Amor em tempos de internet.

Spoilers Abaixo:

Em seu episódio final, True Love se utiliza da força de um grande ator para sustentar a maior parte da narrativa, com um resultado que pode ser tido como bem-sucedido, apesar de algumas falhas e excessos cometidos.

A trama se foca em Adrian (David Morrissey, State of Play), homem divorciado e pai de Karen (Kaya Scodelario), o qual começa um relacionamento virtual com Kathy (Gemma Chan), uma executiva inglesa residindo atualmente em Hong Kong. Enquanto isto, passa a ter que resistir aos avanços da amiga de sua filha, Lorraine (Jo Woodcock).

Em uma época que relações à distância são cada vez mais comuns, é interessante ver uma série a utilizando como premissa de uma história, além de ser utilizada como uma clara alusão e encerramento aos seus subtextos de que a própria cidade se encontra interconectada com os sentimentos de seus personagens, sendo um local propício a experiência de novas possibilidades.

O grande destaque do episódio é claro: David Morrissey. Mostrando-se um dos melhores atores de sua geração e o melhor interprete da minissérie (não foi dessa vez, Billie), consegue passar com maestria o desconforto e solidão de seu personagem, ao mesmo tempo em que apenas pelo seu olhar pode ser percebida a felicidade ao estar do lado de sua amada. Tomando como exemplo da qualidade do sujeito a discrição da cena em que eles se encontram pela primeira vez ou, mais acentuadamente, o seu desespero ao tentar se explicar sobre o mal-entendido gerado pela confusão em seu apartamento.

Nos papéis menores, Kaya Scodelario consegue com pouco tempo em tela ressaltar o distanciamento perante sua figura paterna, justificando em parte seu descontentamento com o sexo oposto, enquanto Gemma Cha pouco tem a oferecer fora uma química razoavelmente eficiente com Morrissey. Ao passo em que Jo Woodcock consegue destaque ao acentuar através de uma suposta carência o amor platônico pelo pai de sua amiga, apesar da trama aparecer deslocada, mais em função do roteiro do que da atriz.

O roteiro de Dominic Savage peca pela falta de interação entre Adrian e Kathy, mesmo após eles estarem figurando na mesma cidade, fazendo com que o espectador torça pelo sucesso do casal não por estar ciente de seu funcionamento, mas por enxergar a felicidade que a parceira provoca no protagonista. Ademais, embora os diálogos entre Morrissey e Woodcock funcionem bem, não deixa de ser um aspecto cujo único motivo de existir seja para provocar o conflito ocorrido nos minutos finais, quando o episódio funcionaria muito melhor caso optasse pela eliminação desses momentos para, em contrapartida, poder desenvolver mais o relacionamento principal.

E se essas críticas são plausíveis, em nenhum momento se pode dizer que esses pontos negativos estragaram o episódio, por terem sido bem utilizados de forma a sequer serem percebidos enquanto a narrativa ocorre, sendo vícios notados unicamente em uma análise posterior, sendo apenas alguns desvios quando se tem uma construção e personificação tão eficiente quanto a exercida pelo protagonista.

No final, pode-se dizer que “Adrian” é um episódio de ator, sendo engrandecido pelo ótimo desempenho de David Morrissey e sendo uma despedida propícia para uma série que, em sua vida curta, conseguiu construir, na maior parte do tempo, ótimos personagens engrandecidos por formidáveis intérpretes. True Love foi um típico amor de verão.

Outras considerações:

-Vou voltar a ver esse episódio quando estiver perto do retorno de The Walking Dead, só para lembrar-se do Morrissey passional toda vez em que o ver como grande vilão.

-Para vocês, qual foi o melhor episódio e melhor atuação da série?

-E chega ao fim a minha cobertura de True Love aqui no Série Maníacos. Foi um prazer a cobrir durante o período exato de uma semana, além de contar com os comentários sempre producentes de  vocês senhores e senhoras leitores. Espero os reencontrar em futuros textos!

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