A presidência é uma questão de renúncia.
Essa frase de abertura diz bastante coisa a respeito de nossa querida vice-presidente. Talvez, todo o trabalho de Selina para mostrar que pode ser levada a sério resida na sua dificuldade de renunciar a certos comportamentos que ameaçam a construção de uma reputação. É aquela velha e injusta história: embora as pessoas ocupem cargos ou posições importantes na sociedade, ainda são pessoas. Porém, escalas sociais às vezes exigem dessas pessoas que elas não possam fazer coisas absolutamente naturais como transar com o personal trainner.
Vamos ser claros, obviamente. Não é como se os políticos do mundo todo soubessem o que significa renúncia, mas a maioria deles sabe como esconder debaixo do tapete o fruto amoral de seus impulsos. E quando paramos para considerar essas questões friamente, esse tipo de engrenagem se aplica a muito do que fazemos na nossa própria vida. Viver é estar num exercício constante de política.
Mas, Selina nunca foi muito boa nisso… Ela até sabe o que fazer, só não sabe como fazer. Ou melhor, ela no fundo não quer fazer. Selina é o tipo de mulher que seria uma regular woman com uma trajetória quase saída de um conto de Nelson Rodrigues, porque ela é, sobretudo, movida pelo desejo e pela vaidade. Se não fosse seu cargo, ela seria promíscua e viciada em alguma substância química. Só não o é, porque a sede de poder foi o que de fato a consumiu.
Então, como sempre, Veep está lá a colocando no meio de constrangimentos que já estão ficando praticamente irreversíveis. Enquanto planeja o discurso onde anunciará um número considerável de empregos, precisa lidar com três questões bem distintas, que inicialmente, parecem não ter muito a ver com qualquer ameaça ao que propõe a agenda do dia.
O primeiro problema é Jonah. Como a vice sempre fala mais do que a boca, Jonah só precisa ficar perto dela, e terá material para duas vidas de postagens comprometedoras. Mesmo sendo um zero à esquerda, Selina sempre se comporta como se as outras pessoas fossem inferiores a ela. Então, sua piadinha com a finlandesa peidona gera um problema colossal que será devidamente vingado bem ali adiante.
Christopher Meloni apareceu, charmoso como sempre, para uma participação como o personal trainer/fucker de Meyer. Os roteiristas foram espertinhos aproveitando a presença dele para dar uma pequena noção de que a equipe da vice-presidente continua sendo competente apenas em ter ideias piores que os estranhos que não teriam qualificação para o trabalho. As cenas de Ray com Selina foram ótimas e até arrumaram uma coisinha pra Amy fazer. Mas, é impressionante como até a piadinha do “Ray-Curious” feita com Gary, rouba a cena de Amy (ainda que a piada tenha sido feita por ela).
Tivemos nosso apogeu cômico no “flagra do corredor”, com gente ouvindo Selina transar, aparecer desgrenhada para ser confrontada pela filha (agora mais famosa que a própria mãe) e tirar sarro do ex-marido. Essas cenas caóticas continuam sendo o grande forte de Veep, que ainda nos presenteou com a sequência final, quando a finlandesa peidona praticamente obrigou Selina a prometer empregos que NUNCA virão.
Adoraria ter Meloni no elenco original, como personal trainer/fucker de Selina, Amy e talvez até Gary. Mas, sei que é pedir demais. A cada semana, o importante pra série tem sido mostrar que no que diz respeito a vender a própria imagem, Selina Meyer é uma ignorante bestial.
The Shit Wing: “Ninguém mais assiste a MTV”.















