
No começo dessa Temporada recebemos um convite especial de Alan Ball. Ao invés de andarmos no sensacional trem-fantasma que True Blood sempre nos apresentou, fomos convidados a ingressar na mais assustadora montanha-russa já criada. Os riscos assumidos pelo Sr. Ball eram tão grandes que, em uma descida dessa montanha-russa True Blood poderia ser capaz de nunca mais subir novamente… Hoje, 12 episódios depois, ainda estou na emoção de ter saído vivo desse brinquedo (e com um pouco de enjôo também), mas não posso negar que, mesmo com os altos e baixos típicos de uma montanha-russa, a viagem valeu muito a pena.
Spoilers Abaixo:
Perdoem-me a analogia do parágrafo inicial. Mas depois de tanto criticar e elogiar (as vezes numa mesma review) True Blood nessa Terceira Temporada, realmente me senti em uma montanha-russa. Cheguei até a ser chamado de contraditório algumas vezes, mas, que culpa tenho eu se Alan Ball desenvolve uma série tão complexa e profunda que pode, ao mesmo tempo, ser boa e ruim?
Não tiro um pingo de razão daqueles que criticam essa Temporada de True Blood. Até concordo com eles em alguns pontos. O que presenciamos esse ano foi uma Temporada irregular, cheia de altos e baixos que, por vezes, prometia alçar vôos que não era capaz de conseguir. Essa Season Finale, por exemplo, me deixou um tanto quanto frustrado. Eram tantas histórias paralelas indo na mesmo direção que eu esperei um grande colapso que não ocorreu. Não digo, porém, que foi ruim (olha só eu sendo contraditório novamente), foi apenas abaixo das minhas expectativas. Mas creio (e minha fé em True Blood é sempre imensa) que não ficarei frustrado na próxima Temporada.
Se o auto-conhecimento – martelado diversas vezes “na cabeça” do público como sendo “O Tema” dessa Temporada – fez muitos cochilarem durante vários episódios dessa Temporada, seu valor para a trama se mostrou nesse último episodio. Vimos personagens crescerem, evoluírem. Como o Jason, por exemplo.
Critiquei o rapaz várias vezes nessa Temporada. Quando sua trama se aprofundou e ele perdeu a característica de ser o alívio cômico da série, parecia que ele tinha perdido sua única função. E logo eu que tanto defendi o auto-conhecimento de Sookie, não percebi que seu irmão passava pelo mesmo processo, e que o seu romance com Crystal era a porta de entrada dessa que promete ser a melhor trama do personagem na série. Que presente que Alan Ball deu para o Jason, hein? Aquele personagem que só servia para fazer sexo e meter os pés pelas mãos na Primeira Temporada tem pela frente o maior desafio que um personagem humano já teve na série. Quando eu vi a família de Crystal destruída, suja, em condições míseras, me deu um aperto na boca do estômago. E Jason tem pela frente o desafio de cuidar desses pobres coitados.
Não sabemos ainda como será Jason como o rei dos sujismundos, mas já podemos antecipar que essa é, provavelmente, a maior oportunidade que o personagem terá para mostrar que tem profundidade, e não serve só pra transar e nos fazer rir. Ele mesmo disse isso quando enfrentou Andy na delegacia e disse que tinha certeza de estar tomando o caminho certo em sua vida.
No mesmo caminho de Jason estão Sam, Lafayette e Tara. O metamorfo, outrora bom e amigo de todos agora traz uma frieza estranha no olhar. E aqui, mais uma vez, mostro que estive errado… Cada vez que criticava a trama da família de Sam nessa Temporada, e até mesmo seu relacionamento com o irmão, não percebi que estava olhando as coisas de um ângulo diferente. Não era Sam que estava ensinando Tommy a ser alguém na vida… Era Tommy que apareceu para ensinar o Sam a ser ele mesmo. Ser a pessoa que ele esconde de todos. Até mesmo de nós mesmos, telespectadores, que pensamos que conhecemos muito bem o personagem há três anos, mas nem imaginamos quanto sangue ele carrega nas mãos.
Com essa deixa, parto para Lafayette. Outro personagem que cresceu absurdamente desde a primeira Temporada. Quando ele era nada mais que um drug dealler sósia da Vera Verão, nem imaginávamos que, no fundo, ele era “especial”. Só sabemos até agora que ele é um bruxo, o que não é pouca coisa. Depois dos lobisomens, será a vez dos bruxos estarem no centro da trama de True Blood, logo, Lafa deve ter um grande destaque no próximo ano. E sendo o personagem profundo que é, não deve fazer feio.
Quanto à Tara, não sei o que dizer. Eu critiquei tanto a personagem nessa Temporada e por diversas vezes desejei sua morte, mas fiquei com um pé atrás quando essa possibilidade tornou-se real. Não sei se fui só eu, mas desde que ela descobriu que o Sam era um metamorfo no pós-coito deles, a personagem adotou um clima de despedida. Em certo momento do episódio eu tinha certeza que ela morreria até o fim dessa Season Finale, o que não aconteceu… Mas depois do seu “encerramento” com sua mãe (que tava na promiscuidade com o reverendo) e com Sookie, tenho certeza que as chances de Tara morrer na Premiere da 4ª Temporada são imensas. E bem, depois daquela tosa mal-feita nos pêlos, se ela não morrer terá que arranjar uma boa de uma peruca pra continuar aparecendo… Mas voltando… Fato é que, por incrível que pareça, torço para que a personagem continue viva e eu esteja completamente errado.
Agora é a hora de falar daqueles que, bem ou mal, carregaram essa Temporada nas costas, logo, são responsáveis diretos pelos sucessos e também pelos diversos insucessos desse ano. Me refiro, obviamente, à Sookie, Eric, Russel e Bill. Desde o seqüestro de Bill por Russel até à “verdadeira morte” do Rei e de Eric, passamos por um verdadeiro martírio. A maioria dos autos e baixos que citei acima ocorreu justamente com esse quarteto principal. E claro que não posso jamais me esquecer de momentos memoráveis como os períodos de insanidade de Russel ou o plano de Eric para se vingar do Rei do Mississipi, mas, mesmo com esses momentos únicos, essa foi a trama que mais me frustrou.
Não queria que Russel e nem Eric morressem, mas a forma como acabou simplesmente não deu pra engolir. Durante muito tempo deixaram a trama da Sookie ser uma fada de lado e deram um enfoque ao Russel e sua personalidade única, transformando-o no maior vilão que True Blood já teve só para, no último episódio, voltarmos ao ponto inicial e tudo se resumir ao fato de Sookie ser uma fada e acabar por isso mesmo.
Não tivemos nenhuma explicação plausível para a aparição de Godric e muito menos para que ele peça para Eric ter piedade de Russel. Mesmo Godric sendo bom e generoso, ele sempre teve o bom senso de perceber quando algo poderia ser um perigo para as outras pessoas… E, muito além da vingança pessoal, Russel era sim um perigo à humanidade. É simplesmente sem sentido uma aparição de um personagem tão importante para fazer algo completamente aleatório e contraditório a tudo o que já vimos dele.
E aí, num golpe de consciência, Eric escuta seu maker e manda salvar Russel, trazendo aquele pedaço de carvão falante para dentro do bar só para, em seguida, “concretá-lo”. E quando Godric aparece novamente pedindo piedade (PORQUE??) Eric não lhe dá ouvidos. Isso anula completamente o ato de salvá-lo da morte torrando no sol. Esse duelo entre Eric e Russel tinha tudo para tomar proporções gigantescas e foi uma sucessão de atos errôneos e atropelados dos produtores ao finalizar essa trama. Foi a desconstrução de dois personagens que foram sendo criados com todo um cuidado no decorrer da Temporada… Tanto Eric quanto Russel só praticaram atos incoerentes com suas respectivas trajetórias nesses 12 episódios.
Mas então estávamos lá, no Fangtasia, Eric e Russel morrendo do lado de fora e Sookie indo salvar o vampiro nórdico. A única trama que manteve-se constante nesse 3ª ano de True Blood foi o triângulo amoroso entre Sookie, Bill e Eric. Foi a única coisa que manteve-se estável e foi desenvolvida com uma linearidade por Alan Ball. E mais uma vez Sookie salvava Eric. E mais uma vez tinha um discussão com Bill. E mais uma vez Eric e Bill travavam uma guerrinha pela fada…
Depois da decepção que foi a história de Eric e Russel, não posso deixar de falar que foi uma surpresa essa reviravolta do roteiro. Não sei se eu fui o único que nem desconfiou que isso poderia acontecer, mas meu queixo caiu quando Bill “traiu” Eric. Aliás, estou errado quando digo que a única trama constante da Temporada foi o triângulo amoroso… A desconstrução do personagem Bill também se manteve constante. Nem parece mais aquele personagem romântico que pedia Sookie em casamento no Final da Temporada passada. Apenas 12 episódios foram suficientes para destruir tudo aquilo que foi construído nos outros 24. E eu adorei isso. Quem me conhece sabe que odeio personagens que são bonzinhos só por ser. Que não erram, que são perfeitos em tudo e gostam de dar lição de moral em todos… Bill nunca mais poderá falar um “a” que seja de Eric, Pam, Sophie-Anne, ou qualquer outro. Ele é tão sujo quanto eles. E isso, para o personagem, é um belo de um presente do Alan Ball.
Gosto de Eric e aprendi a gostar da Sookie nessa Temporada, mas diferentemente do que muitos acham, não torço pra eles como um casal. Nem contra. Simplesmente não ligo para esse negócio de casal… O que eu quero é ver meus personagens evoluírem, e estar com Bill deixava Sookie estagnada. Sem ele, ela só tem a crescer. Seja com Eric, com Alcide ou solteira (até prefiro vê-la solteira por um tempo).
Por isso, vocês não podem imaginar a felicidade que eu senti quando Eric aparece todo sujo de cimento na porta de Sookie e desmascara o Bill. O “segredo” dele não é nada grandioso, mas é fundamental para a série. Todo o alicerce de True Blood foi construído em cima do amor de Sookie por Bill, um amor instantâneo, incondicional e FALSO. Não que Sookie (e até mesmo Bill) não tenha começado a amá-lo com o decorrer do tempo… Mas aquele momento fugaz onde ela “encontrou o homem de sua vida” nada mais era do que o efeito do sangue de Bill, que estava ali a mando de Sophie-Anne para descobrir se Sookie era uma fada.
E depois de tanta decepção Sookie se encontra com Claudine e vai em direção à luz no cliffhanger mais mequetrefe que Alan Ball já fez na vida dele. Como eu disse, Sookie só tem a crescer longe do Bill, e um bom lugar para começar é ao lado “dos seus”.
Hoje me despeço de vocês com um sorriso no rosto. Posso não ter gostado muito da montanha-russa, mas com certeza estarei de volta ao Parque de Diversões de Alan Ball no próximo ano, e estarei disposto a entrar em mais um novo brinquedo dele, torcendo para que seja tão bom quanto esse e quanto aos outros dois em que já estive. Espero encontrar com todos vocês na fila. Até Junho de 2011.
P.S.: Quando vão adicionar Sookie ao Street Fighter? Os raiozinhos dela são mais poderosos que um Hadouken… Coitado do Russel.
P.S. 2: Ainda sobre a (sa)fada da Sookie, não sabia que ela poderia ser tão sádica… A doente ficou com aquele sorriso maquiavélico no rosto enquanto triturava o Talbot… Mulherzinha de mente fechada… Russel, eu e você – pessoas com a menta mais abertas – sabíamos que Talbot ainda vivia naquela urna… Até aquela maldita matá-lo.
P.S. 3: Não é que Bill teve que passar pela humilhação de furar a mulher dele prum outro chupá-la? E eu bem que gostei disso.
P.S. 4: No meio de tanto acontecimento, passou meio batido o fato de que a Emenda dos Direitos dos Vampiros não ter conseguido aprovação necessária pra virar lei… Isso vai render na próxima Temporada.
P.S. 5: Alan Ball, meu querido, ou faz um cliffhanger decente ou nem tenta. Alguém acredita que o Sam matou o Tommy? Tô com mais medo da Tara morrer do que o moleque…
P.S. 6: Não posso deixar de falar de Hoyt e Jessica, que mesmo apagadinhos nessa Temporada, também se mantiveram constantes – era quase uma série dentro de True Blood. E mesmo depois de intervenção da família de Hoyt, pudemos vê-los juntos e felizes na nova casa.
P.S. 7: Falando na casa de Jess e Hoyt, qual é a do Chucky – O Boneco Assassino lá no quarto?
P.S. 8: Por fim, Sophie-Anne. Uma das minhas personagens favoritas. Ô bichinha sortuda da porra, hein? Começou a Temporada toda fudida com a Liga e As Autoridades no pé dela, isso sem falar na enorme dívida com a receita e nas traições de seus súditos Bill e Eric… Termina a Temporada rica, Rainha da Louisiana E do Mississipi, por cima da carne seca, e mandando super bem no visual viúva… Sophie-Anne, te amo!
– Tchau humanos pobres e feios… Até 2011!













