A história de Culper e Culper Jr.

O exército continental continua sua cruzada para defender as treze colônias da opressão é loucura de George III do Reino Unido. Enquanto a aliança de Culper continua a ser trabalhada, os desenvolvimentos com os conflitos internos nos dois exércitos desviam um pouco a trama da guerra travada entre eles. O espião de Washington nunca foi tão complicado ou útil como nesses dois episódios.

“You and I are going to have a grand time together

– Rogers

Para entender o lado dos Estados Unidos para querer a independência tem que ser observado o rei da Inglaterra, ele também não era o mais popular no país por ser descendente germânico, o interessante era que ele não foi uma pessoa muito estável desde a morte da filha favorita, mas também não era tão louco na época em que a série se passa. George III foi quase que um fantoche, em uma situação difícil para o seu reino por conta de inúmeras guerras travadas – não somente a na América – então obviamente as colônias iam sentir a repercussão.

Começando com o destino de dois traidores do exército continental, a mera menção do codinome do Abe é chocante para eles. O anel de espiões era uma ferramenta muito relevante para o exército continental, o progresso de Abraham nos jogos de espionagem fez dele um dos casos de maior sucesso para a ofensiva americana. A punição e pena de morte foi uma das cenas mais fortes em Turn até hoje; Caleb se descontrolando é a cara dele e não deu para evitar o pensamento de que os condenados mereceram o seu destino.

E depois do cliffhanger de Abe sendo pego pelo desprezível Major Rogers, foi mal contada essa história dele retornar perfeitamente bem para casa. E a insistência de seu pai em ser o antagonista é tremendamente irritante e descabida, a diferença entre os dois é bem grande onde um segue uma ideologia moralista barata e o outro tenta fazer do país um lugar melhor. As intenções de vingança do Rogers foram bem encaixadas nesse momento da trama, a nova parceria forçada com Abe foi uma tacada genial. No ponto de encontro com o mensageiro, a interpretação do Rogers foi muito exagerada, louca, mas funcionou muito bem com o Samuel. E o legal foi que o personagem de Rogers melhorou muito desde a investida da Inglaterra contra ele, agora ele tem o potencial de ser um dos destaques mais fascinantes na série.

Além disso a nova atitude de Mary, desde a temporada anterior, melhorou muito a personagem, agora sim ela consegue competir contra Anna para o protagonismo feminino da série. O comprometimento dela com a sua família é uma característica interessante para contextualizar a mulher no século XVIII, porém a personagem é construída de maneira a não ser um clichê submisso do marido. De repente Abe se encontra em um triângulo amoroso real, onde ele gosta de Mary e de Anna. Entretanto finalmente ele começa a pender para o lado da esposa, enquanto Anna enxerga novas possibilidades com Edmund Hewlett.

O insatisfeito general Arnold parece cada vez mais cair na teia que sua pretendente tece. A Ms. Shippen consegue deixar Benedict encantado sem levantar suspeitas de sua real intenção, porém ele é um alvo fácil por já não estar tão conectado a causa do exército continental e se sentir desvalorizado por todos. Agora sim o plot de Philly começa a ficar interessante, Arnold é um idiota que desconta a frustração em qualquer um e se comportando dessa forma ele não ia ser recompensado pelo exército continental.

Peggy tem se mostrado cada vez mais esperta, ao invés de apenas um rostinho belo, ela usa sua sedução de forma perspicaz e de acordo com seus interesses. A carta anônima enviada por ela foi uma boa jogada de conversão sobre o Benedict, a revolta dele depois disso só vai crescer e os planos dela vão provavelmente começar a dar certo. Não era esperado o General Arnold recorrer a Washington, mas o retorno dele ao acampamento do líder continental foi bem propício para os futuros planos para o plot dele. É quase impossível especular quando será o suficiente para ele trair a causa das colônias e preferir a recompensa pessoal.

Major Andre e sua mudança foram um twist necessário para a série andar, ele é o personagem britânico mais importante dessa história. Abigail servindo Andre foi uma combinação muito interessante, além de servir os propósitos de Anna e Abe. Cada vez mais chegam muito perto do nome “Culper”, mas ainda estão longe de encontrar a aliança de Bem. Só que com Andre colocando a tarefa nas mãos inescrupulosas de Simcoe talvez não dure tanto tempo esse segredo, uma tática de contra-ataque seria muito bem-vinda para o desenvolvimento da trama do anel de espiões.

A intel de Robert, Culper Jr., foi incrível. Assim o anel de espionagem de Washington finalmente começa a ser bem-sucedido como era esperado por Ben, com informações valiosas pelas quais conseguiram vantagens táticas, Sackett realmente ficaria orgulhoso do major. O capelão ser um agente de conversão dos britânicos foi muito esperto da parte dos red coats, mas a falta de cautela com esse segredo foi muito amadora. A longa sequência desde a descoberta da informação até a chegada dela ao acampamento de Washington foi planejada com maestria, os dois episódios tiveram o timing perfeito para demonstrar como o anel funcionava em toda a sua excelência.

O juiz passou da validade já, a covardia dele e falta de um ideal é surpreendente. Nada que ele diga parece ter nexo, ele julgando Abe como amoral é patético. Ainda mais quando Richard resolve ter a sábia ideia de entregar o Abraham, sem ter a absoluta certeza de nada que ele fez, foi a pior coisa que ele já fez e ele está ficando craque em ser um imbecil arrogante. No entanto na prestação de contas Abe se saiu muito bem, ele nunca seria capaz de sair dessa no começo da série e essa sua nova atitude é muito empolgante. Foi inacreditável o quanto Richard foi ridículo ao achar que ia ficar com Thomas depois de tudo que ele fez com Abraham, que espécie de pai entrega o filho para ter a ilusão de recomeçar com o neto? É simplesmente engraçado esse nível de imbecilidade dele.

O crescente conflito entre os red coats e os rangers tem sido interessante, esses fatores que agravam a ordem da organização interna dos inimigos da colônia foram muito bem planejados. Assim podem usar como um dos motivos de derrota de um exército mais bem preparado que o continental. E o retorno de Simcoe, ainda mais insano e com esses surtos de violência, tornam incompreensível como sequer ele conseguiu se tornar um oficial dos red coats no passado. Hewlett é um tolo, mas não é de todo mal e cego pela causa, também é justo e não parece muito focado nos conflitos com os rangers como o Simcoe é com os red coats. Os planos de Abe para os dois são certeiros, inteligentes, mas Anna com certeza vai ser o maior obstáculo pra isso.

“You know that you are nothing but a coward.”

– Abraham

Com dois episódios cheios de acontecimentos, Turn consegue emplacar mais essa temporada. Sem dúvida é uma série que precisa de twists sempre, mas que mesmo em seus tempos de monotonia consegue ser de alto nível. O amc acertou muito com essa leva de séries novas, porém com Turn ele uniu um tema patriota e importante para os americanos com um bom conflito que todos adoram assistir. Vale muito continuar a acompanhar a série nesse novo ano.

Pettycoats 1: o Andre é uma boa pessoa, em uma situação complicada, porém percebe-se que ele é bem evoluído em relação à época. Principalmente com Abigail e seu filho.

Pettycoats 2: Mary e Anna trabalhando juntas é sensacional, isso nunca poderia acontecer antes e essa possibilidade se concretizando é realmente encantadora.

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