True Blood escrevendo certo por linhas tortas…
Se tem uma série que errou muito no decorrer dos anos, esta série é True Blood. Mas alguns destes erros vieram a calhar, e esses dois últimos episódios nos mostraram exatamente isso…
Afinal, de qualquer perspectiva que se olhe, não há razão lógica que justifique a permanência de Sarah Newlin na trama. A personagem já deveria ter encerrado seu ciclo em True Blood na 2ª temporada, e vem fazendo hora extra desde então… Mas, absurdamente, sua presença funciona incrivelmente bem e ouso dizer, inclusive, que ela é uma das coisas que mais faz sentido nessa temporada final de True Blood.
Primeiramente porque Anna Camp é espetacular, construiu sua personagem muito bem e conseguiu a simpatia do público… E em segundo lugar porque essa simpatia se transforma nas mais variadas emoções para o telespectador, que nunca consegue odiar Sarah, por mais odiável que ela possa ser.
Por óbvio, a trama focada em Eric, Pam e Sarah foi o grande mote central desses dois últimos episódios de True Blood, mas volto a abordá-la no final da review… Vamos começar pelo começo.
Ainda em “Lost Cause” tivemos um funeral interessante para Alcide e Tara, que na verdade foi uma festa planejada por Lafayette para tentar levantar o animo dos moradores de Bon Temps após as tragédias que aconteceram na pequena cidade. E assim tivemos um ótimo episódio.
Já ficou mais do que óbvio de que esta temporada final está focando seus personagens e como eles reagem a mais esta guerra que se aproxima, mesmo depois de todas as perdas que já tiveram… E nessa pegada, quase todos os personagens principais puderam ter seu destaque durante o episódio.
Começando por Sookie, mais uma vez me encontrei maravilhado com a força que a personagem demonstra em todos os momentos. Qualquer outra mocinha estaria aos prantos se escondendo atrás de seu príncipe encantado na situação da moça… Mas Sookie não. Ela é forte, determinada e um tanto quanto teimosa. Mas tem um bom coração. E se teve vários namorados no decorrer da série, isso não ocorreu pela necessidade de dar um homem para a mocinha se esconder atrás, mas apenas porque ela era indecisa mesma e resolveu ter vários namorados para escolher o melhor… Sookie não precisa se esconder atrás de homem nenhum… Se ela quer, ela vai lá e faz.
Entre a reação ao descobrir da festa, sua negativa em participar daquilo, e sua cena de bebedeira com Arlene, Sookie em nenhum momento se desrespeitou ou superou sua necessidade de respeitar o seu luto pela morte de Alcide. Mas também não atrapalhou a festa de seus colegas por ter plena consciência de que, no geral, todos ali precisavam daquilo. E seus bons momentos no episódio superam a cena já citada da tequila, compreendendo também suas interações com Jackson e Bill.
Quem também teve toda oportunidade para externar seu luto foi Lettie Mae. Sua relação com Tara sempre foi problemática, mas seu discurso de despedida foi um dos momentos mais emocionantes de sua trajetória em True Blood. Aliás, preciso fazer um parêntese para elogiar a atuação de Adina Porter que mostrou sua versatilidade em nos mostrar diversos lados de Lettie Mae nestes últimos sete anos, mesmo com o pouco tempo em tela que lhe era disponibilizado pelo roteiro.
Além disso, uma pequena e singela cena de Lafayette e James resultou no sexo dos dois, que mexeu com uma infinidade de personagens… Assim, as tramas de Jessica, Jason, Lafayette, James e Violet entraram em colapso e vimos esses personagens entrarem em definitivo na temporada final da série. Já não tenho dúvidas de que veremos Jess e Jason juntos, no final, mas certamente será interessante acompanhar a vingança da desequilibrada Violet e como continuará o romance de Lafa e James.
Mas foi na trajetória de Eric e Pam que tivemos a melhor trama do episódio, e que também foi o principal link que fizeram para o episódio seguinte… Quando começaram sua perseguição à Sarah Newlin (que acabou resultando, inclusive, na quebra do vínculo entre Eric e Willa), acabamos sendo levados ao grande cliffhanger do episódio, onde tivemos, de um lado, o encontro de Pam e Eric com Sarah e, posteriormente, com a Yokonama e, por outro lado, em Bon Temps, a descoberta de que Bill também estava infectado pela hep-V.
O episódio seguinte, “Karma”, teve um ritmo mais lento, extremamente necessário para essa altura da temporada… O que não teve um ritmo lento foi a evolução da doença no Bill… Se tem alguma coisa a ver com a história de Lilith ou por ter sido infectado pelo sangue de fada da Sookie nós ainda não sabemos, mas achei interessante ver o Bill evoluir a doença rapidamente, e mais interessante ainda sua reação diante daquela advogada maldita, demonstrando que Bill Compton guarda um monstro em momentos em que é necessário.
Mas enquanto Bill, Sookie e Jess ficavam desolados em Bon Temps pela doença do vampiro, em Dallas, Eric e Pam descobriam sobre a cura.
Primeiramente, Eric e Pam são a melhor dupla da série há muito tempo, o que se torna mais fantástico ainda quando vemos o amor puro que une os dois, que é muito mais do que qualquer laço entre homem e mulher – no sentido sexual – poderia alcançar, e a cena dos dois presos esperando o sol nascer ilustra bem isso.
Depois, apesar de não morrer de amores pela trama da Yokonama, por outro lado, fico feliz a cada aparição de Sarah. Como adiante no começo da review, ela hoje é um dos maiores acertos de True Blood, mesmo quando esse acerto surgiu de um erro de timing terrível em se livrar da personagem.
Há alguma coisa de puro na loucura da personagem, e a excelente construção desta por Anna Camp apenas intensifica a agradabilidade de vê-la em cena. Por isso, não há como não gargalhar do pequeno encontro dela com Eric, ou ficar completamente sem reação com seu discurso para sua irmã, de como Deus havia feito tudo aquilo para que ela pudesse ser salva pela irmã que, na verdade, é a grande responsável por ela estar infectada.
E se de um lado tudo soa absolutamente artificial em Sarah, de outro, não tem como não acreditar que ela mesma acredita em cada delírio que sai de sua boca, o que ocorre, por exemplo, com Naomi, a nova persona que criou para si, o que fica claro quando ela fala “Eu não sou um monstro… Eu sou budista!”. E se outras séries sofrem com personagens mudando de personalidade o tempo todo, aqui em True Blood, graças à Camp, temos uma Sarah sempre nos apresentando uma nova pessoa sem, contudo, perder a essência de sua personagem, que é essencialmente louca. DELICIOSAMENTE louca.
E é genial que além de incluí-la na trama de Eric nesta temporada, True Blood ainda fez com que ela fosse central também na trama geral, afinal, ela é a cura da Hep-V e dois dos nossos três protagonistas estão infectados pelo vírus…
Logo, Sarah está para True Blood como um grande troféu de uma série que penou muito no decorrer dos anos, mas que entre todos os seus erros, encontrou o seu maior acerto.
Alan Ball (que antes de sair foi o grande responsável pelo declínio da série) definitivamente deve MUITO à Anna Camp.
P.S.: Meu único PS de hoje fica por conta da trágica história de Ginger, que foi escrava sexual do Eric por 15 ANOS sem que nem mesmo eles tenham feito sexo…Nem mesmo um boquete ou uma punheta… Meu olhos encheram-se de lágrimas ao ouvir esse testemunho emocionante da nossa querida (e em nossos corações, protagononista) GINGER.
E o que é uma escrava sexual sem sexo?
– Uma escrava! – BEAUFORT, Pamela Du.
<3 <3 <3 GINGER <3 <3 <3
E, por favor, ME ARRANJEM O GIF DESSA CENA DO CAIXÃO TODA, POR FAVOR!















