Agora a trama está preparada para o turbilhão da reta final da temporada.
É curioso como, na última review, eu levantei a questão da maturidade textual de Togetherness. Depois de Houston, We Have a Problem (HWHAP), a afirmação soa até equivocada, porque segurança não é desenvolver seus personagens somente, mas também a forma que isso deve ser realizada. E, por isso, esse episódio se tornou tão vangloriado pelas redes sociais. É fácil insistir em determinadas ideias e plots, quando elas empolgam o público. Difícil é frear metade dos plots levantados, tomar um rumo surpreendentemente acelerado e, mesmo assim, conseguir a façanha de entregar algo ainda superior. E foi exatamente isso o que aconteceu nesse quarto capítulo, que marcou o fim da primeira metade da temporada da série, deixando a trama bem preparada para o provável turbilhão que virá na reta final.
Em Insanity, o casal Michett/Brichell foi separado. Isso foi uma decisão bem acertada. Devido à simplicidade dos desejos e anseios de Michelle, a identificação com a personagem era bem imediata. Então, mais do que acompanhar sua jornada de desabrochamento numa madrugada sozinha, o saldo positivo ficou principalmente pelo fato de que tivemos a oportunidade de conhecer Brett. Mais que negligência em relação ao relacionamento e à esposa, o que ele vem fazendo é se esquecer de dar atenção, motivar-se e buscar seus anseios e correr atrás dos mesmos. Diante disso, em HWHAP, não havia espaço para David Garcia, coiotes ou pássaros. O que valia agora era atestar como estava a situação do casal e, para tal, eles precisavam estar juntos em tela. E foi assim mesmo, juntos, que a participação deles começou e terminou.
Ainda no primeiro episódio da série, já era declarado o descompasso entre os dois personagens e Handcuffs foi o próprio testamento disso. Mesmo assim, quando Brett leva a esposa para jantar e a surpreende com a chave do quarto de hotel do restaurante, uma chama de otimismo surgiu na tela. Pena que, momentos depois, o telefonema de Michelle para a irmã tenha jogado tudo abaixo. Sua insegurança em se entregar a um ato sexual era o prenúncio de que viria turbulência e, consequentemente, ela veio. O ato sexual do casal foi desconfortável, estranho e dessincronizado. Era possível ouvir certos pensamentos do público pedindo que aquilo acabasse logo, mas não, os diretores foram até o limite e o resultado foi um desabafo de Brett. Honesto, cruel e agressivo, ele conseguiu se fazer ouvido e, pela primeira vez, admitir para si mesmo o que estava pensando e sentindo. Apesar do choque de Michelle e da dor das palavras, toda a situação serviu para algo importante: concluírem que não querem se divorciar.
Tinex seguiu um caminho diferente de Brichell. Enquanto este esteve em crise desde os minutos iniciais da série, aquele iniciou em crise, mas separados. Tina com sua crise frente a sua incapacidade de chegar a um relacionamento e com o medo da idade; Alex com a dor do fracasso em sua carreira de ator. No entanto, como afirma a máxima: no fundo do poço, há uma mola. E, assim, mesmo que sem intenção, ambos serviram de molas um para o outro. Alex alegrava Tina e esta o motivava. Em Insanity, porém, tudo mudou. O que era amizade ganhou sentimentos maiores e o final agridoce e emocional dos dois foi a prova do talento de Peet e Zissis, que conseguiram transformar pessoas tão destoantes e dessincronizadas em algo completamente convergente (uma bela antítese narrativa com a situação do casal Brichell).
Diante disso, HWHAP levou ambos para Houston, terreno de Tina, mas que quem governou foi Alex. Como foi lindo verificar a forma afável e carinhosa com que tanto os pais quanto as amigas da Miss histérica receberam o ator. Mais bonito ainda foi ver a forma carismática que ele lidou com todos, até mesmo quando era insultado (vide a cena hilária da puxada de cabelo). E então veio o primor que foi sua interação com Pam. Através de uma conversa divertida, a química entre os dois emergiu e, se já tínhamos visto o ciúme de Alex, agora foi a vez de Tina. Frustradamente (inicialmente), ela tentou parar o possível casal, no entanto sua tentativa, durante a dança, teve como resultado, aproximar os outros dois, que se divertiam, ao invés de disputar. E, na saída do bar, depois de um terrível cock block, ele tentou ficar bravo e sem falar com ela, mas a abordagem doce e gentil (apesar da brincadeira com a punheta ter sujado um pouco a situação) de Tina fez com que os dois fizessem as pazes.
Fica agora a curiosidade para saber como Brichell irá tentar reacender a ajustar o casamento. Por outro lado, como Tinex irá lidar com a relação de amizade, depois de ambos terem externado os sentimentos a mais que sentem? Será que eles perceberam ou ainda estão presos demais nas próprias frustrações (ou negações) para admitirem o que sentem um pelo outro? Eis o cenário da metade final da temporada e fica, desde já, o gosto amargo pelo fato de que esse primeiro ano terá somente 8 episódios.















