Rotatividade de coaches, a melhor ideia já implementada em uma bancada de reality musical.

Uma das maiores razões do sucesso da quarta temporada do The Voice foi a chegada da nossa colombiana favorita às cadeiras vermelhas. Mesmo o fã mais incondicional (o/) do trabalho de Christina Aguilera dentro e fora do show precisou dar o braço a torcer em relação à excelente ideia que foi trazer Shakira para o programa. Mesmo inexperiente, a cantora não deixou a peteca cair e, se deixou a desejar como coach, certamente esbanjou carisma e nos fez ficar ansiosos por seu retorno nesta sexta temporada do programa.

E, assim como sua predecessora no posto de única mulher a ocupar a bancada do melhor reality musical da atualidade, Shakira conseguiu transformar seu retorno em algo estrondoso, com ares de renovação e diversão para ninguém botar defeito! É claro que é necessário dar o devido crédito ao Usher, que veio menos sério e ranzinza do que da última vez em que iniciou uma temporada e conseguiu se misturar perfeitamente ao grupo desta vez.

E é justamente essa sinergia, até então inédita para essa formação “reserva” da bancada do The Voice, o grande motivo de o início da atual temporada ter conseguido empolgar como só nosso reality favorito consegue. Por mais que Adam e Blake já estejam me cansando mais e mais a cada episódio que assisto com eles, a sintonia com Shakira e Usher nesta temporada está realmente excepcional, divertidíssima, e quase dispensando a necessidade do sempre presente nível máximo de talento que o programa nos proporciona. Quero dizer, COMO NÃO AMAR Blake entrando no palco para inaugurar a temporada com uma performance de “Whenever, Wherever”???

Aliás, quem foi o jerico que precisou de SEIS TEMPORADAS para ter uma ideia de uma performance de abertura com um medley de quatro canções dos coaches, com vocalistas trocados? E, entre Adam imitando a maneira de falar de Shaki, Usher e seus Grammys transformados em sapatos e Blake descrevendo muito precisamente Shakira como a crappy coach but a wonderful woman e saindo ileso desse insulto porque a resposta de Shakira foi a mais fofa possível (para quem tem alguma dúvida, a tradução disso seria “coach de merda”, embora a expressão seja mais pesada na nossa língua do que em inglês), render-se ao carismático trabalho desses cantores e entrar no clima da disputa torna-se uma postura extremamente natural para quem assiste.

Mas é claro que, como de praxe, o talento dos candidatos do The Voice muito nos ajudam nessa tarefa. É praticamente impossível assistir a uma temporada de blinds sem se apegar a alguém e torcer fervorosamente para que nosso escolhido faça a opção adequada de coach para que possa ir longe na competição.

Como a NBC decidiu começar a temporada numa época em que o Brasil mal funciona e reviewer também é filho de Deus e também pula carnaval, foi necessário um texto que cobrisse todas as blinds do programa e fosse menos cansativo possível pra vocês. Assim, resolvi dar uma sacudida neste espaço e já começar a review polemizando e classificando inicialmente os candidatos em três grupos básicos: os que já nasceram para ser sacrificados no futuro, os que podem surpreender e os “MEO-DEOS-QUE-VOZ-É-ESSA-CADÊ-O-ÁLBUM???”. Tudo isso já na separação em seus respectivos times, que também fiz questão de ranquear. Preparados?

4º) TEAM BLAKE

Blake finaliza as blinds como quase sempre termina aqui no ranking do SM: na lanterna, o que nunca o impediu de vencer o programa antes. Pouquíssimos candidatos realmente prometem, e mesmo os melhores passam longe de se destacar em relação à concorrência dos outros times. Para ser justo, Blake perde para o time que o segue neste ranking por uma vantagem estreitíssima e pode terminar os Knockouts com o jogo completamente virado.

Destaques:

Sisaundra Lewis – Ain’t No Way (Aretha Franklin)

Ok, eu entendo o fato de que Sisaundra Lewis é e sempre será uma cantora que polarizará o público. Até eu, que tenho uma queda por um bom pacote de firulas vocais em uma performance, fiquei um pouco assustado com a abordagem nada sutil da cantora. Mas, sejamos francos, como fazer jus a um clássico de Aretha Franklin sem mostrar do que você realmente é capaz? Deixemos gostos pessoais de lado e reconheçamos que o trabalho de Sisaundra foi absolutamente inacreditável ao longo de toda a performance. Só não tão inacreditável quanto a mensagem gravada por Celine Dion para dar apoio à cantora. E nós aqui achando que tínhamos moral com alguém com quem trabalhamos, hein? Sisaundra zerou a vida com a mensagem que recebeu, apenas. E zerou duplamente ao escolher Blake Shelton, o coach mais improvável em teoria, mas que certamente mais conectou-se com ela durante essa blind.

Audra McLaughlin – Angel From Montgomerry (John Prine)

É fácil entender por que Audra conseguiu se tornar um dos mais merecidos 4-chairs da temporada. Um timbre delicioso, que faz um carinho imenso em nossos ouvidos, com uma extensão e tanto, e ainda capaz de executar de maneira tão perfeita glory notes que só vozes realmente potentes conseguem merece toda a nossa atenção e precisa estar sempre no nosso radar dentro da equipe de Blake Shelton, principalmente diante de uma escolha musical de tamanho bom gosto. Audra é de longe a melhor cantora arrematada pelo técnico, e é bom que ele a trate muito bem daqui para a frente!

Kaleigh Glanton – Have You Ever Seen The Rain? (Creedence Clearwater Revival)

Eis que o ultimo episódio de blinds trouxe ao menos uma brisa de ar fresco para as audições da temporada, e essa brisa atende por Kaleigh Glanton. Ok, não é o nome mais comercial do mundo, mas o fato é que Kaleigh deu uma verdadeira aula de como pegar uma canção extremamente manjada e transformá-la em algo que nos intriga e nos compele a querer ver mais, querer ver aonde aquilo vai dar. O belíssimo falsete foi um ótimo recurso para deixar suas arriscadíssimas escolhas melódicas ainda mais bonitas e interessantes de ouvir. Eu, que esperava um karaokê aleatório assim que vi a música escolhida, quebrei a cara e fiquei completamente envolvido com a apresentação, e espero que Blake consiga ajudar Kaleigh a desenvolver sua habilidade.

Para não dizer que não há potencial ainda não explorado no Team Blake, gostei de Ryan Whyte Maloney, um dos cantores country da temporada que tiveram noção suficiente para saber que não é um bom momento para correr riscos e não escolher o Team Blake (sim, há quem não entenda essa premissa básica, mas falemos mais sobre isso mais tarde). Gostei muito do timbre do rapaz ao se apresentar com “Lights” (Journey), uma voz realmente bem mais alta do que o que costumamos ver em intérpretes de canções desse estilo. Acredito que Ryan tenha chance se destacar no (próximo) exército de country de Blake Shelton.

Quem também pode chegar longe no Team Blake caso seja bem trabalhada é Ria Eaton, que cantou “Cups (When I’m Gone)” (Anna Kendrick), mais um nome da gigantesca lista dos que rejeitaram a pobre Shakira – o que era bastante previsível, já que sempre que todos os coaches se juntam contra um só, esse um acaba gerando um efeito underdog sobre o candidato e sendo escolhido (não que Blake precisasse disso, acho que Ria já era dele desde o início, mas ainda assim). Achei o timbre da moça interessantíssimo e gostei da escolha musical que só fez reforçar o carisma e o estilo peculiar da cantora. E sua evolução ao longo da apresentação, que terminou consideravelmente melhor do que começou, me fazem acreditar em Ria como uma candidata promissora.

Agora vamos para aqueles que, a meu ver, já estão fora da brincadeira e poderão ser chamados de azarões caso cheguem longe na competição (sim, Swon Brothers, estou olhando pra vocês!). É o caso do também country Jake Worthington, que cantou “Don´t Close Your eyes” (Keith Whitley) até bem, mas tem o carisma de uma pêra e fez questão de escolher o Team Blake pra ter certeza de que desapareceria completamente em meio aos country desta temporada.

Eu adoraria ter gostado da “Me and Mrs. Jones” (Billy Paul) de Noah Lis, assim como da “Just Like a Pill” (Pink) de Megan Rüger. O crooner só conseguiu me fazer considerá-lo completamente datado e sem apelo, enquanto a roqueira começou a canção de uma maneira tão anasalada que me incomodou muito, apesar de ter melhorado no fim e mandado bem nas glory notes – sem, ainda assim, tirar minha sensação de karaokê ao longo de toda a música. E, embora nem todo mundo tenha nascido para ser um Chris Mann ou uma Michaela Paige, não descarto a possibilidade de eu mudar de ideia em relação à moça.

Paula Deanda me chocou muito ao preferir escolher Blake em vez de sua companheira de latinidade, e acredito que isso tenha sido um grande erro, um erro crasso para alguém com a experiência no ramo que a cantora, com dois álbuns já gravados, tem. Paula mostrou um falsete interessante em alguns momentos (justamente quando Blake e Shakira viraram), mas passou a apresentação inteira de “The Way” (Ariana Grande) brigando com a afinação, e encerrou com uma tentativa fracassadíssima de agudo. Ficarei muito surpreso se ela não cair nas batalhas.

Alaska & Madi são um act interessante na teoria e têm uma história realmente fofinha e que pode conquistar votos do publico teen que curte country. O problema foi que a execução não fez jus ao background das meninas, que passaram toda a performance de “Barton  Hollow” (Civil Wars) – boa escolha musical, aliás! – alternando inadvertidamente entre uma boa harmonia e um incômodo uníssono. Gostei, porém, da combinação de timbres bastante distintos que acabam se complementando de uma maneira agradável, e penso em dar às meninas o benefício da dúvida, mesmo não acreditando que elas passem dos Knockouts.

É claro que restam os condenados ao limbo do The Voice, aqueles que fizeram parte de um combo de blinds e têm chance zero de crescerem aos olhos do público: até o próximo reality, Lexi Luca (que jurou que ia abafar puxando o saco de Blake com o hit de Cassadee Pope) e Cali Tucker, duas country que jamais verão a luz do voto popular nos Live Shows.

3º) TEAM SHAKIRA

Comecei a temporada realmente animado com o time de Shakira. Com a popularidade da coach e a repercussão do seu bom trabalho, era de se esperar que desta vez ela se transformasse em uma ameaça real aos colegas de bancada no momento de disputar a preferência dos candidatos. Ledo engano. Não sei o que acontece, mas parece que os americanos realmente não conseguem enxergar mais do que as rebolations e o abdômen mais lindo do planeta (ok, essa última parte quem enxerga sou eu). O problema de Shakira é o excesso de fofura, que em alguns momentos cruciais para se vender acaba passando a sensação de fraqueza ou falta de confiança. Não que ela não tenha vencido uma ou outra batalha contra Adam ou Blake (porque de Usher ela perdeu TODAS), mas, no meio de três coaches extremamente agressivos que a cercam, Shakira acaba desaparecendo e perdendo ótimos cantores. Nossa colombiana já provou que, ao contrário de sua antecessora Christina Aguilera, consegue atrair votos gratuitos pelo fator likeability que tem com o público americano, mas ainda precisa mostrar seu valor e provar que também é capaz de agregar à carreira de um artista.

Destaques:

Clarissa Serna – Zombie (The Cranberries)

Eu não esperava muito de Clarissa durante o VT, mas, no instante em que a cantora começou sua performance de “Zombie”, ela me ganhou completamente! Sempre valorizei powerhouses e a boa técnica vocal, mas também adoro vozes que simplesmente não precisam recorrer às acrobacias para serem extremamente cativantes, e Clarissa tem uma dessas, uma rouquidão que, crua como foi nessa apresentação, é capaz de mostrar uma baita originalidade mesmo diante de um clássico dos anos 1990. Fiquei muito feliz por vê-la escolher Shakira e ajudar a coach a vencer seu segundo 4-chair na vida (mas um 4-chair para um cantor não latino ainda se faz necessário se Shaki quiser ser respeitada como coach). Caso a participante consiga conquistar um pouco de empatia do público, essa será uma parceria que certamente renderá muitos frutos.

Emily B. – Wicked Game (Chris Isaak)

Uau, essa, sim, foi uma vitória feliz e inesperada para o Team Shakira! Jennifer Lopez andou usando a expressão “quiet storm” (uma “tempestade silenciosa” seria a melhor tradução) para definir uma participante do American Idol este ano, e foi exatamente isso que eu senti com Emily B., mesmo depois de vê-la acertando com louvores algumas grandes notas na segunda metade da apresentação. Isso porque algumas das mudanças melódicas e vocais que Emily introduziu à canção de Chris Isaak me deixaram com uma sensação de paz de espírito imensa, independentemente do volume e do tom das notas alcançadas. Emily foi uma baita surpresa pra mim e me deixou realmente feliz e ansioso pelas próximas etapas.

Ddendyl – Stand By Me (Ben E. King)

Impossível entender como essa linda só conseguiu uma cadeira virada! O timbre de Ddendyl é completamente único e algo jamais visto num reality musical! E, mesmo com toda a pressão que envolvia o fato de os coaches não virarem as cadeiras, a cantora manteve a calma, domou totalmente uma música gigantesca como essa ao longo de toda a apresentação e ainda entregou uma performance cheia de envolvimento e conexão com a mensagem propagada. Nunca vou entender os critérios dos coaches, mas quem ganha com isso é só nossa querida Shakira, que conseguiu uma adição realmente poderosa em seu time.

No rol dos cantores com potencial, roqueiro Jeremy Briggs é um investimento que faço menos no candidato e mais na coach escolhida por ele. Sua performance de “Bad Company” (Bad Company), mesmo com uma escolha musical interessante, deixou a desejar em energia e carisma para alguém que parece ter a pretensão de embarcar no rock clássico. Mas é necessário dizer que a voz estava lá, e de sobra. Shakira resumiu bem a apresentação ao dizer que Jeremy é um cantor que esbanja tanto potência vocal como controle. Tecnicamente perfeito, o cantor entregou o tipo da performance que, apesar de não ter apelo visual, me faria ouvir até o fim numa rádio, por exemplo. Fico levemente chateado quando vejo Shakira precisando explicar para os americanos que suas raízes estão no rock enquanto nós, latinos, sabemos bem que ela é de fato a pessoa mais roqueira que já ocupou uma cadeira vermelha nos EUA. Felizmente, Jeremy acreditou no potencial de Shak, e acredito que essa dupla possa render bastante de agora em diante.

Outra do Team Shakira que tem potencial de crescimento é Deja Hall, que escolheu uma música consagrada por Michelle Chamuel no universo do The Voice, “True Colors” (Cyndi Lauper), mas conseguiu executá-la com uma doçura adequadíssima para o seu timbre delicado. Pode não ter sido a melhor execução em termos de acertar notas, mas não acho que isso seja o mais importante aqui. Vejo em Deja uma espécie de serenidade carismática que pode transformá-la em uma ameaça real em uma competição como essa, e espero que Shak faça um bom uso desse potencial.

Encerrando as blinds do Team Shakira, Lindsay Bruce foi uma adição country interessante para a nossa coach colombiana, com uma performance de “Even If It Breaks Your Heart” (Eli Young Band) que mostrou bem o que Shakira também conseguiu observar: a similaridade entre os rápidos e competentes vibratos da candidata e de sua coach. Porém, Lindsay não chegou a conseguir entregar nenhum grande momento que impressionasse de verdade e, embora tenha feito uma blind decente, por enquanto fica apenas na promessa.

Apesar do sobrenome, Kristen Merlin não fez nenhuma mágica no palco do The Voice durante sua bilnd, sendo a primeira que incluo no grupo dos futuros cordeirinhos de sacrifício. A não ser que possamos considerar mágico o fato de vermos uma cantora assumidamente lésbica com um quê de roqueira em horário nobre americano cantando country com uma voz quase IDÊNTICA à de sua coach Shakira – e eu tendo a achar que isso lá tem o seu valor, porque simpatizei demais com a moça, apesar da falta de sabor de sua performance de “Something More” (Sugarland).

Deshawn Washington inaugurou nesta temporada a já tradicional lista de artistas que só vão parar no Team Shakira por falta de opção, com a cantora sendo a única a virar. Cantando “Twistin’ The Night Away” (Sam Cooke), o representante da soul music mostrou seu estilo vintage (também conhecido como “datado”) com alguma competência, mas não vejo nele a menor chance de ir longe na competição.

Cierra Mickens é uma cantora que até pode ser carregada por Shakira por uma boa distância, e dificilmente será possível dizer que não é merecido. Seu trabalho com “Crazy” (Gnarls Barkley) foi bastante competente, com direito a improvisações interessantíssimas e aparentemente bastante difíceis de executar. Diante dessa prova de competência, até entendo o investimento de Shakira na cantora, mas acho que ela gastou esse cartucho na pessoa errada. Esse tipo de diva só chega ao topo da preferência do público de um reality musical se for extremamente  competente, extremamente criativa e extremamente carismática, tudo ao mesmo tempo, e não vejo em Cierra as qualidades necessárias. Mas Shakira já conseguiu, com seu carisma, carregar até o Top 5 uma diva que inicialmente parecia ser muito menos do que acabou sendo no programa, então não podermos subestimá-la.

Beijos, Lindsey Pagano, Dani Moz e Music Box (quem em sã consciência adota o nome de “Music Box”???)! Até um outro reality qualquer!

2º) TEAM USHER

Mesmo tendo formado um time com ainda menos destaques do que Blake e Shakira, Usher venceu um 4-chair importantíssimo para a sexta temporada do The Voice e para o legado de seu time, e acabou arrematando minha favorita absoluta da temporada até agora! E, considerando esse fato e a leva razoável de cantores com potencial que Usher conseguiu atrair para sua equipe, não vejo como não posicioná-lo em segundo neste ranking.

Destaque:

Bria Kelly – Steamroller Blues (James Taylor)

http://www.youtube.com/watch?v=OJNO3vkhEGQ

WHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEYAAAYAYAYAYAYAAAAAAYAYYYA!!!!!! Costumo me irritar com coaches se virando loucamente depois da primeira coisa que ouvem, mas como culpar Adam e Blake por terem feito isso diante de uma glory note inicial absurdamente gigantesca como essa, que praticamente me fez ir ao céu e voltar? Aliás, importante dizer que, diante da intensidade, da autenticidade, da maturidade, da verdade com que essa powerhouse de 17 anos interpretou essa interessantíssima obra do blues, já estou DESESPERADO por um CD inteiro de Bria Kelly só dentro desse estilo musical! TEAM USHER FOR THE WIN!!!!! E, com um pouco de sorte, um dueto com sapatos dourados feitos de Grammy já está sendo encomendado para a final da temporada. Fica a dica, Mark Burnett!

Compondo o grupo de potenciais talentos do Team Usher estão três jovens com perfil bastante parecido, mas vozes bem distintas. Morgan Wallen cantou “Collide” (Howie Day) e mostrou uma deliciosa combinação de voz áspera com um vibrato poderosíssimo. A meu ver, Morgan entra no rol dos cantores que têm um timbre tão único e interessante que podem acabar se transformando em destaques, mas ele vai precisar bastante da ajuda do coach para identificar seus pontos fortes, trabalhar o carisma e corrigir alguns problemas de afinação, e eu acho que Usher tem condições de transformá-lo em uma ameaça real ao longo da competição.

Isso, claro, se ele não cruzar o caminho de Stevie Jo, que cantou “There Goes My Baby” (Usher), deixando claras suas intenções em relação ao coach que desejava. Stevie é quase o oposto de Morgan: apesar de ser dono de um timbre relativamente comum, sabe explorar todos os seus pontos fortes e transformar suas apresentações em algo realmente merecedor da nossa apreciação. Usher se posicionou perfeitamente em seu feedback: é realmente incrível a maneira como Stevie é capaz de manobrar sua voz ao longo de cada frase, mostrando inúmeras camadas e nuances do seu dom e enchendo a apresentação de carisma no processo.

Além dele, Usher também trouxe Jake Barker para seu time. Houve um certo excesso de melismas na sua apresentação de “When I Was Your Man” (Bruno Mars), mas o fato de ele nunca ter pisado em um palco antes me influenciou a achar a performance consideravelmente impressionante. Acredito que esses três cantores disputarão uma mesma vaga nos shows ao vivo, e eu ainda não consegui decidir se quero ver Morgan ou Stevie vencendo essa guerra. No atual status do Team Usher, Jake é quem tem menos chance de ir longe entre os três, mas não deve ser subestimado.

Entre os que dificilmente chegam longe estão o pastor quarentão Biff Gore e sua performance manjadíssima de “A Change Is Gonna Come” (Sam Cooke) e o insosso TJ Wilkins, que cantou “Bennie and The Jets” (Elton John) e só conseguiu me deixar morto de saudades de Haley Reinhart. Ambos decidiram abaixar a média de qualidade do Team Usher durante as batalhas.

Fiz todo o esforço do mundo para gostar da “Titanium” (David Guetta) de Madilyn Paige, mas achei a menina extremamente inexperiente no palco e incapaz de entregar personalidade a uma canção.

A mexicana Melissa Jiménez já começou tentando causar impacto a capela, o que certamente não gerou o efeito que ela esperava – provavelmente a moça não assistiu a uma das melhores batalhas da história do programa, quando Jesse Campbell e Anthony Evans destruíram completamente nossas estruturas e quebraram tudo cantando a mesma “If I Ain’t Got You” (Alicia Keys). Não dá nem pra comparar com essa blind meia boca. Ao longo da performance, tudo foi piorando e eu fiquei com a nítida sensação de que Usher e Shakira viraram quase como quem está brincando um com o outro e não por interesse real na cantora, o tipo de atitude que me incomoda profundamente no The Voice. De qualquer forma, a disputa entre os dois foi divertidíssima, e fiquei realmente chocado com a latina preterindo Shakira e escolhendo fazer parte do Team Usher.

Os gêmeos Brothers Walker têm um bom som e cantaram “Keep Me In Mind” (Zac Brown Band) com bastante entrosamento. Tenho um certo trauma de gêmeos porque nenhuma trajetória desse tipo de act em um reality musical chegou aos Live Shows, e praticamente todas partem o nosso coração no processo. E, levando em conta que a performance dos rapazes nem foi tão boa assim, fica complicado depositar alguma esperança, por mais que não esteja tão difícil assim se destacar Team Usher.

Por fim, Brittnee Camelle encerra o Team Usher com chave de taquara e entrega uma apresentação de “Skyscraper” (Demi Lovato) que fez com que a blind de Briana Cuoco mereça um sem número de Grammys! As notas mais baixas foram terrivelmente estáveis, as mais altas um desastre completo, e a pronúncia e enunciação ao longo de absolutamente toda a apresentação foi extremamente afetada e irritante. PELAMORDEDEUS, USHER, LIVRE-SE DESSA MULHER NAS BATALHAS!

Tanner James e Tess Boyer, boa sorte no próximo reality! E é uma pena, porque eu fiquei curioso para ouvir um pouco mais de Tanner.

1º) TEAM ADAM

AGORA a coisa ficou séria! Famoso desde a primeira temporada por abocanhar a maioria dos 4-chairs e muitos dos 3-chairs, Adam Levine continua na mais plena forma mesmo seis temporadas depois. Não sei que mel é esse que o vocalista do Maroon 5 tem, mas o fato é que, independentemente de etnia, credo, estilo musical ou orientação sexual, a maior parte dos cantores tendem a ir com Adam quando essa opção lhes é apresentada, e eu fico impressionado como o coach SEMPRE sai com o time vitorioso depois das blinds. Boa parte dos maiores destaques e talentos desta primeira etapa da temporada estão aqui e, levando em conta que sua questionável habilidade como coach ganhou um considerável aprimoramento ao longo da temporada passada com Tessanne Chin, é absolutamente impossível, nesta altura do jogo, não acreditar que a chance de tricampeonato de Adam Levine seja gigantesca. Em tempo: quando essas blinds foram gravadas, Adam ainda nem tinha vencido a quinta temporada do programa. Imagina na Copa.

Christina Grimmie – Wrecking Ball (Miley Cyrus)

http://www.youtube.com/watch?v=WWrRa7d95NE

Já vou começar no Team Adam polemizando: achei Christina Grimmie EXTREMAMENTE superestimada pela internet afora. A cantora tem um dos timbres mais comuns e sem diferencial que passaram pelas blinds desta temporada e não tem nenhum tipo de carisma que a torne atraente enquanto entrega a performance. Entretanto, há de se reconhecer as gigantescas ousadias vocais que ela começa a executar da metade para o final da apresentação do hit de Miley. Tanto o belíssimo falsete como as poderosas big notes que Christina cantou foram muito, mas muito surpreendentes e interessantes de acompanhar. Acho muito difícil que a cantora fique fora do Top 12 e já estou ansioso para ver o que ela é capaz de fazer até lá, especialmente com canções que ela já não esteja careca de interpretar em seus vídeos no YouTube. Quero ver uma Christina menos ensaiadinha, mais espontânea e disposta a correr riscos. Minha principal ressalva em relação à cantora é o fato de ela já ter uma base de fãs gigantesca mesmo antes de entrar no programa. Espero que ela não se torne uma nova Cassadee Pope ou uma nova Danielle Bradberry, com passes livres para embarcar em performances desastrosas ou sem crescimento algum ao longo da temporada em razão da permanente ausência de uma ameaça de eliminação.

Dawn & Hawkes – I´ve Just Seen a Face (The Beatles)

Alex & Sierra no The Voice, como não amar? Absolutamente incrível a complexa sutileza com a qual o casal abordou essa gigantesca obra dos Beatles, suas vozes se misturando deliciosamente na harmonia mais perfeita e bem executada que o The Voice já viu. A meu ver, Dawn & Hawkes já são destaques da sexta temporada do The Voice, e espero que Adam Levine não os trate com o mesmo descaso com o qual tratou sua outra dupla, os interessantíssimos Midas Whale. E, se por um lado pode parecer repetitivo ter um act como esse depois da vitória de Alex & Sierra no X Factor, é curioso imaginar se isso realmente atrapalha ou se os últimos campeões do finado reality da Fox poderão abrir portas para esse tipo de artista em realities musicais. Ainda assim, Dawn (que eu odeio um pouquinho por ter sido a clara responsável pela decisão do casal de escolher Adam em vez de Shakira! Sério, não acredito que ela caiu nessa baboseira de “Foi a melhor performance DA HISTÓRIA DO THE VOICE!”) tem uma árdua tarefa pela frente: tentar superar – ou sequer igualar – o carisma infinito e os vocais maravilhosos de Sierra nos corações dos amantes de reality shows musicais.

Kat Perkins – Gold Dust Woman (Fleetwood Mac)

http://www.youtube.com/watch?v=WcIOxdoyU90

Ela pode não ter sido um destaque tão absoluto quanto o restante dos membros deste grupo que prestigiei no Team Adam, mas, em termos de escolha musical, Kat Perkins foi a grande campeã das blinds desta temporada. Com um currículo impressionante, a atualmente babá já migrou do country para o rock em sua carreira profissional, e, além de ter mostrado um baita bom gosto com a canção escolhida, pôde expor perfeitamente bem suas maiores forças em uma performance country rock que esbanjou afinação perfeita, um vibrato extremamente bem controlado e big notes executadas sem falhas, para ninguém botar defeito. Foi bastante curioso o fato de Blake ter sido o único a não apertar o botão, mas quem perde é ele e quem ganha somos nós, já que o coach tende a se livrar de quem não canta country “de raiz” até os Knockouts (sim, nunca superarei Grace Askew, sinto muito).

Josh Kaufman – One More Try (George Michael)

http://www.youtube.com/watch?v=OZeSrRGAA4s

Uma escolha musical emblemática para um cantor simplesmente excepcional cujos 38 anos o fazem sentir que o tempo está acabando para ele. A clássica balada de George Michael não só foi uma escolha perfeita como também permitiu que ele buscasse momentos poderosíssimos – e os acertasse em absolutamente todas as ousadas tentativas! A única coisa mais evidente e mais possível de ser sentida que sua potência vocal mesmo a anos-luz de distância foi sua paixão, sua conexão com o que estava cantando. Sem dúvida, uma das blinds mais memoráveis da temporada, e espero que Adam valorize o que tem em mãos e não o dispense pensando apenas em ficar com os artistas mais jovenzinhos e comerciais.

Vamos começar com pessoas que, apesar de não terem feito nenhum primor de blind, têm potencial para ganhar importância? Então vamos! Começando por nosso caríssimo retornante Delvin Choice (como esquecer aquele cabelo do funcionário do Starbucks que foi reprovado na quinta temporada?), que fez uma apresentação consideravelmente exagerada de uma daquelas músicas que por si já cansam um pouco por ter sido interpretada demais em realities, “A Song For You” (Donny Hathaway). No maior estilo do programa de Silvio Santos, Adam, Blake e Shakira só precisaram de UMA NOTA para virarem todos de uma vez na blind mais superestimada da temporada – nesse sentido, respeito muito Usher por ter realmente analisado a performance antes de transformar Delvin em um 4-chair. Ok, Delvin fez um belo trabalho vocal, mas vai precisar mostrar muito mais do que isso se quiser de fato crescer na competição e ser digno de uma vaga no Top 12. Ao menos essa blind nos deu alguns dos melhores momentos dos coaches, Adam Levine jurando solenemente imitando Shakira e o quote “My Hips Don´t Lie, the rest of me doesn´t lie either!”. Mais uma vez, achei que Usher mandou muito bem ao mostrar que só ele sabia o intérprete original da canção escolhida, mas o cantor R&B tinha uma temporada de desvantagem em relação a Adam, que acabou sendo escolhido pelo feedback que havia dado na season passada.

Cary Lane, o pimp spot da primeira semana, poderia ser incluída nos destaques da competição menos por ser vocalmente competente e mais pelo extremo carisma e entrega de sua interpretação de “Better Dig Two” (The Band Perry), mas precisei “rebaixá-la” para o grupo dos que apenas têm potencial pelo nível de estupidez de sua escolha de coach. Como é possível que, depois de seis temporadas, ainda apareça uma cantora country que não tenha parado para analisar o que significa ter Blake Shelton como padrinho em Nashville? Se até uma RaeLynn conseguiu ter uma carreira minimamente respeitável no nicho do country na cidade depois de ter sido apadrinhada por ele, imaginem alguém que sabe cantar? E pior: como é possível que, a esta altura do campeonato, alguém não saiba o que acontece com a maioria dos bons cantores que escolhem Adam Levine? Alguma alma caridosa topa pagar umas aulinhas de estatística básica para Cary?

Patrick Thomson mostrou que tem uma boa voz ao cantar “Can’t You See” (The Marshall Tucker Band), mas sinto que falta uma definição maior de estilo, característica que em realities atuais é praticamente pré-requisito para uma trajetória bem sucedida, por isso não vejo um grande futuro pra ele na competição – principalmente no poderosíssimo Team Adam.

A babá Sam Behymer cantou “Royals” (Lorde) e tem um timbre até interessante. Mas não podemos nos deixar enganar quando percebemos a altíssima incidência de gritinhos, gemidos e grunhidos, uma claríssima tentativa de disfarçar notas não alcançadas (Erin Martin já enganou muita gente com isso, então já estamos vacinados). Assim, ficou claro que Sam não é e nem nunca será uma Caroline Pennel, e será facilmente esmagada pelos talentos mais legítimos do Team Adam.

Caleb Elder, por sua vez, arriscou alguns passinhos de dança e conseguiu ser um dos raríssimos cantores que conseguem fazer uma blind bem sucedida mesmo investindo em coreografia (aliás, o sem número de gente que insiste que dançar é uma boa ideia em uma blind audition e é desclassificada é de deixar qualquer um com vontade de tacar um tijolo na TV pra ver se acerta a cabeça da pessoa e faz o cérebro pegar no tranco!). A escolha de “Groove Me” (King Floyd) até combinou com a intenção do cantor, mas não acho que tenha funcionado e duvido muito que Adam o manterá no jogo depois das batalhas. Vejo-o apenas como um ótimo candidato para servir de escada para Delvin Choice.

E também temos Joshua Howard, Josh Murley e Austin Ellis, mas todos nós já sabemos o que vai acontecer com eles. Bye-bye!

No fim das contas, as blinds da sexta temporada do The Voice foram um pouco mornas, especialmente na segunda semana de programa. Acho que a NBC não facilita o nosso trabalho de sentir saudades do show com tantas temporadas sendo bombardeadas em nossa watchlist, e aqui, nas blinds, é onde esse erro é mais sentido. Mas vale lembrar que as blinds mais mornas da história do The Voice foram as da quinta temporada, e elas resultaram na melhor temporada da história do programa. Então, não subestimemos a atual e sigamos de coração aberto para as batalhas (e torcendo para que Shaki e Usher consigam bons Steals do Team Adam!), agora, finalmente, com as reviews semanais com as quais nós já estamos acostumados! Obrigado pela leitura e pela compreensão, e até lá!

P.S. – Judith Hill está no interessantíssimo documentário “20 Feet From Stardom”, que retrata a vida e a carreira de backing vocals, e manda um beijinho no ombro para os 7 concorrentes que terminaram o The Voice mais bem colocados que ela, mas nunca apareceram na cerimônia do Oscar e nem estiveram em um filme premiado pela Academia. Passa longe, recalque!

P.S. – RIP #RedZone. Não consigo me conter de saudades.

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.