Próxima fase?
Depois de doze bons episódios, que incutiram diversas dúvidas e questionamentos nos espectadores, The Whispers chega ao final da temporada com um episódio mediano e corrido, o qual, longe de ser uma conclusão, só estabelece um cliffhanger para a próxima temporada. Não, Game Over não foi de todo mal, porém com o desenvolvimento que a série vinha apresentando, esse episódio foi muito aquém do que se podia esperar e caiu nos clichês sobre alienígenas que estamos cansados de ver na ficção.
O episódio inicia-se mostrando a repercussão que o discurso do presidente junto com o show de Cassandra causaram à nação. Pessoas desesperadas, confusão e tudo o que temos direito quando se trata da espera do fim do mundo. Porém, se a intenção do episódio era mostrar uma repercussão realista, em muito ficou devendo. Tendo Spielberg como produtor, poderíamos ter muito mais caos e desespero a la Guerra dos Mundos, o que tornaria o contexto mais verossimilhante. Porém, não sendo esse o foco do episódio, esse erro até poderia ser perdoado, se não fossem os demais.
Inicialmente, Claire concentra-se em interrogar Drill/Cassandra para tentar entender o significado da mensagem e as intenções dos alienígenas. A menina Kayden Magnuson tem uma atuação mecânica, compatível com a natureza não humana de Drill. No entanto, não deixo de pensar que a escolha de uma atriz mais expressiva, como as interpretes de Minx ou Harper, por exemplo, tornaria Drill mais interessante. A voz metálica também não convence e lembra as produções oitentistas, nas quais por falta de bons efeitos especiais recorria-se a truques mais baratos. Falando em efeitos especiais, a cena em que Drill sacrifica Cassandra também é fraca e bastante malfeita. No entanto, o diálogo que se estabelece entre Drill e Claire salva a cena, especialmente na parte em que o roteiro estabelece uma crítica à sociedade atual, na qual crianças são corrompidas pelos pais ao trocar afeto e atenção por meios de entretenimento. A questão do sacrifício também é tratada, mostrando que os alienígenas são bem mais racionais em alcançar seus objetivos que os humanos.
Em paralelo, temos o esperado plano militar para atacar a ameaça. Comandado por Frommer, esse plot não traz nada de novo, apenas reafirmando a arrogância do secretário. A parte mais interessante do episódio novamente fica a cargo das crianças, as quais repentinamente são “controladas” pelos alienígenas para realização de um plano até então desconhecido pelos espectadores. As crianças são ajudadas por adultos misteriosos, dos quais é revelado ter tido contato com Drill apenas na infância. Nesse ponto sinto que a série abusa um pouco da sua mitologia: é até aceitável que a entidade convença crianças, aparentemente ingênuas, a participar das suas armações. No entanto, não fica exatamente claro como adultos conscientes ainda seguem suas ordens anos depois de perderem o contato com a entidade. A explicação sentimental dada por uma das personagens realmente não convence nosso lado racional.
Nossos protagonistas são sequestrados por civis para que não atrapalhem o plano de Drill. Inclusive, nesse momento, aparece em cena a (ex)mulher de Jessup, a qual só conhecíamos através de diálogos. No entanto, o que poderia ser benéfico para o desenvolvimento do detetive (cuja personalidade foi bastante negligenciada na temporada) se perde em uma reviravolta já esperada. Não convence também o fato dos nossos detetives com treinamento militar/policial serem tão facilmente capturados, sendo Wes (com sua arrogância e discursos moralistas) o salvador do dia.
Com a iminente chegada dos alienígenas e o fracasso do plano militar de Frommer, os detetives procuram descobrir o que a resposta da mensagem enviada por Cassandra significa. Achei bem interessante e amarrado, o fato da mensagem ser simbolizada pelos mesmos números que vimos no micro-ondas tantos episódios atrás. A descoberta do pai de Thomas e Elliot (outro ótimo personagem desperdiçado) e o mistério a respeito da mensagem codificada por números poderia perdurar por diversos episódios e apresentar uma saída inteligente. Porém, como trata-se da season finale, tal plot conclui-se quando, em uma tentativa emocional, Claire descobre que pode comunicar-se com o filho via linguagem de sinais. O menino então revela que os alienígenas estão interessados em levar as crianças e não invadir o planeta (surpresa?). Embora a ideia seja interessante e possa trazer dezenas de implicações, não achei realmente original do roteiro simplesmente abduzir as crianças. Lembrou-me bastante Independence Day, principalmente pela escolha visual para a cena.
Durante a corrida para salvar as crianças em uma bela alusão ao primeiro episódio (X marks the spot), é revelado que Henry fazia parte do plano ao ser levado exatamente para o lugar que deveria estar. Gostei bastante da audácia de colocar o menino em uma posição mais vilã, assim como as demais crianças, embora tenha sido bem tímida. Terminamos o episódio com a abdução de Minx e de Claire, para salvar o filho. A repercussão emocional em Sean deixou a desejar, uma vez que a série nunca explorou efetivamente a reconciliação entre ambos. Nesse sentido, os sentimentos de Wes ficaram mais claros em relação à filha.
Com o fim da temporada, ainda resta a dúvida se saberemos os acontecimentos posteriores, uma vez que não temos confirmação ainda de uma segunda temporada. No entanto, se ela ocorrer tudo indica que explorará o “outro lado” e efetivamente poderemos conhecer os alienígenas. Minha aposta é de que eles usarão o corpo das crianças como hospedeiros para sua forma de energia (alguma coincidência?). Do outro lado restarão Wes e Sean tentando encontrar uma forma de resgatar sua família. Quais são suas apostas? Espero realmente que possamos descobrir todos os segredos que ainda rondam The Whispers. Foi um prazer cobrir essa temporada. Hasta la vista.






















