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Passos de zumbi, The Walking Dead. Passos de zumbi.
Spoilers abaixo:
“The world ended. Didn’t you get the memo?” – Amy
As séries do AMC funcionam melhor como observações curiosas. Em Mad Men nós vemos o mundo da publicidade através dos olhos de um homem quebrado, em Breaking Bad, o das drogas através dos de um professor de colegial, na finada Rubicon, a falta de glamour dos serviços de inteligência e das conspirações pelo luto de Will. No segundo episódio, The Walking Dead fugiu desse aspecto e do seu ponto de vista único para contar uma típica história de zumbis, e com isso perdeu um pouco de seu charme.
Assim, foi bom ver um retorno a alta qualidade acontecer em “Tell It to the Frogs”, servindo para mostrar que “Guts” foi apenas um desvio necessário e que Darabont não estava brincando no piloto quando indicou que sua verdadeira intenção era contar uma história de sobrevivência. E são nesses vários momentos no decorrer do episódio que a série demonstra suas verdadeiras forças e os níveis que pode atingir. Rick reencontrando Lori e o filho, por exemplo, foi um momento rápido em cumprir a função de emocionar, mas que só acabou sendo devidamente contextualizado minutos depois na cena da cabana. Ainda assim, funcionou do modo ideal pois grande parte do trabalho já havia sido feito ao mostrar a dor de Rick, e continuava sendo elaborado durante a própria sequência do retorno nas variadas reações dos outros personagens.
Mas a calmaria do fim dessa jornada dura pouco. Na semana passada eu falei muito sobre como o instinto de sobrevivência estava afetando a cabeça do grupo e aqui nesse episódio a situação muda. Rick está emocional por saber que os seus familiares estão salvos e por isso a sua consciência começa a agir… O que ele fez com Merle deixa lentamente de se tornar uma decisão racional e se torna um erro, algo desumano que eles não deveriam ter feito. Isso, os prováveis conflitos que o irmão irritado causaria e as armas abastecem a pequena chama no seu cérebro e levam o nosso herói a tomar uma difícil decisão: retornar a Atlanta. Pode até parecer burrice depois de tudo que ele passou, mas é um tipo de empreitada que deve acabar se repetindo várias e várias vezes no decorrer da série. Os limites encolheram e as regras acabaram, uma situação única onde qualquer pai jogaria o senso de preservação pela janela para proteger a sua criança, o bem maior. O modo como The Walking Dead mostrou isso através do primeiro contato de Rick com os outros sobreviventes e o retorno ao convívio familiar foi muito bem executado, por sinal.
Uma das reclamações mais constantes com os dois primeiros episódios era de que os novos personagens apresentados eram artificiais, e enquanto não concordo completamente com isso, acho que “Tell It to the Frogs” lembrou de elaborar todos os lados da história. Nós vimos mais de Shane, devastado por ter sido chutado tanto como pai substituto quanto amante, de Carol, que levou um tapa do marido e depois foi defendida pelo próprio Shane em um ataque de fúria que serviu para extravasar o seus sentimentos, e até mesmo do Daryl, que recebeu a notícia do que aconteceu ao irmão com um misto de indignação e esperança de que ele ainda possa estar vivo. É cedo para dizer se todas essas ideias vão funcionar, mas gosto de que elas pelo menos estão presentes e de que todo aquele conjunto parou de ser irritantemente genérico.
Outras observações:
– Mesmo não vendo o momento em si, um inspirado Michael Rooker me convenceu na primeira cena de que cortar a mão era algo que o seu personagem faria se necessário – algo que nem sempre acontece no clichê da mão cortada.
– Bear McCreary está chutando todos os traseiros zumbis e humanos possíveis com essa trilha sonora. É simplesmente um prazer ouvir ele brincar com diferentes estilos e trocar o tom de acordo com as mudanças de humor do episódio.
– Uma das coisas que mais ajudou o episódio foi o fato dele ter sido bastante direto, basicamente nos mostrando a rotina no acampamento, como eles tomam decisões e se relacionam. Também achou em Merle um objetivo final bem mais interessante que o do segundo (todos sabíamos, lendo as HQs ou não, que Rick escaparia) por ele ser um personagem fascinante e completamente imprevisível que se apresenta como um perigo claro e constante para todos os sobreviventes caso Rick e a sua entourage não consigam encontrá-lo antes que deixe a cidade.














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