no dia 14 de março.
Enquanto o desfecho do arco que guiava a terceira temporada proporciona uma pausa até mesmo positiva para os textos, ele não representa uma transição muito suave de um ponto até outro para a série. É comum vermos séries de televisão se encontrarem em uma posição complicada existente entre o término de uma situação para qual dedicou-se muito trabalho e o início de novos arcos que devem sustentar a narrativa daquele ponto em diante. Veronica Mars segue essa lógica em “Un-American Graffiti”, se rendendo a construção de uma sequência de segmentos sem grandes riscos para dar continuidade a temporada, o que faz com que a série deixe de exibir seus pontos fortes para dar espaço a um clima leve que não funciona de forma adequada.
A já citada transição é justamente o que deve ter feito com que o roteiro optasse em histórias com o mínimo de impacto, pensando que eles poderiam ser aceitáveis ao construir o estado psicológico dos personagens após os eventos mais tensos para que eles sejam inseridos de volta ao clima mais sombrio da série em seguida. Esse não é o problema propriamente dito do episódio. Presenciamos em inúmeras ocasiões como o roteiro da série é capaz de transformar problemáticas aparentemente pequenas em algo de relevância para os personagens. Entretanto, essa é característica não é contundente o suficiente aqui. Veronica, por exemplo, age de forma automática durante o episódio, investigando o mistério sobre ataques de vândalos em um restaurante de uma família do Oriente Médio. Depois de várias situações semelhantes, torna-se até mesmo exaustivo ver o comportamento de Veronica dessa forma porque ela entrega justamente tudo o que esperamos da personagem sem nenhuma elaboração maior nas suas ações. O roteiro se atrapalha na elaboração, se rendendo a um desfecho com pretensões de ser surpreendente para tentar terminar com uma impressão positiva.
Parte do que faz com que o caso da semana esteja longe dos padrões comuns da série é que os pontos chaves da narrativa terminam sendo colocados de uma forma que o roteiro pensa que é sutil, mas termina sendo somente uma forma de colocar os pontos chaves sem impacto suficiente. A irritação do dono do restaurante, as fotos de sua filha (embora, independentemente dos defeitos que possam ser observados no episódio, a cena em que Veronica consegue as fotos é nada menos do que sensacional), o jovem atropelado… os personagens coadjuvantes da semana têm motivações complicadas de serem levadas a sério o suficiente para que suas ações possuam impacto. Tudo é exibido de forma simples e robótica ao longo do episódio de uma forma mundana que não entrega nenhum efeito aos discursos finais, como o muçulmano que passa a se apegar aos EUA e a batalha que Keith trava contra os policiais corruptos. Vemos aqui uma Veronica Mars que se aproxima mais de uma série policial comum do que aquilo que conhecemos que ela pode fazer.
Em um espectro próximo, Wallace e Piz terminam mostrando-se mais efetivos no seu arco sem riscos justamente graças às personalidades da dupla, cumprindo apenas um papel de alicerce para a história que não chega a prejudicar. Certas situações podem ser consideradas clichês como os adolescentes com identidades falsas, mas algumas podem ser vistas como positivas por isso ser bem usado como pano de fundo de uma química benéfica para a série em Wallace e Piz.
Piz, aliás, termina se mostrando como um ponto marcante do episódio, entretanto, a decisão que leva Veronica Mars a terminar “Un-American Graffiti” com ele e Veronica juntos mostra-se duvidosa por se mostrar como uma forma desnecessária de se criar um conflito simplesmente apoiando-se no fato de que a série não possui outro para guiar a narrativa. Veronica está em uma posição frágil por não estar mais com Logan e sua decisão não se mostra tão natural quando poderia ser. Piz é uma das minhas surpresas preferidas da temporada, encaixando seu carisma bobo em um contexto que grita por isso, só que o roteiro não pode utilizar isso como uma engrenagem qualquer. Relacionamentos nessa série funcionam melhor em um plano secundário mesclado com outro traço importante da narrativa, o que talvez impeça essa história de ter um desenvolvimento mais apropriado, considerando que não existe exatamente uma investigação maior ou um arco com consequências mais incisivas para colaborar com o ritmo geral da narrativa.
“Um-American Graffiti” não é o retrato mais apropriado de Veronica Mars, mostrando uma leveza que é adequada para personagens como Piz e Dick (que, aliás, participa de alguns dos melhores diálogos do episódio, como “Your fly’s open.” / “I know. Party ritual.” com Veronica no elevador), mas esconde muito o carisma natural de peças importantes como Logan e a própria protagonista.
















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