Indigestão.
A dinâmica entre os coaches, os maravilhosos discursos para convencer os acts a se juntarem aos times e o carisma de todos os envolvidos são só alguns dos ingredientes para fazer um bom episódio no The Voice. O grande problema é que esses ingredientes sozinhos não são o suficiente para montar um belo prato. Na verdade, um excelente pitch de Boy George e uma divertida risada de Paloma Faith, por exemplo, não passam de temperos. O que realmente dá corpo a receita é, claramente, a competência das vozes. Vocais bem executados. Tons admiráveis e distintos. Interpretações marcantes. E, para desgosto de todos nós, os concorrentes dessa semana não trouxeram nada disso.
Se tem uma coisa que a S5 tem acertado, é na edição. Somos apresentados aos concorrentes de maneira rápida e orgânica, aprendendo um pouco sobre quem são e porque estão ali. Sem VT’s gigantes cheios de dramas familiares, choros e cenas de novela. Dessa forma, sobra mais tempo para o que realmente importa: a audição (não que a duração delas tenha aumentado) e o feedback dos coaches. Pequenos clipes inseridos no meio do episódio, como aquele mostrando que os 4 jurados estão conectados de alguma forma, ajudam a desenhar um cenário para o show.
As audições, ordenadas por preferência:
10. Stevie Carlow – “Witchcraft” (Frank Sinatra)
https://www.youtube.com/watch?v=-x0qzhirC80
Stevie, que supostamente já cantou com os Beatles, trouxe Sinatra para os palcos do The Voice. Muito galanteador e bacana de ouvir, mas claramente não pertence a um reality musical.
Eliminado.
9. Chase Morton – “If You Want Me To Stay” (Sly and the Family Stone)
https://www.youtube.com/watch?v=EFVsz7_cHMA
Chase tem um tom muito bonito, mas sua performance é tão comum que se torna esquecível rapidamente. Sua interpretação não foi das melhores, senti muita insegurança. Não vejo Chase chegando nem perto dos Lives, mas já que George comprou o que ele vendia – e foi o único a fazê-lo – vamos ter que esperar para ver.
Team Boy George.
7. Divina De Campo – “Poor Wondering One” (The Pirates of Penzance)
https://www.youtube.com/watch?v=7zVzU7wo9c8
Lucy O’Byrne fez história no The Voice UK de 2015. Foi a primeira representante do gênero ópera a chegar nos Live Shows e, mais do que isso, terminou a temporada em segundo lugar. Dessa forma, é inevitável comparar o desempenho de outros acts com Lucy. Nesse sentido, Divina não consegue fazer dar certo. Apesar do lindíssimo tom e da presença marcante, não foi capaz de capturar os coaches. Como geralmente acontece, o teatral assustou os nossos jurados. Pelo menos conseguimos um momento memorável com sua versão estranha de “Bang Bang”, estrelando Paloma como dançarina.
Eliminada.
8. Melissa Cavannagh – “Blame” (Calvin Harris)
https://www.youtube.com/watch?v=C8kpPWboSX0
Melissa não é ruim, nem boa. Ao meu ver, ela ficou presa em um limbo mediano. Porém, o que pesou para mim foi a péssima versão da música – chata, monótona e sem graça. Melissa, por sua vez, é risonha e parece ter uma personalidade amigável. A moça tem de tudo para ser uma das belters da temporada, mas precisa desesperadamente de um coach que ajude nos arranjos e na escolha do repertório. E ah, alguém por favor fala para a família dela que camisetas com foto e “Team Fulano” são bregas. Para que tá feio.
Team Boy George.
6. Charley Blue – “Roll Over Beethoven” (Chuck Berry)
https://www.youtube.com/watch?v=FLJfGgPfK6E
Eu adoro quando os acts estão dispostos a mostrar que são artistas completos e não só cantam, mas tocam instrumentos, dançam ou são mestres na interpretação. O grande problema é que em uma audição às cegas, a voz precisa ser o elemento principal da performance. Charley trouxe o violino e deu um show, mas seu desempenho vocal deixou muito a desejar. Misturando pelo menos 2 estilos musicais diferentes, a moça conseguiu 3 cadeiras e um lugar na competição através de uma audição animada e singular.
Team Will.
5. Niamh Breslin – “Martha’s Harbor” (All About Eve)
https://www.youtube.com/watch?v=4Awp3T2YYFU
Niamh tem uma voz absolutamente linda e distinta, tipo de act que costuma conseguir algumas cadeiras em TVUK. O que me entristece é que Niamh é potencialmente melhor do que muitos que conseguiram uma vaga na competição. A desculpa dos coaches é que a performance foi muito tremida e nervosa, o que é verdade, mas o objetivo de ter técnicos é justamente para que eles ajudem os competidores a melhorar e consertar os erros. Uma pena.
Eliminada.
4. Megan Reece – “What You Don’t Do” (Lianne La Havas)
https://www.youtube.com/watch?v=xxwL–lB8BA
Megan foi um dos destaques da noite. Delicada como uma Barbie, a moça entregou uma performance sólida, sem falhas e que fica ainda melhor em uma segunda ouvida. Megan vai precisar de um repertório forte e um controle de palco mais despojado se quiser ser lembrada, mas estou confiante que Paloma vai ser uma ajuda digna. Aliás, como não gostar de uma mulher que traz pinturas que ela mesma fez para presentear os coaches (e o Marvin)? Muito fofa.
Team Paloma.
3. Janine Dyer – “Bridge Over Troubled Water” (Simon & Garfunkel)
https://www.youtube.com/watch?v=QDuQ80GHYxk
Não é um reality musical de verdade até alguém abrir a boca para cantar “Bridge Over Troubled Water”. Janine é cantora profissional e isso é óbvio, entretanto, para conseguir avançar, ela precisará sair da sua zona de conforto (gospel) e encontrar músicas mais universais. Apesar de ter feito tudo certo, não acho que ela seja essa Coca-Cola toda que os coaches fizeram parecer. Inclusive, senti vergonha do Ricky se fazendo de vítima no pitch só pra ganhar o act. Will até desmascarou o Big Blue Eyes, mas Janine já tinha tomado sua decisão.
Team Ricky.
2. Lydia Lucy – “Trouble” (Iggy Azalea feat. Jennifer Hudson)
https://www.youtube.com/watch?v=bytulKUuKpM
Lydia é uma vocalista de peso. Desde o primeiro segundo, mostra sua competência com uma nota alta executada no tempo e no tom certo. Sua maior arma é seu impressionante alcance, responsável por excelentes momentos na audição. Em uma noite fraca, Lydia facilmente aparece como alguém acima da média e com grandes chances de ir longe na competição.
Team Will.
1. Harry Fisher – “Let It Go” (Frozen James Bay)
https://www.youtube.com/watch?v=eqpXafZZWXc
Harry ganhou, merecidamente, o pimp spot da noite. “Let It Go” é uma das músicas mais amadas do momento, fazendo do desafio do garoto algo grande e que poderia facilmente dar errado. Entretanto, fica claro desde a primeira nota que Harry está quilômetros à frente de qualquer outro vocalista masculino na competição. Com muita classe, Harry fez tudo certo, passeando entre graves e agudos com facilidade, além do falsete tímido no timing perfeito. Mais uma vez, a aleatoriedade dos nossos coaches foi comprovada quando nenhum deles virou – exceto George, no último minuto.
Team Boy George.
Blind Auditions 2 foi como ir até um restaurante e acabar com um prato frio em sua mesa. O nível dos acts não fez justiça ao que costumamos ver em The Voice UK e a dinâmica do painel de jurados não foi o suficiente para nos salvar do tédio. Boy George segue forte, com os dois melhores cantores da temporada – Cody Frost e Harry Fisher – em seu time. Enquanto dias melhores não vêm, nos resta empurrar a comida goela abaixo e nos dar por satisfeitos.
Quem foi o seu favorito da noite?
PS1: Marvin sabe tocar violino. Nice.
PS2: Os jurados do TVUK insistem em continuar com o péssimo costume de perguntar a opinião dos seus colegas antes de virar. Amigos, gostam do que estão ouvindo? Aperta o botão e cabô.
PS3: Não tem como ouvir “Let It Go” em reality sem lembrar disso.
















