Humor de Veep reguladinho como um num pote de Actvia.

Spoilers Abaixo:

Eu ri. Céus, como eu ri. As gargalhadas vieram quase ao mesmo tempo em que veio também o pensamento de que há muito tempo eu não ria tanto. E não que Veep seja o tipo de série que faça rir aos montes, não é. Assim como suas irmãs, a série tem um humor rápido, que não dá muito tempo pra risos, ou você acaba perdendo a piada seguinte.

A questão é que Veep tem a Julia no elenco e quando se trata dela, qualquer momento de humor contido acaba virando um show à parte. E foi exatamente o que aconteceu, quando a série convergiu sua premissa inteligente com a boa e velha escatologia de sempre.

O ritmo caótico sempre me agrada. E essa semana levaram isso ao pé da letra, já que além do calor insuportável provocado pelo problema com o condicionamento do ar, todos ainda tinham que lidar com um surto de infecção. E a primeira metade do episódio se concentrou em estabelecer o ambiente, pra depois soltar as bombas políticas.

Selina é uma tremenda de uma loser. Como manda o figurino, arrastou consigo mais um bom grupo deles. E na cartilha dos losers está em primeiro lugar a necessidade de se sentir importante. Selina não pergunta o tempo todo se o presidente ligou só porque está atenta, mas sim porque se ele ligar, ela vai poder dizer isso em voz alta, e parecer necessária. Essa vaidade pernóstica está presente em tudo, desde a maneira como ela se movimenta, até o jeito como trata os subalternos.

Dentro desse contexto, “normalizar” visitando uma loja de yogurtes (não sei como se chama um lugar assim… yogurnete?) para Selina é uma maneira menor de demonstrar as migalhas de importância que ela tem. Basta avisar o setor certo da imprensa, o que Dan, muito espertamente, logo faz. Mas então, o que fazer quando de súbito, caído do céu, vem o grande momento dessa carreira de sombras?

Correr! Literalmente, correr!

As sequências seguintes ao momento em que Selina vislumbra a possibilidade de virar presidente são das melhores coisas que eu já vi na TV ultimamente. Tudo foi perfeito… A correria pela Casa Branca, o discurso improvisado (please, que venham muitos) onde Selina diz que o presidente é um GPS, o staff subindo de degrau e o momento em que esse reinado se estabaca sem nem dar tempo para a vice-presidente sentir o gostinho da glória.

Esse tombo é cruel. Um dos mais cruéis que já vi. Com o rabinho entre as pernas, Selina é obrigada a voltar aos yogurts, sem ovação, sem imprensa e sem dignidade. Contaminada pela infecção, é obrigada a tomar o tal yoghurt que tem seu nome. E Tudo piora. Selina sai carregada, toda cagada, num dos momentos mais emblemáticos, hilários e competentes da carreira de Julia.

Eu adorei. Terminei esse episódio de Veep com um sorrisão, o peito arfante das risadas, e muitas boas expectativas para o futuro do programa.

The Shit Wing: Eric bloqueando o espirro no estilo Jack Bauer é ou não é fantástico?

The Shit Wing (Reflections): A sopa é líquida ou sólida?

The Shit Wing (Selina’s Notes): “Ventilador não funciona… Consigo me ventilar mais, peidando”.

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