América? É você?
Inacreditável. É como eu definiria em uma palavra o resultado das semifinais da quinta temporada do The Voice após as apresentações do nosso Top 5, que, após a precoce eliminação de Matthew Schuler, mostrou claramente nas performances de segunda-feira quem eram os três participantes que mereciam seguir para a finalíssima.
A questão é que eu nunca imaginei que os votos dos americanos fossem seguir qualquer tipo de meritocracia, visto que artistas como Tony Lucca, Trevin Hunte, Melanie Martinez, Holly Tucker e os Swon Brothers driblaram um sem número de artistas muito superiores a eles e fizeram hora extra na competição por motivos que jamais seremos capazes de compreender.
Entrei nessa final com a certeza absoluta de que Cole Vosbury e Will Champlin estariam classificados, enquanto Tessanne Chin e Jacquie Lee disputariam a vaga restante. E nada disso importava, porque Blake Shelton certamente seguiria firme e forte rumo ao tetra e venceria o programa pela quarta vez consecutiva. Mas acontece que, por algum fenômeno que eu não conseguiria explicar de outra maneira se não intervenção divina, não foi exatamente assim que tocou a banda, ou melhor, não foi exatamente assim que votou essa América completamente nova e estranha pra mim. Teriam alienígenas finalmente dominado os americanos e lhes feito algum tipo de lavagem cerebral?
Não sei, mas o fato é que, antes de falar sobre resultados, três cantores específicos desse Top 5 fizeram algo muito parecido com uma lavagem cerebral em minha pessoa, me deixando completamente imerso em suas performances, imensamente feliz por vê-los chegando aonde chegaram na competição e torcendo demais para que eles fossem ainda mais longe! Curiosamente, em uma semana tão decisiva para o programa, a NBC decidiu cortar uma hora de exibição e fazer com que o Top 5 cantasse apenas uma música. não duas, na segunda-feira. Mark Burnett, que não é nada bobo, sabe da importância de promover seu novo reality, o ressuscitado das cinzas The Sing-Off, que vai ao ar depois do The Voice e teve um episódio de duas horas em sua estreia. Esse cara não descansa!
Vamos, portanto, à performance única de cada candidato do Top 5, com direito a comentários um pouco mais extensos do que o normal, já que estamos com espaço sobrando na review, mesmo. Apertem os cintos (será uma viagem curta, mas intensa!) e venham comigo!
5) James Wolpert – With or Without You (U2)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #14
Em primeiro lugar, por menos que eu goste de James neste momento da competição, acho uma baita injustiça colocar a pessoa salva na semana anterior justamente no death spot. Sabotagem define. Seja por isso, seja pelo bottom 2 da semana anterior, seja pelo motivo que for, o fato é que James entrou bastante derrotado nessa performance, e acabou entregando uma interpretação extremamente automatizada, muito distante da intensidade que a letra dessa música exige. A voz certamente estava lá (com exceção, talvez, daquele início mais baixo da música, onde tive a impressão de ter ouvido leves problemas de afinação, mas nada realmente problemático), mas faltou de fato sentir e nos permitir sentir a canção da forma como ela merece, com a alma que Bono nos entrega. Observação: é preciso amar muito Christina pra dar conta dessas crises de ego da cantora, mesmo. Poxa vida, mulher, precisava ter usado seu tempo de feedback pra reclamar por não ter tido seu pedido de performance dos coaches de “With or Without You” atendido??? Será que seu 100% constante último lugar como coach no resultado final das temporadas anteriores não te ensinou nada??? Pense no mal que pode fazer à Jacquie antes de ser tão egocêntrica, caramba!
4) Cole Vosbury – Shameless (Garth Brooks)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #12
Genial ver Blake, Cole e Cee Lo conversando no barbeiro, e eu até gostei dessa ideia de coaching compartilhado, já que se não fosse por Cee Lo, Cole não teria sequer passado das blinds. Mas meu desânimo foi completo ao ver que Blake deu mais country para Cole cantar. Definitivamente, Blake precisa de férias, precisa dar uma reinventada em seus métodos totalmente dentro da caixa e sem originalidade (“Adorn” à parte). Isso porque, mais uma vez, o maior problema da performance de Cole foi o fato de ela ter sido completamente esquecível. Minto, porque não consegui me esquecer do sem número de notas erradas que surpreendentemente Cole atingiu, com ênfase no último “I just wanted you to know” antes do fim da canção, verso que terminou com um dos melismas mais desastrosos que já vi nesse programa.
3) Will Champlin – Carry On (fun.)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #10
Visualmente falando, Will nunca se apresentou tão bem antes. Perdeu os óculos (que às vezes me passavam a impressão de que Will se escondia atrás de alguma coisa), vestiu-se absurdamente bem, e, principalmente, se permitiu uma abertura para o público que jamais havia permitido antes. Bem antes de os coaches destacarem a importância do sorriso inédito de Will, era possível perceber como o cantor estava diferente, à vontade, exalando verdade naquele palco. Pela primeira vez, consegui não apenas ouvir a voz de Will, mas também ser impactado por seu sentimento, e isso fez toda a diferença nessa performance. Tanta diferença que sou facilmente capaz de relevar seu momento ruim, com erros consideráveis nos dois últimos versos do trecho “We are who we are / on our darkest day / when we’re miles away / So we’ll come / we will find our way home”. Will saiu do tom, se enrolou na letra e finalizou com uma supernota que foi completamente incapaz de executar. E só não está acima da terceira posição aqui em razão disso, mas não posso mentir: esse Will confiante e solto me encheu de alegria, até mais do que as performances superiores que ele já apresentou anteriormente na competição.
2) Jacquie Lee – Angel (Sarah McLachlan)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #7
Ok, em primeiro lugar, é importante dizer que achei levemente desconfortável a escolha de uma música com o conteúdo de “Angel” para uma menina como Jacquie. E, ainda assim, sinto que a cantora conseguiu captar perfeitamente a essência de uma alma torturada começando a sentir a paz após sua última overdose. Jacquie parece ter entendido a música muito melhor do que a própria Christina, e provavelmente foi daí que veio a surpresa da coach com uma performance tão dinâmica e tão complexa, tão repleta de sentimentos diferentes. O início, pacífico e relaxado, vai aos poucos dando lugar à explosão de intensidade que Jacquie usa depois da metade da apresentação, quando o tom da música sobe. Gostei muito do fato de que Jacquie ousou, criou sua própria versão e se diferenciou bastante da original nessa segunda metade, entregando uma interpretação muito mais cheia de camadas até do que a própria Sarah McLachlan. Fiquei completamente extasiado com essa apresentação, e desde “I Put a Spell On You” a cantora não conseguia me deixar tão sem fôlego depois de terminar. E, apesar de parecer um pouco perdida em relação ao significado da música, Christina mostrou novamente ser uma baita de uma coach ao decidir acompanhar Jacquie na sessão de estúdio e fazer questão de nos mostrar esse processo, ressaltando “as diferenças entre uma gravação de estúdio e uma performance ao vivo” como quem nos diz “compre a música no iTunes e confira essa versão diferente que fizemos”! É de tirar o chapéu essa estratégia!
1) Tessanne Chin – Bridge Over Troubled Water (Simon & Garfunkel)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #1
QUINZE SEGUNDOS!!! Esse foi o tempo de duração daquela última nota incrível e maravilinda que Tessanne executou. Que técnica essa mulher tem!!! Pensando em sua extensão vocal, é interessante como ela decidiu não segurar uma nota muito alta justamente para poder nos impressionar com esse tempo, parâmetro que certamente seria favorecido quando ela opta por manter-se em uma zona intermediária da escala de seus vocais. E bem ao final, quando parece que vai acabar, Tessanne insere um vibrato para aguentar por mais alguns segundos e nos entrega um dos resultados mais incríveis da temporada. Ok, o restante da canção foi absolutamente incrível tecnicamente, mas eu não estava realmente boquiaberto até que surgisse esse final. Ainda assim, nada durante a já forte noite de semifinais me embasbacou tanto quanto esse fenômeno na apresentação de Tessanne, o que dá à jamaicana o direito ao topo da minha lista, superando alguém que, a meu ver, seria insuperável, nossa Jacquie Lee. E, mais importante: aqui, Tessanne consagra a total e completa recuperação do favoritismo que teve nos primeiros momentos da competição e que havia perdido posteriormente, tornando-se o nome mais viável para vencer o programa quando analisamos as performances dessa semifinal. Em tempo: aparentemente, houve uma morte na família de Tessanne dias antes do ensaio, e essa é a dificuldade que ela enfrenta e que foi cortada pela edição – algo que só me deixa mais orgulhoso do The Voice por ver o programa evitando criar histórias tristes desnecessárias a esta altura da competição.
E assim, encerramos nosso Top 5, e devo dizer que fiquei muito feliz ao ver que a classificação do iTunes fez justiça perfeita à qualidade das performances da semana. E mais feliz ainda ao ver que meus três favoritos foram os únicos a receberem o bônus do iTunes, que multiplicou seus downloads por 5 na hora de convertê-los em votos. Meu sonho nesta semana era ver Cole escorregando e ficando de fora da final por um milagre, para dar lugar aos três que, a meu ver, mereciam mais. Mas eu jamais acreditava que essa realidade seria possível. A noite de performances acendeu minha esperança.
RESULTS SHOW
O results show desta semana mais parecia uma resposta bastante agressiva à insinuação de quem diz que o The Voice não é capaz de lançar talentos que se sobressaiam no mercado. Tivemos performances dos três finalistas da temporada passada. Os Swon Brothers, terceiros colocados, e Danielle Bradberry, a vencedora, têm novos álbuns saindo do forno, enquanto a excelente vice-campeã Michelle Chamuel lançou por contra própria o ótimo single “Go Down Singing” e não conseguiu contrato com uma gravadora, por enquanto, coitada. É bacana ver o The Voice a apoiando mesmo assim, além de levar Chris Mann e Jamar Rogers, da segunda temporada (esses, sim, com contrato firme e forte com gravadoras) e ainda citar Nicholas David, Terry McDermott, Holly Tucker, Katrina Parker e Trevin Hunte, todos com trabalhos recém-lançados no mercado (faltou falar do Cody Belew, hein, Carson??? =P ).
Mas nada foi mais emblemático do que ver Carson e Blake Shelton entregando pessoalmente a Cassadee Pope seu primeiro disco de ouro, pelas 500 mil cópias vendidas do single “Wasting All These Tears”, primeira música de trabalho da cantora após o The Voice. Se, por um lado, pareceu desespero, por outro é muito legal ver o The Voice tão empenhado em apoiar seus antigos artistas. É claro que o interesse do programa é na própria imagem, e não neles, mas não há como desatrelar uma coisa da outra, e, se isso significa fazer propaganda de artistas de qualidade, então aprovo totalmente.
Mas vamos ao que interessa: os resultados. Sem enrolação, tivemos, nessa ordem a revelação dos finalistas: Tessanne Chin, Jacquie Lee e Will Champlin!!!! Vocês sabem o que isso significa, amigos? Que teremos apenas A MELHOR FINAL DA HISTÓRIA DO THE VOICE!!! Vejam bem, nunca tivemos uma final em que 1) o resultado não fosse previsível 2) não houvesse nenhum artista que pensássemos “esse não mereceu chegar tão longe!”. Essa é a primeira vez que temos três finalistas cujas trajetórias fazem jus às vagas conquistadas na final, e, como se não bastasse, temos uma final em que qualquer um pode sair vencedor, ao contrário de todas as quatro temporadas anteriores, que tinham vencedores óbvios desde muito cedo. E o melhor: mesmo depois de definir uma torcida, não podemos realmente ficar tristes com nenhum resultado. Todos os três são excelentes e merecem essa vitória. A esta altura, é tudo uma questão de gosto, popularidade e, claro, da capacidade de nos impressionar nas performances da última semana. Assim, ranquearei os três finalistas de acordo com a minha torcida, e aproveitarei para falar brevemente sobre cada um deles:
3. Will Champlin
Por que #3: Will foi o menos consistente dos três finalistas, entregando várias performances apenas boas ou medianas nos três primeiros shows ao vivo e tendo conseguido se recuperar apenas a partir do Top 8. Além disso, é o que tem mais a aprender em termos de presença de palco, apesar de ter atingido a excelência nesse aspecto na última performance.
Prós: É o underdog da competição, tendo sido jogado de um time para outro constantemente e ainda por cima precisado ser salvo por Adam Levine no Top 20. Parece aqueles filhos adotivos que família nenhuma quer, e é muito claro que a imagem de Will é essa quando seus fãs protestam contra uma suposta negligência de Adam Levine em relação a ele. E quem de nós não ama um underdog? A verdade é que Adam tem escolhido excelentes músicas para Will e tratado muito bem o cantor – principalmente nas últimas três semanas –, mas sua clara preferência por James irritou profundamente os fãs do finalista. Além da simpatia do público, Will é claramente o cantor mais versátil da competição, tendo uma coleção de performances bastante abrangente em termos de estilo. Pode se beneficiar de uma possível divisão de votos entre as duas candidatas restantes, que são relativamente semelhantes vocalmente, no sentido de serem powerhouses. É bastante ativo em redes sociais e acabou ganhando uma boa fanbase na internet. Por fim, é o único homem, e sabemos o poder que o sexo masculino tem automaticamente em competições musicais, cujos votos são de maioria feminina.
Contras: Sua personalidade às vezes é charme, às vezes o faz parecer perdido demais no palco e incapaz de se conectar com o público. É casado, o que reduz levemente do seu apelo com as menininhas. Nessa final, está na sombra de Tessanne, que se destacou muito mais como vocalista e está no mesmo time que Will, podendo atrair mais votos que ele de torcedores de Adam Levine.
2. Tessanne Chin
Por que #2: É uma cantora incrível e uma artista completa, mas nunca chegou de fato a me emocionar ou a me deixar completamente sem palavras depois de uma performance. Além disso, não tenho muita certeza sobre que tipo de música ela irá lançar depois do The Voice.
Prós: É sem dúvida a melhor vocalista da competição, sendo digna de Grammys só pelo trabalho que entregou no The Voice até aqui. Também passa uma imagem de pessoa extremamente boa, adorável e humilde. Entre os artistas ainda no páreo, é a única que consta com um #1 no iTunes, o que pode significar que ela já sairá na frente pela regra de acúmulo de downloads convertidos em votos. Encontrou no reggae sua força e identidade, mas é capaz de cantar absolutamente qualquer coisa que lhe é entregue. E certamente tem algo a mais que atraiu o público, já que sua antecessora, Judith Hill, a cantora com perfil mais próximo de Tessanne que já passou pelo The Voice, foi eliminada no Top 8, mas Tessanne chegou aonde chegou.
Contras: Sua consistência e aura de artista pronta podem afastar espectadores que gostam de ver crescimento e amadurecimento em realities musicais. É frequentemente acusada de falta de carisma. Por fim, é jamaicana, o que certamente afasta votos de americanos mais conservadores que querem ver a bandeira dos EUA no alto do “pódio” do The Voice.
1. Jacquie Lee
Por que #1: “Stompa”, “Love Is Blindness”, “Who’s Loving You”, “Cry Baby”, “Angel” e, PRINCIPALMENTE, “I Put a Spell On You”.
Prós: Conseguiu impressionar os espectadores com muito mais frequência do que os demais finalistas, destacando-se em praticamente todas as semanas dos shows ao vivo (com exceção apenas do Top 10). É extremamente fofinha e adorável, mas quando abre a boca pra cantar, sai de baixo, porque ela vira um verdadeiro monstro vocal capaz de engolir toda a competição! Tem apenas 16 anos, o que significa que gera empatia em meninas da mesma idade e consegue driblar parcialmente a rejeição que competidoras do sexo feminino costumam gerar. Cresceu absurdamente ao longo da competição graças ao evidente bom trabalho de Christina Aguilera, que veio com fome de vitória nesta temporada e está sendo reconhecida por boa parte do público como o grande destaque entre os coaches. Por fim, tem um nível de conexão com sua coach que nenhum outro participante desta temporada conseguiu atingir, e isso é algo que o público costuma valorizar.
Contras: Muitos enxergam sua excelência e potência vocal como um problema, acreditando equivocadamente que Jacquie é unidimensional e só consegue gritar. Sua voz é considerada estridente por parte dos espectadores. Por fim, pertence ao Team Xtina, o que significa que já começou o programa com o ódio gratuito, automático e sem fundamento de uma parte considerável do público.
É isso, pessoal! E vocês? São #TeamAdam? #TeamXtina? #TeamTessanne? #TeamJacquie? #TeamWill? Mandem ver nos coments, e até a ÉPICA final <3 AdamTina <3 que todos esperávamos ansiosamente há anos e, mais importante, teremos a primeira final sem Blake da história do programa!!! Comemoremos!!! \o/ \o/ \o/














