The Vampire Diaries continua experimentando em sua última temporada com Coming Home Was a Mistake.
Experimentar é parte fundamental para qualquer produção, especialmente em seus primeiros anos de vida. É comum ver a equipe de roteiristas tentando novas abordagens e riscando aquelas que não funcionam mais. The Vampire Diaries, ao contrário de várias outras, tentou pouco em seus sete anos e meio de vida. A série começou de maneira bem morna, mas em pouco tempo encontrou exatamente o que queria fazer e o fez por quatro anos, basicamente. O que aconteceu depois foi uma amalgama de repetições de uma fórmula que já havia esgotado seu potencial de contar boas histórias quando perdeu dentro do próprio núcleo a sua originalidade. As reviravoltas marcantes, parte da assinatura da série, deixaram de impor impacto. A história do triângulo amoroso precisou desparecer e hoje, em sua última temporada, a série permanece experimentando e tentando acertar.
Coming Home Was a Mistake é uma verdadeira bola de referências da série a si mesma. O título do episódio é uma repetição da frase usada por Stefan durante a primeira temporada, após confessar para Elena que voltar para casa havia sido um erro, em History Repeating. A cena do flashback da criação das sereias remete a utilizada para explicar a origem da família de vampiros originais, lá na terceira temporada. O despertar de Enzo nada mais é do que uma clara referência ao relacionamento conturbado entre Elena e Damon – E como as cenas entre ele e Bonnie foram arrastadas, credo. Contudo o que a série está deixando de lado é a sua capacidade de não apenas homenagear a si mesma, mas criar um vínculo com seu telespectador utilizando a sua ferramenta mais marcante, o sentimento.
Existe uma despedida ali dentro em Coming Home Was a Mistake, mas é interessante como a frase de Caroline faz sentido para representar a própria existência do Tyler: “Eu não falo com ele tem meses”. Nós também não. Lentamente o personagem desapareceu e imaginar que sua morte motivaria um episódio inteiro é esperar demais. Tyler foi por algum tempo um bom personagem e não me refiro ao seu potencial para fazer o bem e sim para criar momentos de tensão. Só que sua relevância esmoreceu. Ele merecia mais, mas como nunca recebeu, sua morte não foi a maneira mais inteligente de honrar a existência do personagem.
“Tyler merecia mais do que ser dano colateral neste jogo que Sybil está jogando com Damon”
Sofrer a morte de um personagem tão irrelevante para a história foi o grande erro da série. Foram tantas mortes importantes, de maneiras chocantes e sentimentais, que hoje só consigo sentir pena do que fizeram com o último Lockwood de Mysti Falls, talvez do mundo. É novamente apelar para a memória do telespectador ao utilizar a carta errada. Colocar novamente a morte de um personagem nas mãos de Damon é banalizar o potencial do vampiro de lidar com as consequências reais de suas ações, independentemente de estar sendo controlado ou não. Tyler precisava morrer? Não. A justificativa utilizada foi a saída mais fácil para não precisar criar uma história para o lobisomem. Simplesmente não dá mais tempo. Para ser brutalmente honesto, tanto faz como tanto fez vê-lo sendo enterrado, o impacto definitivamente nasceu e morreu em Coming Home Was a Mistake. A memória até poderá trazer novamente a menção do rapaz, mas o sentimentalismo nunca existiu para evocar algo além de um nome jogado dentro do roteiro da série – se existir.

O roteiro de Celine Geiger fez o possível para encaixar dentro do episódio temas que conectam a trama ao futuro e também ao passado da série. Só que The Vampire Diaries nunca andou para frente de verdade para hoje, depois de oito anos, precisar relembrar peças chave de sua mitologia. Lidar, mais uma vez, com a dinâmica entre os irmãos Salvatore, apesar de importante, é perceber o quanto a série andou em círculos com seus personagens principais. Ainda estamos presos ao mesmo tipo de discurso, a mesma dinâmica e temática utilizadas lá na primeira temporada e repetida incessantemente durante as seguintes. Ver o relacionamento entre Caroline e Stefan progredindo é muito bom, mas tirando a bela fotografia do episódio, não chegou a acrescentar algo definitivo – ainda não.
Existiram sim momentos de verdadeira reflexão para um período menos conturbado e mais tranquilo. Lembra daquela época em que o Matt jogava futebol? Eu vejo que a produção está tentando trazer o aspecto da memória, da conexão pessoal que nós, como telespectadores, temos com a história desses personagens, mas o ritmo não condiz com o que realmente fez de The Vampire Diaries algo interessante e cheio de potencial, no passado. Parte é sentimento, mas o principal era a maneira despreocupada com que a trama principal seguia, com elementos totalmente injustificáveis, mas bons. Cenas clichês, doppelgangers, reviravoltas, uma história boa, essas são as características que ajudaram a construir TVD. Todo o resto já atingiu o ponto que precisava e o principal não está sendo feito, não estamos ganhando uma história nova e a série corre o risco de terminar como um eco do que já foi, algo que nem mesmo a homenagem e os elementos dos primeiros anos poderá segurar.
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Ter uma vilã boa é um passo importante. Ter duas reprisando a dinâmica entre os irmãos protagonistas? Nem tanto. No final vejo muita tentativa e pouco acerto, mas bom potencial. A impressão que fica é que neste momento a história está sendo acelerada, apesar de alguns pontos ainda se arrastarem, com o intuito de empregar o ritmo de fim derradeiro após o hiato. São apenas 16 episódios para seu último ano na televisão e a série já queimou 5 capítulos para falar de Sereias, inferno e repetir o que todo mundo já sabe: o relacionamento entre Damon e Stefan é complicado.















