
Joguem a personalidade aos leões.
Spoilers Abaixo:
Desde que a temporada do X-Factor começou, ficaram muito claras pra mim as razões pelas quais eu estava tão interessado em assistí-la. Esse não é simplesmente um reality musical, sobretudo porque o resultado pouco influi de verdade na indústria fonográfica. Um reality musical também é sobre quem se inscreve nele, também é sobre como a presença de um participante interfere nas nossas expectativas. Não existe – nem nunca existirá – um reality bem sucedido sem que a história por trás dos competidores, seja parte do show. Com a elegância do The Voice, coube ao X-Factor vestir a carapuça da dramaturgia, e dentro desse esquema, ninguém – eu digo ninguém mesmo – foi capaz deslizar nesse conceito com tanta sutileza quanto CeCe Frey.
Sim, ela foi embora, e por isso a história dessa review será sobre ela. Mal posso expressar como fico feliz que ela tenha chegado tão longe, mas ao mesmo tempo, qualquer episódio sem as expectativas de como ela vai se sair ou aparecer, será difícil de enfrentar.
Apesar de só ver o programa no dia seguinte aos resultados, eu estava, coincidentemente, no twitter nos momentos tanto da apresentação dela, quanto nos resultados. A ambiguidade com a qual o público se comporta é impressionante, porque ao mesmo passo em que CeCe é muito mais odiada que a maioria, também consegue resultados de popularidade que os outros não conseguem. Isso tudo só é um termômetro de relevância, que infelizmente não é interpretado como devia. Pouco importa quem será o vencedor do programa… Ele será esquecido em meses. Vale mais a pena manter os episódios interessantes, aqui, no presente. Realities show são sobre o agora. As decisões não podem ser tomadas pensando a longo prazo, porque a longo prazo, nenhum dos participantes existe mais.
Então, além de ser pouco votada, CeCe ainda ganha a primeira apresentação do dia. Claro que há certa dificuldade em absorver o bom trabalho que ela faz com The Edge Of Glory.

Com a impressionante capacidade de cantar canções-recado, nessa semana ela faz isso de novo, ironizando estar sempre no limite de algum sucesso. Da primeira à última semana de sua participação, ela esteve rivalizando com alguém ou alguma coisa. Odiada, ao mesmo tempo, necessária. CeCe realmente parece no limite da glória, mas sempre impossibilitada de atravessar pro lado certo.

No “desatino da Pepsi” ela se atrapalhou de novo. Embora estivesse muito feliz em estar ali, CeCe parece cega sobre suas limitações. Ela não tem fôlego para cantar e dançar, não sustenta notas por muito tempo e não sabe as horas certas de respirar. Por isso, ela sempre vai melhor quando fica parada. Essa apresentação ainda arranca alguns elogios de Britney e Simon (por mais que Demi tenha tentado impedir), mas CeCe dependeria de Diamond ou Fifth irem muito mal para escapar da eliminação.
Programados, o Emblem3 chega ao palco para serem aquilo que sempre se espera deles. Demi tem razão em absolutamente tudo que diz, mas Simon se acha o guru das boy-bands e segue em frente. O Emblem sempre se mostra bom, mas sem nenhuma simpatia.

E a coisa piora na segunda apresentação, que entregue feita nas coxas – como todas as outras -, resultou num Forever Boring.
Simon pode até achar que mentorar os rapazes – tão dispostos a serem reconfigurados – é uma delícia, mas no quesito “manda que eu faço”, ninguém consegue ser como Carly.

Britney ordena, ela faz. E faz com personalidade. Mesmo receosa de lidar com uma música de Justin Bieber, a menina cavuca sua inteligência musical e reforma a canção inteira. Junto dessa capacidade invejável de reestruturação, há uma presença de espírito marcante, traduzida em olhares diretos e mordazes, que além dela, só Lauren (do Fifth) sabe fazer também.
O “desatino da Pepsi” atrapalha até ela. Mesmo que arrase em If I Were a Boy, Demi tem razão de novo ao apontar a previsibilidade disso. Nessa canção, Carly não demonstra muita inventidade. Mas o saldo é tão positivo, que a gente perdoa.
Imperdoável também é a presença do Fifth Harmony – para alguns – que semana após semana, pinta aquela amizade de filme da Angélica.

As meninas são colocadas contra a parede, sentem a pressão, e vão trabalhar a harmonia que La Reid cobra tanto. Eu sempre gosto delas, não sei porquê. Elas me comovem com suas canções, e nas duas que cantaram, a tentativa de harmonia vocal estava muito visível. Não devo mesmo entender o que é esse negócio de harmonia, porque pra mim as duas canções foram na mesma direção, mas LA só viu a dita cuja na segunda.
Melhor seguir para Diamond White, que quase explode tudo com seus vocais, mas fica sempre na reprodução da origem do que ela cantou naquele momento.

A produção capricha na metalinguagem da produção da segunda canção, mas Diamond é o completo oposto de CeCe: ela canta melhor, mas não faz a edição. Diamond nunca tem momentos emblemáticos (após ter voltado) e isso resvala nas suas escolhas artísticas, que ficam sempre dentro de uma zona de identificação imediata.
Tate também flerta com esse mesmo problema e aqui precisamos abrir outro parêntese para Demi, que ao mesmo tempo em que é uma mentora péssima, é uma jurada atenciosíssima. Ela tem muita razão também sobre Tate, que canta Bon Jovi, mas se acovarda com os agudos dos refrões e não os executa.

Na segunda canção ele reencontra um clássico countryde Garth Brooks, e agrada os jurados com essa recuperação de rótulo. Outra vez, Demi diz aquilo que ninguém tem coragem, e irrita Simon ao admitir um soninhho com a apresentação boring dele. O “desatino da Pepsi”, no entanto, diz muito sobre o público do programa, que descaradamente, só entregou canções rotulares para os competidores. Nada mais natural se a vitória vier para ele, que é o rótulo soberano dessa edição.
Sigamos para os resultados, que nos adiantaram a final do programa, e seus vencedores. O ranking é uma delícia de ser visto, mas seu lado negativo aparece agora. Dificilmente o favoritismo de Carly e Tate vai ser abalado, então, Emblem e Fifth estão ali apenas para tentar um movimento significativo na edição, coisa que CeCe, em quase todo o episódio, conseguia para si.

Infelizmente a eliminação dela veio de primeira tacada. Se tivesse tido a chance de cantar para se salvar, CeCe provavelmente mandaria-nos outro belo recado. Ao menos Demi monstrou-se realmente adorável no discurso de eliminação, ainda que tenha sido ela a responsável por acabar com a confiança de sua pupila.
Como era de se esperar, Diamond e Fifth se encontram no bottom 2. Minha predileção pessoal salvaria o Fifth, mas como Diamond também foi razoável na apresentação de salvação, não dá pra entender o critério de LA e Demi. Eu apostava na permanência de Diamond.

Curiosamente, a presença de Melanie Amaro na noite dos resultados também faz seu paralelo com o programa. Magra, loira e há anos luz de ser uma estrela pop, Melanie não é nenhum modelo de carreira bem sucedida. Correta sempre, cantando bem sempre, mas sem absolutamente nenhuma relevância para a edição. Ela e Diamond foram eliminadas e salvas depois, porém, Diamond encontrou um público menos receptivo para com seu estilo imitador. O público, na verdade, já tem sua nova versão de “participante símbolo da América”, e nessa versão, há testículos envolvidos.

No ranking, nenhuma surpresa. Amaria de todo coração que o Fifth eliminasse o Emblem semana que vem, mas duvido muito que isso aconteça. Faltam apenas duas semanas para o previsível vencedor. A única grama de senso de surpresa que nos restava, foi eliminada. O programa então caminha para seus vícios de véspera, e vamos seguindo esperando sei lá o quê. As tensões se vão quando as personalidades se retiram.
Então por isso, um beijo para CeCe Frey, a participante que costurou essa edição do X-Factor. A participante que entendeu como ninguém que o público não quer interferir apenas nos estúpidos “desatinos da Pepsi”. O público que ser provocado, quer fazer analogias, quer ser o quinto jurado naquela bancada. CeCe olhava através da câmera sem olhar para a câmera… Caramba, como vou sentir falta disso…Vamos todos sentir saudades… Muitas.













