
Abaixo está a lista com algumas das séries que sempre provocaram discussões dentro da minha vida. Por algumas delas eu briguei e lutei, por outras eu lamentei e torci. Mas todas elas acabaram me trazendo aquela sensação gostosinha de que foram feitas para o meu coração, e que eu as entendia como ninguém mais conseguia entender.
Vamos à elas.
Quando eu era adolescente, lembro que morava num lugar muito rural, onde o único canal que pegava era a Globo. Para ver séries, eu tinha que me contentar com o que o canal, na época, chegava a exibir até mesmo no horário nobre. No entanto, eu tinha amigo que morava mais distante e tinha uma TV melhor, e que conseguia acompanhar outras coisas em outros canais. Ele me achava um Zé Ruela porque eu era fã de Lois & Clark e nós tínhamos discussões terríveis porque eu queria convencê-lo das qualidades da série. Pois bem, vez ou outra, na vida de um fã de seriados, passamos pelo perrengue de tentar convencer os outros de que aquelas séries que gostamos, são bacanas mesmo. Argumentamos, apontamos momentos importantes da mitologia, nos empenhamos com todo fervor para mostrar que estamos entendendo um produto de qualidade. O resultado desse fervor todo são muitas discussões e maldições lançadas contra as favoritas dos seus oponentes.
Fringe
Não é novidade nenhuma aquela cara retorcida toda vez que eu conto pra alguém que assisto Fringe. Se eu cometer o desatino de tentar explicar do que se trata, a expressão passa de estranheza a desprezo em segundos. É bem verdade que não é todo mundo que tem paixão por temas científicos e conspiratórios, e com Fringe o problema se agrava quando levamos em consideração que para gostar e entender a genialidade da coisa, há de se dedicar muito tempo e boa vontade para passar pela primeira temporada.
The OC
Séries adolescentes tendem a sofrer o peso da crítica intelectual constantemente. Falou em drama adolescente o intelectual logo torce o nariz e faz comparação com Malhação (o que me tira do juízo). Em The OC, as discussões eram pra provar aos outros que Josh Schwartz tinha escrito uma série ousada, com uma protagonista cheia de defeitos, um herói violento, um nerd com as melhores referências pop da época, uma trilha sonora arrebatadora… Enfim, as qualidades eram muitas. No meio disso, tinham aquelas bobagens comuns aos dramas do gênero. Na terrível terceira temporada, a sensação que eu tinha era de que só eu assistia. O que foi uma pena, porque com a morte de Marissa e a ascensão de Taylor, a quarta temporada se revelou um prazer absoluto e terminou o programa com as honras merecidas.
Lois & Clark
Quando Lois & Clark passava no horário nobre da Globo, eu adorava usar isso como argumento pra provar que alguma diferença na programação a série devia fazer. Numa época em que não tínhamos nas séries a pressão pela complexidade, o programa surpreendia com ótimos ganchos finais e uma interação nunca vista entre Clark e Lois. O baixo orçamento acorrentava a série ao plano jornalístico do herói e essa acabou sendo sua maior qualidade. Mesmo assim, toda vez que eu dizia que assistia Lois & Clark, vinha aquele comentário ridículo sobre o quão infantil podia ser ver um programa sobre o Super-Homem.
Lost
Com Lost o caminho foi inverso. Até a terceira temporada era a coisa mais cool do mundo dizer que era fã da série. Entre a quarta e quinta temporadas, começou a haver relutância. Ao final da sexta e última jornada, dizer que ainda gostava da série era o mesmo que atirar pedras numa cruz. O controverso desfecho do show provocou reações nunca vistas em toda a história da televisão, mas mesmo com tanta relevância, tem gente que ainda acha que o programa não era genial. Como defensor equilibrado que sou da série, tomei tanto as dores dela que entrava em tudo que era blog pra comentar. Fazia textos imensos sobre o quanto as pessoas estavam sendo injustas com uma série que nos tinha dado tantas alegrias. Lost mexeu comigo numa proporção que até hoje me assusta. Nunca uma série de TV tinha me feito ficar tanto tempo debatendo-a, estudando-a, analisando-a. Eram horas de conversas… Ficou uma certa amargura em ver que o final decepcionou tanta gente a ponto de provocar uma anulação de todos os seus acertos.
Buffy the Vampire Slayer
Gostar de uma loirinha caçadora de vampiros-de-cara-feia teria soado meio ridículo até pra mim, vindo de outra pessoa, mas o fato é que depois de uma primeira temporada fraca, a série de Joss Whedon foi ganhando profundidade, e quando chegou à quinta temporada, já não era tão feio assim dizer que você era fã de Buffy. A vibe pop do programa ajudava a torná-lo divertido e aos poucos o conservadorismo dos primeiros episódios foi dando lugar à ousadia. Virou um ícone cultural, por mais que os preciosistas digam que não, mas mesmo assim ainda provoca divergências entre os que não viam e os que assumem a lealdade ao show.
Friday Night Lights
No que diz respeito a prestígio, Friday Night Lights está melhor do que qualquer drama adolescente. A série já ganhou prêmios e foi indicada a eles várias vezes (esse ano mesmo). Era de se esperar que fosse fácil convencer alguém de sua qualidade, mas quando você menciona as palavras “futebol americano”, a reação é imediata: quem em sã consciência acharia boa uma série que justifica e enaltece um esporte tão estúpido? Eu mesmo torci o nariz para a série quando ela saiu, mas se você souber esquecer a natureza violenta e confusa desse esporte, vai acabar acreditando nele, porque Eric Taylor faz qualquer um comprar essa briga. A série é um desbunde de interpretações brilhantes e situações críveis. Até você que como eu, não suporta futebol americano, vai torcer por aquele último touchdown.
Gilmore Girls
Se você for meio cínico ou tiver tendências para a ironia, torça pra nunca gostar de Gilmore Girls, porque se tem uma série que sofreu com o estigma da “série mulherzinha”, foi essa. Os preconceituosos não sabem o que perderam. Poucas séries têm o poder de dizer que seguiram tão seguras e corretas quanto essa. Os enredos eram simples, mas o texto era tão primoroso que os episódios deixavam você com aquela cara de bobo em frente a TV. A série dava um show de referências e diálogos ágeis (marca que também serviu para muitas paródias) e tinha um time de coadjuvantes excêntricos que dava inveja a muita série por aí. Nunca foi muito lembrada por premiações, mas tinha uma qualidade textual óbvia. Se você gostava, sabe do que estou falando… Querem apostar quanto que nos comentários vai aparecer alguém falando das meninices do show?
The Vampire Diaries
Nessa era da febre Crepúsculo, nada é mais herege do que gostar de uma série sobre uma colegial apaixonada por um vampiro relutante. Kevin Willianson topou o desafio de fazer a diferença, e fez. Longe do conservadorismo da obra de Meyer, a série dá uma aula de como manter o interesse da audiência. Não tem um só episódio que seja chato ou irrelevante e Willianson, que sabe escrever como poucos, mantém sua marca no programa, mesmo que ele seja baseado em uma história de vampiros anterior à Saga Crepúsculo (vale lembrar). A reação negativa lançada a The Vampire Diaries vêm de todos os lados, porque quem odeia Bella e seu par, vai odiar os diários de Elena por tabela, e quem ama Bella e seu par, odeia os diários de Elena porque acha que eles estão se aproveitando dessa onda. Mas não se enganem, The Vampire Diaries não é só mais uma série de vampiros no ar. É a série!!
Glee
Você, leitor, que é culto e inteligente e que deve ter amigos igualmente cultos e inteligentes, e que deu a sorte de gostar de Glee, deve ter entre os que lhe cercam, algum amigo que faz cara de nojo quando ouve você cantando Don’t Stop Believing por aí. Glee sofreu da mesma síndrome da comparação que The Vampire Diaries, e rala até hoje para mostrar que é muito superior a High School Musical. Atualmente, sofre de outra síndrome chamada “É cool odiar Glee”. Não que a série não nos dê motivos pra odiá-la às vezes, dá sim, e muitos. Mas as compensações ainda são superiores. Eu ando especialmente irritado com os ataques aos plots sobre homofobia. Por mais que a série fale sobre o assunto, ainda será pouco. Mas gostar de Glee atualmente está difícil pra caramba. A luta para mim ainda continua, mas a guerra é árdua. Glee dá motivos aos detratores, mas pelo menos comigo, ainda é uma série de catarse absoluta.
Dawson’s Creek
Mais um drama adolescente que em minha opinião era muito bom, mas que de vez em quando sofre com as piadinhas de outros roteiristas em séries cômicas por aí. Obra original de Kevin Willianson teve dois anos áureos, em que prêmios e reconhecimentos vieram. Com a saída de Kevin, a série manteve o bom texto, mas tomou decisões criativas erradas, que a condenaram ao ridículo. Mesmo assim, a série ainda é minha principal referência textual e me causa arroubos de emoção inexplicáveis até hoje. Por isso, acabo pagando o preço e tendo que aturar os comentários jocosos dos que não engolem aquele estilo contemplativo e psicológico da série.
E você? Quais são as séries que você gosta e tem que ficar se justificando o tempo todo por gostar?































