I hate this country.

Spoilers Abaixo:

A polêmica frase do Adam Levine representa bem a indignação de muitos com as eliminações desta semana. Principalmente a indignação de quem não mora nos EUA. Por não podermos votar, ficamos de mãos atadas ao ver nossos favoritos indo embora.

Judith Hill não merecia sair. Ponto. Judith é uma artista rara, daquelas que aparecem poucas vezes nesse tipo de programa. Dificilmente vemos alguém chegar tão pronto numa competição como essa. Judith sabia como se vestir, como se portar no palco, e principalmente, como cantar.

E por que uma artista tão completa amargou um oitavo lugar?

O público do The Voice (assim como o do American Idol e X Factor) procura a história da pessoa comum que se transforma num artista. E não daquele que chega pronto. Judith já chegou com cara e jeitão de superstar, e assim ficou difícil criar identificação com as pessoas que votam e querem se ver representadas nos participantes.

Não sei por quais perrengues a Judith estava passando na vida pessoal dela, mas pensando friamente na construção da sua carreira, considero um erro sua ida ao The Voice. O programa só desgastou sua imagem, e Judith é o tipo de artista que é muito maior que um show de calouros. Nas mãos de um bom produtor ela já estaria pronta para surgir no cenário musical.

Ah, também tivemos a eliminação da Sarah. Mas essa aí já estava merecendo sair mesmo. Ainda mais depois da performance dessa semana.

Então, sem mais delongas, vamos a uma análise de cada apresentação desse Top 8:

Judith Hill – #thatPower (will.i.am feat. Justin Bieber)

https://www.youtube.com/watch?v=Ja-FdJDIqsU

Essa performance podia estar tranquilamente num Grammy ou num VMA. E essa versão da música está pronta para as rádios. Judith tem o look, tem a voz… só faltou ter um público que votasse nela.

Holly Tucker – DONE. (The Band Perry)

https://www.youtube.com/watch?v=2sf-oh_O8hw

Holly é a concorrente que menos gosto desse Top 8, mas confesso que desta vez ela foi muito bem. Depois de fazer o público dormir durante semanas, finalmente ela veio com uma música mais animadinha. E funcionou, mesmo que não 100%. Tudo era ótimo enquanto a câmera estava fechada no rosto dela, mas ao abrir o plano, ficava evidente o seu desconforto ao demonstrar força e atitude. Nada que um bom treinamento e o tempo não resolvam.

The Swon Brothers – Seven Bridges Road (Steve Young)

https://www.youtube.com/watch?v=O6ALEBf6YOQ

Sei que muita gente vai discordar, mas preciso confessar que sou fã dos Swon Brothers. Desde o início.

Esta semana a harmonia estava melhor que nunca, e já considero Seven Bridges Road sua segunda melhor performance na competição (atrás apenas da imbatível Who’s Gonna Fill Their Shoes). É preciso reconhecer também o trabalho da equipe de cenografia, já que o cenário foi essencial para criar essa atmosfera intimista da apresentação.

Sasha Allen – Without You (David Guetta feat. Usher)

https://www.youtube.com/watch?v=2xRsX2wAWaU

Sasha Allen era uma grande promessa que se perde cada vez mais graças a escolhas equivocadas da Shakira. Se duas semanas atrás tivemos Alone para manchar sua trajetória, agora temos também Without You.

Seria melhor se tivessem escolhido a versão de Glee, que transformou a música inteira numa balada, assim seríamos poupados da vergonha que foi ver Sasha dançando.

Sarah Simmons – Somebody That I Used To Know (Gotye feat. Kimbra)

https://www.youtube.com/watch?v=XbzMuTNwfrc

Pensei que a apresentação da Sasha seria a pior da noite, mas aí entrou Sarah para provar que eu estava errado. Ela conseguiu transformar um dos hits do ano em algo completamente esquecível.

Engraçado como a letra da música se aplica bem ao que sinto em relação à Sarah. Já gostei muito dela, mas depois deixei de me importar, e agora ela é apenas alguém que eu costumava conhecer.

Michelle Chamuel – Grenade (Bruno Mars)

https://www.youtube.com/watch?v=l15AuLfE6B0

Tenho um problema com a Michelle. Acho que ela funciona perfeitamente bem como um personagem de reality show (é impossível não se simpatizar por ela!), mas não consigo vê-la como uma artista na “vida real”.

Mesmo assim gostei de Grenade. Considero esta a sua melhor apresentação desde True Colors. Apesar do Usher tentar mantê-la o mais pop possível, eu gostaria de ver Michelle se aventurando em algumas músicas britânicas menos conhecidas. Acho que isso poderia se adequar melhor ao seu estilo.

Danielle Bradbery – Grandpa (Tell Me ‘Bout the Good Ol’ Days) [The Judds]

https://www.youtube.com/watch?v=PzInnBt4Bu0

Os cenógrafos do The Voice estavam mesmo inspirados! Assim como os irmãos Swon, Danielle também foi bastante beneficiada com o cenário construído. Não que ela precisasse disso para que a performance fosse boa, mas a casa e o banquinho de balanço ajudaram a contar a história da menina que pede ao avô que conte a ela sobre os bons e velhos dias.

Considero Danielle uma das melhores artistas country a aparecer num show de talentos desde Carrie Underwood. Se alguém dessa temporada tem chances de fazer sucesso após o programa, esse alguém é Danielle.

Amber Carrington – Skyfall (Adele)

https://www.youtube.com/watch?v=NpFMtu70API

Eu já desisti de tentar entender quem é Amber e como seria um álbum dela. Acho válido um artista se aventurar em vários estilos, desde que exista uma coerência. Por exemplo, David Cook (vencedor do American Idol) era David Cook cantando Aerosmith, Michael Jackson e até Mariah Carey.

Amber, pelo contrário, é uma pessoa diferente a cada semana. Uma hora ela é country, outra hora ela é pop. E mesmo dentro do pop, cada apresentação vai numa direção totalmente oposta.

Fica difícil torcer por alguém assim. Versatilidade é bom, mas ao tentar ser versátil, Amber acaba não construindo sua verdadeira identidade musical. Eu não me surpreenderia se semana que vem ela cantasse Gaiola das Popozudas.

Além das performances individuais, tivemos também apresentações em grupo dos participantes, que foram divididos em dois quartetos (cantores country pra um lado, o resto pro outro). Nada que valha destaque.

Com as eliminações dessa semana, fica claro qual estilo está dominando o The Voice. Por isso, fica aqui uma dica de como deve ser o álbum da Judith caso ela queira se dar bem na carreira.

Como o “I hate this country” do Adam Levine está causando a maior polêmica nos EUA, não duvido que Amber Carrington seja prejudicada na votação em protesto patriótico contra o seu mentor. Assim, é irônico e triste pensar que o vocalista do Maroon 5 começou com o time mais forte e deve ser o primeiro a perder todos os seus pupilos.

Mas essa polêmica toda também causou uma reação contrária. Se temos uma parcela de pessoas anti-Adam, também temos os anti-Blake, que cansaram da dominação country no programa. Quem se beneficia com isso é Michelle, que pode encontrar aí a brecha para vencer aquela que já parecia ter a vitória nas mãos: Danielle.

Ranking de apresentações do Top 8:

1º – #thatPower – Judith Hill
2º – Grandpa (Tell Me ‘Bout the Good Ol’ Days) – Danielle Bradbery
3º – Seven Bridges Road – The Swon Brothers
4º – Grenade – Michelle Chamuel
5º – DONE. – Holly Tucker
6º – Skyfall – Amber Carrington
7º – Without You – Sasha Allen
8º – Somebody That I Used To Know – Sarah Simmons

Ranking geral de preferência:

1º – Judith Hill (R.I.P.)
2º – Danielle Bradbery
3º – The Swon Brothers
4º – Michelle Chamuel
5º – Sasha Allen
6º – Amber Carrington
7º – Sarah Simmons (R.I.P.)
8º – Holly Tucker

PS. Foi um prazer escrever a review de The Voice essa semana. Espero que vocês também tenham gostado. Semana que vem o Luiz está de volta com suas análises e opiniões, que como vocês puderam perceber, são bem diferentes das minhas.

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