I know I’m not the only voice

Não houve tempo de pairar a dúvida sobre a qualidade do programa. Após uma estreia regular em três noites de audições que aumentaram as nossas expectativas em relação ao quinto ano, a temporada promete ser boa, super disputada e dispõe de excelentes vozes. Arrisco dizer que pode até superar as temporadas iniciais do show australiano, sendo equivalente à referência que se tornou a quinta temporada para a versão americana do The Voice.

Aos cinéfilos amantes do Clube dos Cinco, às trintonas que acompanham os Backstreet Boys em um cruzeiro e aos série maníacos apaixonados pelas temporadas de Breaking Bad, Chuck e Person Of Interest, o número 5 tem um significado especial. Aqui não é diferente, são cinco coaches nas cadeiras vermelhas, cinco vozes de front-runners a cada semana e cinco sentidos convertidos em apenas um. A voz.

Aviso importante ao leitor: pra variar, o canal 9 só disponibilizou os vídeos completos em sua página oficial. Abaixo, teremos apenas os pequenos trechos das audições do canal do The Voice Austrália no YouTube.

Seguem as audições da segunda semana de blinds em ordem de transmissão. It’s time to hear, THE VOICE:

Andrew Loadsman – Demons (Imagine Dragons)

As promos da temporada prometeram uma audição fantástica nesta temporada e eu jurava que ela viria do garoto com Tourette. Eis que um Chris Pratt australiano decidiu se entregar no palco e trouxe algo diferente para o programa. A voz de Andrew é cativante e transita perfeitamente entre o suave e o agressivo sem perder a credibilidade do que está sendo cantado. Fico extremamente feliz em ver uma audição enérgica como essa em plena quinta temporada, com direito a virada de cadeira mais rápida da temporada. Não vejo um mundo em que os Maddens deixem Andrew fora das finais. Selo Karise Eden para Mr. Loadsman.

Andrew é Team Madden

Alexandra Younes – Hate On Me (Jill Scott)

A cantora fez uma boa audição, daquelas que fariam os jurados brigarem a tapa no The Voice Brasil. Alexandra alcançou as notas com uma técnica admirável, mas o padrão da temporada está bem elevado e fica complicado para os candidatos que não conseguem inserir algo único nas canções que interpretam.

Calvin Swart – Style (Taylor Swift)

Calvin não é John Mayer nem tampouco Michael Jackson, mas tem originalidade em sua voz e interpretação da música chata de Swift. A pouca experiência ficou clara na performance, porém o cantor foi capaz de conquistar o público e duas cadeiras. O candidato tem estilo e para ser o artista do próprio discurso terá que corrigir suas falhas, ainda bem que ele escolheu a jurada que pode ajudar muito a crescer na competição.

Calvin é Team Jessie

Casey & Barnaby – Poker Face (Lady Gaga)

O primeiro duo da temporada tem uma química perfeita fora de palco, mas faltou solidez na apresentação do hit de Gaga. Como percebido por todos os jurados, Casey tinha uma voz segura e merecia ir para as batalhas, enquanto Barnaby não convencia musicalmente e parecia prender o potencial da amiga. Fiquei com pena da situação de Casey, mas ela deve entender a crueldade que existe no mundo do entretenimento. Mais uma vez o programa australiano faz algo inédito e separa um dueto para a próxima etapa.

Casey é Team Madden

Marcia Howard – Fields of Gold (Sting)

A voz de Marcia não tem nenhum apelo comercial, porém a força emocional e a competência em contar uma boa história criou um belo ambiente nesta audição. Confesso que gostei mais da versão roqueira anos 80 do que a singer/songwritter. Semelhante ao que fez com Stephen McCulloch, Delta leva uma cantora experiente para a próxima fase do reality.

Marcia é Team Delta

Col Usher – When Love Comes to Town (U2 & De Biquíni B. B. King)

É hard cantar qualquer clássico do rock quando você tem força de vontade e uma voz potente. A linda família estava lá para dar apoio ao cantor, mas a verdade é que ele fez uma apresentação bem irregular tecnicamente. As audições do The Voice exigem algo a mais na voz e na interpretação que o barbudo de nome bacana falhou em mostrar.

Aaliyah Warren – Runnin’ (Lose It All) (Naughty Boy feat. Beyoncé, Arrow Benjamin)

Pocahontas canta bem e mesmo deixando o nervosismo esconder o melhor de sua voz, a jovem abriu os olhos no meio da apresentação e mostrou o mínimo de potencial. Foi o suficiente para mais um embate entre Jessie e os Maddens. Diferente do que a edição deu a entender, Aaliyah é mais uma a fazer parte do time de Jessie. Vamos esperar para ver quem atropelará a cantora nas próximas fases.

Aaliyah é Team Jessie

Adam Ladell – Trouble (Coldplay)

O programa inteiro fez suspense a respeito da audição do simpático garoto com síndrome de Tourette, a expectativa estava bem alta. Adam fez uma apresentação bonita, digna de 4-chairs. É claro que a sua condição amplifica o belo tom de sua voz, somado ao fato da música ser um refúgio perfeito para o jovem ser considerado capaz aos olhos dos outros, Adam se torna front runner de Ronan que deve chegar tranquilamente aos shows ao vivo.

Adam é Team Ronan

Don Leaton – High Hopes (Kodaline)

Abrindo a quinta noite de audições, o garoto de voz irregular conquistou 3 cadeiras. A apresentação foi um pouco cansativa, embora o rapaz sentia o que cantava. Gostei da humildade dos pais do candidato e da escolha de repertório, só não entendi a briga entre os jurados por um WGWG de 18 anos que precisa evoluir bastante para ter alguma chance nas próximas etapas.

Don é Team Madden

Susan Songsuk – One Night Only (Dreamgirls)

Que vozeirão! Susan mostrou que possui potência e alcance vocal admirável. Achei uma escolha corajosa para a garota pegar a música e entregar uma ótima performance tecnicamente. Delta está mais exigente hoje e, apesar de todas as pressões sobre a jurada apertar o seu botão, ela não sentiu a paixão da candidata em sua interpretação. Quem diria que a técnica e a concentração poderiam limar com as chances de alguém avançar nas audições? Esta é a exigente Austrália.

Ashleigh Marshall – Reflection (Christina Aguilera)

Está aí uma audição que achei que nenhum jurado viraria. Ashleigh tem toda a história do bullying e força de vontade que se refletiu positivamente em sua apresentação. No entanto, a falta de técnica e experiência são fatores que dificultarão o trabalho de Jessie como mentora, mas a jurada já venceu com outra garota de 16 anos no ano passado. Por mais clichê que pareça, acho que Ashleigh deva se considerar uma vencedora.

Ashleigh é Team Jessie

Bella Maree – I’d Rather Go Blind (Etta James)

“Uma mistura de Avatar com Mad Max”. Prefiro fingir que não ouvi esse comentário de Ronan após Jessie comparar o The Voice com Jogos Vorazes. Bella teve o estilo de uma artista, mas quando estamos na fase de audições a aparência é o que menos importa. Além disso, é complicado cantar Etta James e as falhas vocais da jovem foram elevadas à décima potência com esta escolha ousada de repertório.

Emad Younan – Only You (Yazoo)

A voz de Emad é bem comum, mas a emoção presente em sua voz deixou tudo mais agradável. Apesar da edição sustentá-lo com a sombra do falecido irmão, o cantor tem algo especial como artista. O fato do advogado criminal ter a missão de continuar o trabalho do irmão que a leucemia interrompeu, demonstra que ele já tem um caminho definido para seguir após o programa. Sem dúvida, pretendo acompanhar a carreira de Emad.

Emad é Team Ronan

Emily Markham – 9 to 5 (Dolly Parton)

Gosto de ver candidatos que saem do comum dentro do gosto nacional. A música country não tem muito apelo na Oceania e é interessante acompanhar uma candidata que tem a sua paixão fundada em artistas de Nashville. Embora a qualidade de Emily como cantora deixe a desejar, a moça mostrou vontade e um pouco de energia. Pena que não foi o suficiente para termos uma representante do estilo de Shania nas batalhas.

Maxon – Wings (Delta Goodrem)

Maxon parecia um pouco intimidada no palco, porém apresentou a sua versão do hit da australiana mais amada. O arranjo combinou bem com a polidez da candidata e com o charme de suas finalizações timbradas. Achei estranho apenas Delta ter virado para a cantora e não gostei da pressão de todos sobre a coach, como se ela tivesse a obrigação de apertar o seu botão. Maxon é a típica underdog que pode brilhar nos live shows.

Maxon é Team Delta

Ilisavani Cava – I’m Not the Only One (Sam Smith)

Jesus, pega o volante porque não gostei da audição do cantor gospel #prontofalei. Achei que Ili (vou apelidar pois acho o nome difícil) começou dirigindo bem a canção, mas de repente se iniciou um temporal e o rapaz saia desenfreadamente da estrada, sem rumo, sem direção. Gostei do tom seguro do rapaz nos momentos de paz vocal, entretanto quando ele tenta se libertar acaba exagerando, parecendo um yorkshire sendo torturado. Não tenho dúvidas de que o cantor é o maior desafio para Jessie nesta temporada como coach.

Ilisavani é Team Jessie

Os times fingem um equilíbrio, mas a verdade é que Benji pode abraçar e Joel dançar ridiculamente à toa, pois os irmãos Madden tem em suas mãos um time ainda mais forte com a inclusão de Andrew. Delta fez a diva exigente e se manteve com um bom elenco. Ronan tem pupilos bem distintos e um quase vencedor conquistador de votos chamado Adam. Jessie fica para trás ao encher o seu time de vozes inseguras, a missão será difícil para a inglesa.

Gostou dos candidatos desta segunda semana de audições? Ou ainda está à espera de uma nova Karise Eden ou Celia Pavey?

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