“De todos os animais, o homem é o único que é cruel. É o único que inflinge dor pelo prazer de fazê-lo.” Mark Twain

Criminal Minds é a típica série em que só existem dois caminhos: amar ou odiar. Não há um meio termo. Muitas de suas características trazem episódios densos e reflexivos. Os métodos apresentados e as situações do dia-a-dia evidenciadas mostram que diversos males podem estar escondidos em contextos comuns, muitas vezes inimagináveis. Acho perfeitamente compreensível um fã de Criminal Minds, ao ver uma criança brincando de pique esconde com seus pais, pensar nos piores cenários possíveis, pautando-se apenas em alguns casos vistos na série. Muitos dos que assistem passam a encarar o cotidiano de outras formas, com intensa precaução.

Quem nunca viu um episódio de Criminal Minds e ficou horas pensando nele? São muitos os episódios que questionam se deve existir uma fé na humanidade. Como uma pessoa seria teria a audácia de cometer crimes tão malignos? Acreditem… Isso existe. Certa vez, li o livro Criminal Minds: Sociopaths, Serial Killers, and Other Deviants. Nele, o autor compara os crimes protagonizados na televisão com os que realmente existiram. Como a série propriamente dita, muitos detalhes da obra são repugnantes.
Baseado em tudo que Criminal Minds fez comigo – seja na mudança de atitudes ou na de pensamentos – decidi trazer uma lista de episódios que mais me emocionaram. São apenas 10, fato que deixou muitos queridos de fora. Espero que gostem dessa seleção, e compartilhem suas escolhas nos comentários. E vamos à lista…

10 – 2×12 – Profiler, Profiled

Quando as incertezas do passado vêm à tona, as dores se evidenciam. Em um único episódio, Morgan se lembrou de todos os fatos infelizes de sua dura infância: ser molestado por seu mentor, depender de um pedófilo, ver a violência de seu bairro, entre outros. Além desses fatos nada agradáveis, havia enorme implicância por parte do detetive Gordinski, convicto da culpa do agente do FBI. O sofrimento vivido por Morgan era tanto que Hotch permitiu sua saída da prisão para consertar todas aquelas mentiras. Destaco duas cenas que beiraram a perfeição: a conversa entre Morgan e James e o confronto final antes da prisão de Carl Buford. Como Derek mesmo disse, Carl Buford tinha tudo a ver com o que ele havia se transformado. O caso foi até retomado na oitava temporada, com o contexto de superação, mas o foco inicial foi mais emocionante por tratar dos primeiros momentos de Derek em Chicago.

9 – 2×15 – Revelations

Esse episódio é difícil de ser assistido, até para um fã de Criminal Minds, que já está acostumado com tanta coisa assustadora e terrível. Sofrimento por todos os lados, mas o melhor ficou por conta de Reid. As “quase” mortes, a dor dele ao ver uma pessoa assassinada em sua frente, os flashbacks que lembravam a despedida de sua mãe… Sem contar o estresse dos agentes, principalmente a JJ, que quase deu um tiro na Prentiss. Gideon se sentia culpado por tudo que supostamente havia provocado, enquanto Hotch foi acusado de narcisista. Confesso… Senti-me muito mal quando terminei o episódio. Muita dor para somente 40 minutos. O distúrbio de personalidade – pausa para palmas dedicadas ao trabalho de James Van Der Beek – desencadeou diversas situações dolorosas. A partir de Revelations, Reid começou a se envolver com as drogas e JJ ficou bastante traumatizada. Belíssimo foi o reencontro com os agentes, com destaque ao Eu sabia que você entenderia.

8 – 8×12 – Zugzwang

Apesar das esperanças, sempre tive a sensação de que o primeiro relacionamento amoroso do Reid não daria certo. Zugzwang conseguiu relativizar as noções de amor e inteligência em um excelente episódio, mostrando sem exageros as doses de sofrimento tanto de Reid quanto de Maeve. O amor, complexo e belo, fez com que todos torcessem pelo “felizes para sempre.”As intensas lembranças de todos os minutos de conversa e a determinação do time para salvar a geneticista protagonizaram momentos memoráveis, como a conversa com Blake e o desabafo com Hotch. Diana tornou-se totalmente obcecada pela ciência e queria tirar todos os empecilhos do seu caminho. Infelizmente, lá estava Maeve. Um desfecho surpreendente, mas, simultaneamente, coerente: a morte. As expressões dos agentes e o desespero de Reid com o tiro anunciavam o impossível. A trilha sonora contribuiu para que as lágrimas caíssem, obviamente. Não existem vitórias, mas as derrotas, em muitos casos, deixam-nos com aquele sentimento de “e se…” Final comovente.

7 – 6×18 – Lauren

Nesse ponto, abro ressalvas para Emily Prentiss. Ela foi memorável enquanto passou por Criminal Minds, mesmo nos momentos em que protagonizou sua falsa despedida. Quando os arcos de seu passado no mundo do terrorismo foram retomados, tivemos a inserção de um psicopata maligno: Ian Doyle. Ele, que matava famílias, induziu uma atitude contraditória: o abandono. Prentiss deixou sua família, mas teve inúmeras oportunidades de voltar. O telefonema de Garcia trazia uma única mensagem: volte para casa, esse mundo é muito escuro para você. E ela estava certa. Seus feitos quase provocaram a morte, instante em que Reid não foi capaz de se despedir de sua grande amiga. Morgan, com imenso sentimento de revolta, ficou convicto de uma missão: capturar Doyle. Todo o time com seus olhos vermelhos de tantas lágrimas derramadas. Sem contar as belíssimas citações que remetiam a segredos: seja nas falsas mortes de Prentiss ou do filho do irlandês. Mesmo não acreditando que aquele fosse sua última participação, fiquei comovido com o enterro. Episódio memorável…

6 – 6×09 – Into the Woods

Estamos aqui falando do único Unsub ainda não capturado. O pedófilo dos acampamentos proporcionou momentos de intenso sofrimento, vivenciado tanto pelas crianças quanto pelos pais. Os irmãos se abraçavam para tentar imaginar um desfecho não tão ruim quanto o mais provável. Os olhos do menino, após ser molestado, eram transmitidos ao telespectador com imagens chocantes. A garota, por sua vez, enquanto via a dor de seu irmão, tentava consolá-lo e fugir. Nesse contexto, houve a importância da união. Episódios que relacionam crianças são os mais dolorosos, e esse não seria exceção. No final, enquanto os pais comemoravam o retorno de seus dois filhos, outro lamentava a morte. Esse caso me lembrou do livro A Cabana. Li o livro depois, motivo pelo qual considero esse caso muito marcante. Espero muito que os roteiristas não tenham esquecido esse Unsub, porque, até hoje, não houve referências posteriores. Ele traria mais um excelente episódio, como esse foi.

5 – 1×14 – Riding the Lightning

Esse foi o primeiro episódio que realmente mexeu comigo. Tenho um carinho muito especial por ele, justamente pelo fato de ter sido o primeiro que me fez pensar por muito tempo. Dele, também vem uma excelente citação. O que fazemos por nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal. Na fila do corredor da morte, Sarah Jean viveu seus momentos finais. Ela poderia negar a participação de todos os crimes de seu marido, mas, para isso, o fato significaria trazer uma sequência de situações ruins para seu filho, que morava com outra família e não sabia do parentesco com o assassino. Gideon fez de tudo para provar a inocência, mas ele percebeu que Sarah Jean queria mesmo se sacrificar por outra vida. O rosto do agente seria o último visto pela presidiária e, no final, Gideon assistiu a uma apresentação de violino. Típico episódio, que, depois de assistido, ficamos impressionados com a qualidade. Emocionante!

4 – 3×05 – Seven Seconds

Episódios com crianças, mais uma vez. O desespero da mãe em todos os minutos deixava qualquer um aflito e angustiado. A garota havia sumido dentro de um shopping e ninguém sabia onde ela estava. Aos poucos, era desmistificado a família perfeita. Os tios eram insanos, visto que, enquanto ele molestava a garota, ela foi a que orquestrou todo o sequestro. O primo, por sua vez, tentava imaginar uma situação diferente da anunciada: seus pais presos. A sequência final emociona qualquer um: a menina aparentemente morta e a mãe chorando. Últimos instantes que deixaram os olhos de qualquer telespectador cheios de lágrimas. Esse foi o primeiro episódio de Criminal Minds a que assisti. A partir daí, comecei a admirar as lições da série e encarar o mundo de outra forma. Tudo mudou, obviamente. Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual admiro tanto Seven Seconds e o vejo que existe a possibilidade de alegria.

3 – 6×02 – JJ

Sou grata a todos os anos que passei com essa família, por tudo que dividimos, cada chance que tive de crescer. Levarei o melhor deles comigo e usarei como exemplo aonde quer que eu vá. Um amigo me disse para ser honesta com vocês, e aqui vai: isso não é o que eu queria, mas seguirei meu caminho. Talvez porque eu tenha visto tudo como uma lição ou porque não quero andar brava por aí. Ou talvez seja porque eu finalmente entendi. Existem coisas que não queremos que aconteçam, mas temos que aceitar. Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender. E pessoas que não podemos viver sem, mas temos que deixar partir.

Com esse discurso, JJ se despediu, mesmo que provisoriamente. Depois de uma grande alfinetada à CBS – representada na figura de Strauss – os instantes finais de Jennifer Jareau foram muitos emocionantes, trazendo um episódio perfeito. O triste final protagonizado por JJ e Garcia mostrou a importância da família. Aquele trabalho não deveria ser feito por estranhos. Ele só funcionaria se a equipe constituísse uma família. Abraços sucessivos e uma retrospectiva belíssima das participações de AJ Cook ao longo daqueles seis anos. Acredito que a grande maioria dos fãs de Criminal Minds tenha chorado com as palavras daquele discurso. Fantástico!

2 – 5×09 – 100

O centésimo episódio foi memorável. Poucas séries sabem explorar esse momento tão importante com a qualidade que ele exige. Criminal Minds trouxe Foyet para o seu ápice, brindando-nos com o melhor já visto nos seus cinco anos de percurso. A morte de Haley foi, sem dúvidas, o instante mais chocante de Criminal Minds. O desfecho era inevitável, mas todos nós queríamos acreditar no improvável. Muitos até não gostavam da personagem, mas a morte dela doeu, e muito. Jack ajudou seu pai no caso de uma forma brilhante, ao se esconder dentro de um armário. Inesquecível! A maneira como Foyet passava a arma pelo pescoço de Haley deixava todos angustiados… Uma despedida maravilhosa, com palavras perfeitas. O fim estava próximo, Haley já sabia que morreria. Os agentes, enquanto escutavam a conversa, assemelhavam-se aos telespectadores: “tomara que o Hotch chegue antes.” Não foi assim… Achei coerente o final da investigação de Strauss, que entendeu as motivações de Hotch na morte de seu maior inimigo. Os agentes, por outro lado, enfatizaram a existência da família e defenderam seu companheiro de todas as formas possíveis. Épico…

1 – 5×16 – Mosley Lane

Muitos podem me criticar por essa escolha, mas definitivamente foi o episódio que mais chorei em Criminal Minds. Esperança é aquilo com penas, que pousa na alma, e canta a melodia sem palavras, e nunca para. Confesso que, de longe, foi o que mais me comoveu. A dor dos pais era intensa e a vontade de voltar para casa era maior ainda. Entretanto, o melhor se deu por conta dos minutos finais. Reid assumiu que aquela situação teria sido a mais próxima de um milagre que ele tinha visto. Vimos a dor de um pai que perdeu seu filho por uma questão de dias. Ele havia esperado cinco anos, nos quais faltaram apenas dias para o reencontro mágico. Os outros pais, felizmente, conseguiram ver suas amadas crianças. Sarah convenceu todos de que aquela situação estava errada. Ela incentivou JJ a pegar o caso achar o filho. A vida de Sarah fora destruída pela obsessão de encontrar seu filho sequestrado, mas ela nunca desistiu. Nunca. Considero o diálogo seguinte um dos mais bonitos de Criminal Minds.

Sarah Hillridge: [entra na sala onde JJ, Prentiss, e Garcia estão] Eu tenho tentado pensar em algo para dizer, e obrigada não chega nem perto.

JJ: Você não tem que nos agradecer.

Sarah Hillridge: Sim, eu tenho. Vocês sabem quanto faz desde que alguém acreditou em mim? Vocês estão cercados pelas trevas. Por que fazem isso? [elas olham para as famílias]

Prentiss: Por causa de dias assim.

Curiosidade: Esse foi o primeiro episódio dirigido por Matthew Gray Gubler.

Menções honrosas:

3×14 – Damaged: A solução do caso não resolvido do Rossi; e os adultos se tornando crianças.

4×03 – Minimal Loss: Prentiss e Reid como reféns, ao passo que o time tentava resgatá-los.

4×25/4×26 – To Hell… And Back: Esse faz você perder a fé na humanidade, literalmente.

5×10 – The Slave of Duty: O discurso de Hotch e as consequências da morte de Haley.

6×01 – The Longest Night: Discurso de JJ pelo rádio, e infância dolorosa do Unsub.

7×07 – There’s No Place Like Home: A mãe longe do filho, e belíssima história de dormir.

7×08 – Hope: Crueldade extrema com a morte da garota, dando fim à esperança.

7×19 – Heathridge Manor: Incertezas de uma filha e a dor de um garoto preso em cativeiro.

7×23/7×24 – Hit and Run: Despedida de Emily Prentiss e possíveis perdas de JJ (marido e filho).

8×18 – Restoration: Traumas de Derek Morgan e superação.

8×20 – Alchemy: Superação de Reid após os acontecimentos com Maeve.

8×24 – The Replicator: Morte de Strauss.

Considerações finais:

Espero que tenham gostado da seleção. Trapaceei um pouco e escolhi nada mais nada menos que dez episódios como menções honrosas. Esqueci algum? E a lista de vocês… Qual seria?

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