Mais dois episódios para True Blood mostrar que recuperou completamente o seu fôlego…

Spoilers Abaixo:

E a razão para essa afirmativa é simples: todas as tramas estão ótimas e True Blood voltou a ser deliciosamente trash, o meu maravilhoso momento de fuga nessa época do ano.

Nas últimas temporadas, onde a série deslizou perdidamente rumo ao fundo do poço, as tramas não se encaixavam. A gente podia vislumbrar algumas boas ideias aqui e acolá, mas os resultados eram sempre desastrosos, com tramas bobas, desinteressantes e cansativas. Agora não. Temos três linhas distintas pela qual a trama da sexta temporada está seguindo: Billith, o Governador e Warlow… E é com toda a alegria do mundo que eu digo que essas três linhas estão fantásticas. E mais do que isso, a equipe de produção está sendo inteligente o suficiente pra deixar tramas secundárias que poderiam atrapalha exatamente no lugar delas: em segundo plano.

É o caso, por exemplo, da guerra entre Sam e os lobisomens. Além de ocupar pouquíssimos minutos de tela nesses dois últimos episódios, ainda recebeu um ponto final – que eu acho estar mais para ponto e vírgula, by the way – já neste 6×06. Se no episódio passada tivemos a chatíssima cena de Alcide indo no bar, bancado o macho alfa e brigado com o pai, o que só intensificou a minha opinião e de grande maioria dos telespectadores – se você gosta dessa trama tem todo o meu respeito e, mais do que isso, minha admiração porque você é forte, filho – de que aquilo estava absurdamente boring. Aí chega o 6×06 e tudo chega a um final aparente. Emma fica com a avó. Sam e Nicole fogem. Alcide continua sendo o macho alfa que vai tirar a camisa. Ponto. Por mim, não precisam revisitar essa história pelo resto da temporada (o que eu duvido), Sam pode fugir pra bem longe e  manda umas cartas para o bar de vez em quando.

Falando no Merlotte’s, o núcleo coadjuvante de lá também ganhou certo destaque nos dois últimos episódios, sobretudo Arlenne e Terry, que acabou sendo a chocante morte prometida para esta temporada, no final do 6×06. Eu achei tudo de uma cretinice sem tamanhos… Primeiro porque Arlene e Terry eram secundários até o último fio de cabelo em suas cabeças, mas, diferentemente de outros secundários da série, eles não incomodavam ninguém e eu não vi razão nenhuma em matar o pobre do Terry com tanto personagem chato dando sopa por aí. Alias, para ser honesto, houve uma razão para a morte do Terry: ver Carrie Preston, essa atriz maravilhosa, ter a chance de brilhar em sua própria série – afinal, ela brilha mais como atriz convidada em The Good Wife do que como membro fixo do elenco de True Blood. Mas, fora aquela brilhante e curta cena da despedida de Arlene, não consigo enxergar outras razões para matar o pobre do Terry.

Outro secundário que ganhou contornos mais interessantes nesses dois últimos episódios foi o primo do nosso (já) saudoso Terry, Andy Bellefleur. O Xerife, que longe de ser um personagem útil, ganhou uma sobrevida na série com o surgimento de suas filhas e agora tem a chance de ser mais bem desenvolvido, agora que só uma delas sobrou, a bela Adilyn Braelyn Charlaine Danika Bellefleur. Pode ser alguma coisa ou pode não dar em nada… Eu prefiro ver o copo meio cheio, neste caso.

E enquanto os núcleos secundários iam recebendo uma limpeza por parte do roteiro houve também o cuidado de interligar as tramas principais e foi exatamente com esses dois episódios, o 6×05 e o 6×06, que vimos como as histórias de Billith, Warlow e o Governador se interligam e criam o pano de fundo que deve movimentar essa reta final de temporada.

Começando por Warlow, descobrimos no 6×05 exatamente o que eu já havia desconfiado no episódio anterior: Warlow não é o monstro que havia sido pintado até então, muito pelo contrário, através de um flashback datado de 3500 antes de Cristo, vimos toda a história de Warlow se criar. O rapaz era um simples fado de sua aldeia quando se encontrou com Lilith e acabou transformado pela vampira, surgindo aí o primeiro híbrido da humanidade, com a promessa de que ele seria a arma dos vampiros contra os humanos. A partir daí, o roteiro toma o cuidado de mostrar Warlow como uma espécie de vítima, justificando assim a razão dele ter matado sua maker e ter trucidado toda a sua aldeia.

É óbvio que uma pessoa que faz umas coisas dessas não pode ser um poço de bondade também, mas há todo um cuidado do roteiro com essa ligação de Warlow a um papel de vítima, o que somado a carinha de bom moço, consegue convencer o público e, sobretudo, Sookie, de que ele talvez não seja um grande vilão e, quem sabe, ela realmente está fadada a passar o resto de sua vida com ele.

Claro que não só isso convenceu Sookie, mas também a descoberta que seus próprios pais tentaram mata-la. Na verdade, foi somente o seu pai, mas sua mãe nada fez para impedir. Depois de ouvir a revelação pela boca de Warlow, Sookie decidiu, ainda no 6×05, ter uma sessão espírita com Lafa – que finalmente volta a ter uma função na série – para reencontrar com seu pai e tirar essa história a limpo. É óbvio que isso não tinha como dar certo e Sookie termina sendo afogada pelo pai/Lafa no lago num dos cliffhangers mais cretinos da história de True Blood, porque né? Alguém achou que Sookie fosse morrer? Claro que isso só intensificou o que eu disse anteriormente, fazendo Warlow aparecer na última hora para salvar a mocinha, fugindo das ordens de seu maker Billith (que por ter parte de Lilith, tem também o poder sobre sua progênie).

Aliás, falando em Billith, depois de uns episódios na maciota, era hora de o vampiro agir de alguma forma e, mesmo não tendo lá muito destaque no 6×05, matou a pau no 6×06 na brilhante cena do confronto com o Governador, que voltarei a falar mais adiante na review. Fato é que Bill se tornou um personagem tão interessante quanto jamais foi na série e, ao questionar e enfrentar Lilith, ele também se impõe por sua própria personalidade, criando um confronto interessante, uma vez que eu imagino que ambos, Bill e Lilith, coabitam aquele corpo.

Tendo falado em Billith e Warlow, o que nos resta da trama central é toda a história que envolve o Governador e seu campo de concentração para vampiros. No 6×05 vimos basicamente todos os vampiros importantes – com exceção de Bill – sendo capturados, como ocorreu com Jéssica, ou indo para lá por livre e espontânea vontade, como foi com Eric e Tara, que foram até lá para salvar Pam… A vampira, aliás, protagonizou um dos melhores momentos deste episódio em sua sessão com o psicanalista – mesmo que ela preferisse os testes de acasalamento – e, posteriormente, no cliffhanger quando foi colocada frente a frente com seu maker na arena.

Aliás, foi um ótimo início para o 6×06 ver a dupla afiada que Eric e Pam formam, ao vê-los matar o guarda e desafiar o Governador, que assistia tudo. Claro que isso custou – provavelmente – a vida de Nora, o que foi fundamental para fazer o plano de Eric girar. E neste ponto, o que mais me surpreendeu foi exatamente a rapidez com que tudo vem fluindo… Aquele “acampamento” por si só, daria pano pra manga para vários episódios a fio – ainda mais contando com personagens como Steve Newlin – pois além de ser uma barbárie por si só, é o núcleo central onde estão Eric, Pam, Tara, Jessica, Nora, Willa e o recém-adicionado Jason, que volta a ser um personagem maravilhoso a medida em que volta a ser envolver com Sarah Newlin.

Mas não, a série parece ter acelerado mais ainda seu ritmo e já neste episódio vimos Eric colocar seu plano de fuga em ação, com a ajuda de Willa e Nora e, mais importante ainda, descobrir o grande plano por trás do Governador: infectar a nova remessa de Tru Blood com um vírus que exterminaria os vampiros em poucos dias. Só de perceber com clareza o grande plano do Governador, ele já entra para o hall dos maiores vilões de True Blood, pois claramente ele foi o que chegou mais perto de vencer essa guerra travada entre humanos e vampiros desde que a série surgiu.

Pena que justamente quando o Governador cresce ainda mais como personagem, ele já encontra o seu fim, com Bill arrancando sua cabeça. Na última temporada True Blood também ousou matar seu vilão antes do tempo, mas não foi boa o suficiente em segurar a peteca após isso… Este ano, duvido que isto vai ocorrer novamente principalmente por a série mostrar, a cada instante, um planejamento excessivo e uma vontade de apagar seus erros recentes impressionante. Acho uma pena não termos mais o Governador, mas tenho certeza que a estrutura que ele criou permanece mesmo após a sua morte e, quem sabe, não seja a própria Sarah Newlin a responsável por levar o plano adiante… Se a temporada já foi espetacular até aqui com um vilão pouco conhecido do público, o que seria então se tivesse como principal antagonista uma personagem absurdamente caricata e carismática, com um longo histórico na série?

Agora, faltando apenas quatro episódios para o fim da temporada, aquele velho clima de especulação que True Blood fazia tão bem voltou a me assolar… O que vai acontecer com os vampiros presos? Qual a função de Billith nessa história? E Warlow, qual a sua importância?

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