
A psicologia da inversão.
Spoilers Abaixo:
Quando o episódio finalmente começa, tudo se torna um pouco mais previsível. De um lado, alguém que se dedica a escrever sobre o núcleo familiar, quando a mesma falha nesse quesito. Do outro, alguém que se dedica ao núcleo familiar, esperando não cometer os mesmos erros da pessoa supracitada. De volta ao antigo debate sobre pais e filhos, que apesar de previsível, rendeu bons frutos.
Esquecemos o título do episódio. O foco está em Reagan e sua mãe. Se por um lado é normal conceder parte da nossa educação aos pais, parece incomum Reagan não se deixar influenciar pela mãe. Ela prefere trabalhar numa relação já desgastada, tornando-a um referencial para a filha, do que investir em algo sólido. Por conta disso, o convite de Reagan exerce forte relação com a estética, dificilmente exteriorizado e extremamente previsível.
A solução é básica: Ouvir mais, falar ainda mais. O problema de comunicação é solucionado sempre com a comunicação. Reagan fala, a mãe ouve, transmite o que pensa, elas se resolvem. E não é diferente de outra família. E não vai beirar o previsível de novo. Afinal, quem está ali carregando a pequena Amy enquanto Reagan dorme? Quem está investindo nessa nova relação?
Por outro lado, Ava não tem jeito. O pior é que eu não sei dizer se é tanto sobre a personagem quanto sobre a atriz. Não sei sobre a carreira da Maya no Saturday Night Live, mas com certeza ela tinha mais espaço para os exageros da sua personagem. A única ressalva vai para a homenagem ao técnico de som. Impagável.
1×08: First Night Away
Há um termômetro que mede as nossas prioridades. No início o tempo livre não é um privilégio. Desfrutamos do que temos, e o que temos já é o necessário. Até que um dia, o inverso acontece. Corremos contra o tempo. Precisamos de mais, e fazemos muito mais por isso. Obrigações aparecem e, normalmente, nos tornamos adultos. Crescemos por livre associação, independente na nossa idade. Para Chris e Reagan a ordem se inverte de maneira atípica.
É extremamente necessário que haja um baile. É até poético. Eles procuram por uma noite só para eles. Mesmo moldada ao decorrer do episódio, a idéia permanece até o fim. O que eles esperavam, na verdade, acontece. Isto é, a partir das novas prioridades. Novamente, invertemos aqui não só o crescimento pessoal, mas o de indivíduos como pais. Com obrigações e necessidades ainda maiores.
Quando descobrimos que o primeiro baile da Reagan acontece no mesmo dia do “segundo primeiro beijo” do casal, não temos mais dois adultos querendo manter a juventude de outrora. Temos adultos se adaptando, sem perder o que os uniram. Por isso uma noite de sono sem interrupções parece mais sugestivo que qualquer outro plano criado pelo casal.
Ava ainda precisa de mais atenção do roteiro. É no mínimo notável a sua investida num relacionamento sério. Ela se desenvolveu bem nesse episódio, mas não vou tecer maiores elogios. Vou guardá-los, pois ainda espero pelo momento certo.











