Quais seriam os méritos de uma série que lembra roteiros de novelas escritas por Janete Clair ou Dias Gomes entre os anos 70 e 80? Por que entre as séries dos canais abertos, Under The Dome ainda surpreende como sendo a mais assistida? Talvez uma resposta para as duas perguntas seja: cada episódio um suspiro, ou de raiva ou de tensão.
Tudo indicava que Heads Will Roll seria o episódio da redenção. De um lado do ringue, o espetacular personagem de James “Big Jim” Rennie, o homem inescrupuloso que, em nome de um pachequismo pró Chester’s Mill, manda estação de rádio pelos ares, mata velhinhas indefesas, cria teorias a partir de mentiras facilmente desmascaradas, manipula seu filho e ainda tem tempo de brigar com reverendos, fazendeiros ou qualquer um que apareça em seu horizonte querendo lhe tirar a hegemonia de poder.
Do outro, um insosso Dale “Barbie” Barbara, na qual sua ingrata profissão lhe colocou em sérios apuros, especialmente quando “o vidro desceu” e deixou a cidade com pinta de Sodoma & Gomorra (Maxine queria ver o circo pegar fogo. Deus a tenha), onde os saques aumentaram e a população furtada de esperança, resolveu dar um chega pra lá na crise se matando. Barbie buscou indulto ajudando Linda, que coibia a zona e achava soluções através dos seus socos e golpes certeiros. Pouco discurso e papo, olhares perdidos e uma atuação abaixo da crítica. Se (Dean) Norris tem a crueldade (ou tinha?) no olhar, Mike Vogel é o rostinho bonito para fazer par com a canadense Rachelle Lefrevre, que vive a ex-jornalista e atual curiosa por opção Julia Shumway.
Ao menos em Heads Will Roll ninguém foi à lona. Big Jim parece ter se encontrado com Jesus de Nazaré (a redoma) logo quando dava adeus a este mundo vil e em poucas falas parecia querer “devolver sete vezes mais de tudo que roubou”. Ainda não dá para cravar que sua quase-morte tenha tornado seu coração puro como a neve mas sua relação com a “4 Hands for Salvation” mudou de perseguidor para locatório de imóveis. Pode isso, produção?
Já Barbie do jeito que era ficou. Não conseguiu sequer se sensibilizar com a despedida precoce de Linda após um atropelamento sem motorista. Quem não espera que uma cozinha bem equipada, transforme todo o conjunto de facas em uma artilharia pesada para os de bom coração? Dale mantem seu personagem como um velocista de quadros (frames): não importa onde ele esteja, está sempre correndo, fugindo, sem convencer. Dá até pra fazer relação com Angie, Norrie e Joe, que na meiuca da primeira temporada, estavam pra lá de interessantes e depois viraram uma espécie de empresa de transporte para o Little Dome. Era muito mais interessante quando estavam por dentro e por fora dos mistérios da redoma. Angie se salva, talvez porque Britt Robertson é mais atriz. Consegue se destacar muito mais, por exemplo, que Carolyn Hill, cujo personagem, com a morte de sua esposa, serve pouco para proteger Norrie, já que a moça tem em Joe um fiel escudeiro.
Com uma limpeza no horizonte “dômico”, parece que Chester’s Mill vive um breve momento de paz e há pouco pra falar das aparições Sam Verdreaux (Eddie Cahill) e da visitante misteriosa salva por Julia. Óbvio que o primeiro vem para movimentar ainda mais o ambiente dos Rennie e quem sabe servir de prova dos nove sobre a mudança de Big Jim; já a moça parece ser uma emissária do céu, com alguma missão secreta. O que de fato me deixou curiosíssimo foi a aparição da mãe de Junior, quando quase toda a população estava sob efeito da catarse magnética. Será que a profetisa das estrelas ainda está viva?
… E por falar em Junior, o processo de mudança do personagem do ator Alexander Koch está bem sedimentado. Mesmo com um perfil antipático, pela problemática que envolve sua personalidade controversa, Koch tem um olhar carente e convincente de que precisa de ajuda. Um bom trabalho de construção de personagem entre tantos atores irregulares e de pouco destaque cênico.
A cena final deixa a audiência muito interessada em saber porque o derramamento de sangue continua mesmo após um hiato de paz e descanso. Ainda há lugar para vingança? No próximo episódio descobriremos.
2×02: Infestation

Olha, para ser fã de Under The Dome é preciso ter fé cega e pé atrás. Não tem como prosseguir acompanhando se não pensar em “Stephen King”, “Dean Norris”, “CBS”… E tantas marcas de qualidade. Pois o episódio “Infestation” tem poucos motivos para você continuar acreditando.
É preciso que se diga que o domo é cada vez mais um personagem usado como metáfora, levando-nos a acreditar que é melhor focar a atenção no que está acontecendo “Under…” do que especialmente nas viagens que Julia e próprio Big Jim tentam nos empurrar como: “o domo nos quer assim”, “o domo nos quer assado”.
Tivemos problemas graves especialmente em como os núcleos encararam o assassinato de Angie. Exceto Joe (o irmão) e Junior, apaixonado desde os trailers, o crime foi encarado de maneira fria, como se este evento não tivesse qualquer relevância para os “4 Hands for Salvation”, ou seja, teoricamente falta uma mão para que seja possível desvendar os mistérios ou os cliffhangers criados em cima da união da molecada era só para o “dominho” ?
O nome do episódio faz alusão ao crescimento desenfreado da população de borboletas em Chester’s Mill e Rebeca Pine, nossa professora de Ciências, que de tão aplicada às suas teorias, dá uma ideia em Big Jim sobre o perigo de termos uma população “chinesa” de borboletas. No entanto a solução encontrada por ela demonstra que a teacher não deveria sair da sala de aula para tomar decisões como queimar a plantação-de-sei-lá-o-que. O que intensifica os problemas do roteiro deste episódio é que basta um voo com pesticida para que a infestação deixe de ser um perigo. Sei…
Enquanto isso, vamos tentando desvendar quem é responsável pelo assassinato de Angie. E temos mais problemas para sustentar o episódio. Há uma necessidade de fazer com que os loops de mistério se resolvam, se desconstruam e se construam novamente em 40 minutos de episódio! Por que culpar a “menina quem ninguém sabe quem é”, responsabilizar Jim e depois autoflagelar Junior como o possível culpado, se é CLARO que a culpa não é de nenhum dos três?!
Eu sei que passado cinco parágrafos eu possa estar desestimulando a manutenção do público do SM, mas ainda é muito cedo para decretar que os roteiristas estão completamente perdidos em relação aos motivos do domo e por isso, criam, perifericamente, mistérios que possam distrair o público ou dar mais sentido a total responsabilidade da redoma por tudo que ocorre dentro dela. Continuando…
Julia e ‘Barbie’ estão afiados no quesito “quanto mais perdidos melhor”. A discussão entre ambos sobre falta de confiança foi tão sem verdade, que a vontade que não passava, era aquela de vermos Barbie correndo para algum lugar novamente para salvar alguém, de novo, outra vez, de nada que fosse fatal. E foi exatamente isso que aconteceu!
Sam Devreaux é outro que ainda não passou no teste do tempo. Nada crível, o médico afastado por ser membro quase efetivo do AA (ok, isso é foi uma piada), agora virou um preciso legista. A cidade sob a redoma vive a catástrofe de depender do improvável para curar suas dores e elas não são poucas. O maior problema desta segunda temporada está em tentar nos convencer que somente o mistério do domo será capaz de nos fazer esquecer a cenografia/enredo de novela da Globo. Não assisto novelas na Record, portanto por enquanto, a emissora do Bispo está fora de comparações. Avisem-me quando o fundo do poço chegar.
Chester´s Mill tem se revelado, episódio a episódio, uma Springfield, sem Homer e companhia. A cidade não tem força e continua sob uma administração caótica. Não dá para dar crédito a uma cidade onde o ex-DJ da vira policial sem qualquer tipo de critério, só pra comentar. Big Jim ainda tem fascínio sobre os moradores, mesmo sem nos convencer sobre sua conversão. Para não sair do personagem de Dean Norris, me parece que em breve teremos uma nova dupla romântica na TV. Ele agora também tem coração.













![Under The Dome 3×13: The Enemy Within [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/09/Under-The-Dome-3x13-218x150.jpg)

