A política americana aos olhos de uma grande mulher.

Confesso que minha predisposição em gostar de assuntos políticos é quase inexistente, mas soa muito estranho quando me lembro da minha paixão por The Newsroom. Mesmo que a série não seja 100% assuntos políticos, fica parecendo às vezes que me importo mais com política americana do que com a política brasileira. Sou americanizado em todos os aspectos, por que meu vício por séries faz com que eu veja maravilhas em tudo o que os americanos fazem. Há àqueles que odeiam o patriotismo dos mesmos, mas vos digo que eu amo, principalmente por que eles fazem tudo bem feito. Nunca uma trama nacional me prendeu ou despertou meu interesse, por que a imaginação brasileira não possui estoque. Não temos FBI, nem S.W.A.T e nem CIA. Não temos Washington, Nova Iorque e muito menos Los Angeles. Não temos Howard Gordon, J. J. Abrams ou Dick Wolf. Não temos, simplesmente falando, uma atriz como Téa Leoni.

Se eu me interessei em assistir House of Cards foi pela presença de Kevin Spacey. Fui fiel à trama da Netflix por apenas três episódios. Como de costume, séries que não me agradam ou não me prendem são excluídas até mesmo da minha lixeira, mas há quem disse que talvez eu não possuísse capacidade intelectual de compreender House of Cards. Assisti, lealmente, toda a primeira temporada e o resultado foi: Foda-se, se sou burro, sou um burro sincero.

Quando eu vi a premissa de Madam Secretary lembrei-me da minha ‘incapacidade’ de compreender House of Cards. O problema é que Téa Leoni despertou meu interesse, então resolvi assistir o piloto da série. O resultado foi ‘agradavelmente agradável’. Madam Secretary não possui o charme de House of Cards e nem a elegância de The Newsroom, mas possui Elizabeth Faulkner McCord, uma mulher apaixonante e gentil que ocupa um cargo que requer coragem e atitude.

O que torna a vida de um série maníaco mais compreensível é que devemos assistir ‘nossas’ séries com o coração e não com o pensamento de ganhar status de inteligente ou culto. Existem muitos RMVB’s por aí se sentindo Blu-Ray’s só por se dizer fã de House of Cards (Que comparação sem graça em). Mesmo se houvesse um Jack Bauer no show da Netflix eu não me interessaria, pois o drama de House of Cards sempre veio de marcha lenta.

O que dizer de Madam Secretary?

O fato de Elizabeth ser uma ex-analista da CIA ajuda muito nossa admiração pela personagem, pois sabemos que em nenhum momento ela será ingênua diante do cargo que lhe fora dado. Outro fator importante para a trama – que muitas vezes parecerá chato – é que acima de tudo ‘Bess’ possui um marido e três filhos.

Lembro-me que as duas primeiras temporadas de Homeland foram cansativas, principalmente pelo tédio nas cenas que envolvia a família de um dos protagonistas. Posso dizer que isso não acontece em Madam Secretary, pois o ritmo da trama é agradável, principalmente por se tratar de uma mulher segura e firme tratando de forma magnífica os assuntos do país com seus aliados. Bess é extremamente boa em resolver alguns imbróglios do país sem ordenar um só ato de violência.

Pode-se dizer que Téa Leoni caiu como uma luva na trama. Isso reforça minha preferência por atrizes em séries do gênero. Quem já assistiu a injustiçada Political Animal me entenderia. Talvez House of Cards fosse mais interessante com Patty Hewes (Damages) como protagonista.

Mesmo possuindo jargões incompreensíveis e assuntos irrelevantes, Madam Secretary, apesar de não possuir ação, não te deixa com tédio, pois somos conquistados por cada ato de Bess. Como toda trama, esta também possui antagonistas e problemas ‘extra-política’. Algo que deixa os episódios mais apimentados.

Em algum nível, a série acaba lançando um pouco de fantasia. Por se tratar de uma mulher normal, mãe, tentando deixar seu passado de alta potência para trás em favor de abrandar um pouco, tudo acaba que sendo empurrado em um poder ainda maior por ela ser uma mulher que não consegue resistir à oportunidade de refazer o mundo à sua própria imagem. Téa Leoni acaba por ser uma escolha inspirada nesta parte. Ela é seca e irônica, e seu timing cômico natural ajuda cenas que poderiam ser maçantes.

Tratando-se de elenco a série deixa a desejar, mas o ritmo da mesma não lhe deixa lamentar isso. Podemos dizer que o marido de Elizabeth, Tim Daly, seja o melhor personagem da série. Ele tem sido importante ao material francamente absurdo da trama, como um professor de religião e ética e, futuramente, mais interessante que isso. Ele é essencialmente uma versão invertida do gênero feminino em um drama dirigido por homens, entretanto ele é realmente bom no que faz, dando o seu caráter uma centelha de vida que faz você ver por que Elizabeth é tão atraída por ele, mesmo que ele esteja lá apenas para dizer às pessoas o que elas estão pensando.

A diversidade de assuntos tratados em cada episódio juntamente com a diversidade de cenários existentes deixa a série um pouco mais rica e glamorosa, sem contar com os assuntos políticos reais que, corajosamente, os produtores não temem em abordá-los.

O salto que a série deu nos últimos episódios me fez desejar tomar posse das reviews a partir de Fevereiro. Se você ainda não assistiu a série, assista. Seja leal nos primeiros 11 episódios. Posso assegurar que vale a pena dar uma conferida com carinho neste show.

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