
American Idol feelings.
Spoilers Abaixo:
É engraçado como o mundo dá voltas, não? Quando tudo começou, o The Voice era uma clara alternativa a quem estava insatisfeito com o American Idol, como já comentei em uma review anterior. E ninguém escondia. O próprio Adam Levine costumava dar alfinetadas na concorrência e até chegou a dizer, em pleno ar, que os coaches precisam escolher os melhores em um rol de candidatos em que todos, sem exceção, poderiam facilmente vencer shows como o American Idol. Em termos técnicos, não tenho dúvida de que isso seja verdade, mas é claro que não é bem assim que a banda toca. Se há uma lição que o American Idol nos ensina – e algo que ele faz muito bem – é que é necessário que o público se apegue aos candidatos como pessoas, à sua trajetória no programa, para que eles tenham alguma chance no mercado quando tudo termina.
Mostrando que está fazendo o dever de casa, a produção do The Voice decidiu mostrar que também investe no lado pessoal dos candidatos e ofereceu a todos eles uma viagem para a terra natal, com direito a emocionados depoimentos da família, recepções pra lá de calorosas da população, clima de “celebridade por um dia” e shows bastante respeitáveis. Exatamente o que o American Idol faz com seu Top 3 há muitos e muitos anos! Mas ainda estamos falando do The Voice, e é claro que tudo isso é feito com muito mais bom gosto, sem a necessidade desesperada de transformar tudo num circo ou no maior evento que a população do planeta poderia testemunhar. É uma viagem para casa, bacana e bem feita, mas sem pretensões ou expectativas maiores do que o que de fato acontece. Isso, meus amigos, é um bom show de TV, um show que aprende e evolui seguindo exemplos de sucesso e ouvindo o público, mas recusa-se a perder sua identidade. Esse é o nosso The Voice!
É claro que nem tudo são flores e, no maior estilo X Factor, Carson anunciou que não teremos apenas 2 cantores na final da semana que vem, e sim 3. Encaro essa regra de última hora como uma clara jogada desesperada para tentar mascarar os sérios defeitos do novo formato (que extinguiu as cotas para times). Afinal, já está bastante claro que, se houvesse uma final dupla, ela seria disputada entre Cassadee e Terry, o que significaria automaticamente Team Blake campeão desde a semana anterior à final, e isso quebraria qualquer possibilidade de suspense (me incomoda um pouco pensar que toda a história de qual coach será campeão tem importância suficiente para fazê-los criar esse tipo de regra, mas tudo bem).
O problema é que, quando todas as suas regras de eliminação vêm desde o Top 12 caminhando juntinhas, semana a semana, com um reality falido que até agora teve como principal utilidade fazer Simon Cowell passar vergonha, algo está errado. O que eu acho é que, se eles decidiram usar esse novo formato de eliminações, que o abracem de verdade e façam uma final dupla, com todos os problemas que isso implica. Ou então realizem nosso sonho e eliminem um candidato, apenas, semanalmente, para que possamos aproveitá-los mais. Mas tudo bem, no fim a gente perdoa tudo em nome da imensa qualidade desse show.
O mais bacana é ver programa ainda fazendo questão de mostrar que, assim como o Idol, está lá para defender suas crias, e nos dando a presença de quatro dos membros do Top 12 da segunda temporada (sendo três deles finalistas que inexplicavelmente perderam para Jermaine Paul). Mas ainda teremos tempo para falar sobre isso. Vamos nos concentrar primeiro no que interessa, que são as performances da semana. Estranhamente, o show da semana só teve uma hora de duração e uma performance de cada candidato do Top 4, o que acaba facilitando um pouco meu trabalho. Vamos a eles:
4) Trevin Hunte – Wind Beneath My Wings (Bette Midler)
http://www.youtube.com/watch?v=4WZEaLuqxYs
OK, você sabe que Trevin Hunte está implorando pela própria eliminação quando ele canta uma balada chata e datada, fica parado no palco e ainda assim não consegue entregar bons vocais. Sem dúvida alguma, foi a pior performance vocal de Trevin na competição, e não estou excluindo “Scream” da lista, porque ali ao menos ele teve a desculpa de ter se movimentado. Não entendi o excesso de elogio dos coaches, principalmente de Christina, que fez um dos elogios máximos que poderia fazer no The Voice, que é dizer que o rapaz cantou a música melhor do que ela própria cantava. Depois de uma performance como essa em pleno death spot, chegou a vez de Trevin ir embora. E será mais do que merecido.
3) Nicholas David – You Are So Beautiful (Joe Cocker)
http://www.youtube.com/watch?v=e5Cjdb6lYK8
Ah, Nicholas… se o programa se chamasse “The Heart”, você já seria o vencedor com folga depois dessa apresentação. A performance vocal não foi a melhor que ele já entregou no programa, mas ainda assim foi excelente, principalmente levando em conta a imensa paixão com que o cantor interpretava a música, olhando diretamente para a família. Desculpem, mas vou fazer um comentário muito piegas agora, mas totalmente de coração: deu pra sentir a alma de Nicholas transbordando ao longo de cada verso, e foi uma performance extremamente emocionante – talvez a mais emocionante da temporada. É até difícil colocá-lo em terceiro depois disso, mas vocês vão entender minhas razões no futuro. O fato é que Nicholas foi incrível, eu fiquei completamente envolvido durante toda a canção, e frustrado quando ela acabou. Poderia ficar assistindo por muito mais tempo ainda. Observação fútil e aleatória: fiquei realmente surpreso ao ouvir Cee Lo fazer uma observação que foi totalmente ao encontro do que pensei ao ver o cantor no palco. Nicholas realmente estava um cara mais bonito do que de costume, e me peguei pensando quando foi que aquele ser bizarro e meio creepy das audições, o mesmo que me deixava agoniado nas batalhas e knockouts porque abria a boca e me fazia notar o bigode atravessando os dentes e estendendo-se até os lábios inferiores, ficou tão elegante.
Antes de continuar, já que até agora minha classificação está seguindo a ordem cronológica das performances, vale comentar a Team Blake Reunion, que foi muito bacana (a música foi o de menos, claro). Ainda preferi a Red Zone Reunion, que trouxe de volta saudosíssimos nomes da temporada passada como Nakia, Vicci Martinez, Tony Vincent e Jamar Rogers, mas foi bem bacana.
Blake Shelton & Team Blake – White Christmas
http://www.youtube.com/watch?v=GFaxJ_Chu3k
Confessem: quem de vocês não estava morrendo de saudades de Ryan Jirovec, Nicole Johnson e Casey Muessigman, hein? Eu não aguentava mais de saudades de LELIA BROUSSARD, gente! Brincadeiras à parte, foi bem legal poder rever nomes queridos como Gracia Harrison, Suzanna Choffel, Charlie Ray e, claro, nossa maravilhosa Michaela Paige. Ah, e fica a dica para os próximos competidores do The Voice: se você diz em rede nacional que estava completamente deslocada no Team Blake, perde automaticamente o direito de cantar ao vivo com o time, certo, Terisa Griffin? Aliás, já que faltou Terisa, podiam ao menos ter dado um microfone extra para as 2Steel Girls, hein? Ninguém merece ficar dando uma de coral de igreja e ainda ser obrigada a dividir o microfone só porque eram uma dupla! Por fim, eu não poderia terminar este textinho sem mencionar minha felicidade extrema ao rever a maravilhosa KELLY CRAPA, em quem apostei aleatoriamente nas batalhas e perdi, mas perdi com honra e direito a um cabelo tudo de bom!
Voltamos agora à programação normal:
2) Cassadee Pope – Stupid Boy (Keith Urban)
http://www.youtube.com/watch?v=l0gV_5dZGms
Numa boa, a sorte da Cassadee Pope é que ela cantou MUUUUITO bem essa música. Foi, provavelmente, a melhor performance vocal da cantora depois de “Over You” em toda a sua trajetória no programa. Digo “sorte” porque, diante da insistência de Blake em dar canções country a Cassadee (e, não importa o que ele diga, sempre irei bater nessa tecla), só mesmo essa clara demonstração de evolução vocal – que começou com uma cantora que frequentemente errava notas ou gritava demais quando ia para o registro mais alto – para me impressionar mais do que a apresentação tão cheia de amor de Nick. Cassadee tornou-se de fato alguém que aprendeu a conhecer a própria voz e saber exatamente o que fazer com ela, sempre forçando um pouco mais os próprios limites, mas sem tentar ir além do que deveria. Cassadee precisa urgentemente cuidar de sua identidade musical, é verdade, mas ela é a única que passou por uma transformação notável e interessantíssima durante o programa, o que só me faz admirá-la mais. Além disso, é tanto carisma e “cara de mercado” que a gente acaba dando um desconto (até maior do que deveria). Observação inútil: a prefeita da cidade de Cassadee deve ter apresentado propostas MUITO boas pra ter vencido a eleição, porque ô mulher sem sal, hein?
1) Terry McDermott – Let It Be (Beatles)
http://www.youtube.com/watch?v=fwvy4i679oA
“Musical perfection!” foi a descrição de Blake para a performance. E alguma coisa estranha me faz concordar com ele. Se Terry cantou perfeitamente bem ou não é uma questão que meus ouvidos ainda não conseguem responder com firmeza. Mas vê-lo defender com tanta força e garra um verdadeiro hino como “Let It Be” foi de deixar qualquer um levantando as mãozinhas de um lado pro outro e cantando empolgadamente junto (menos eu, claro, porque… ehr… eu jamais faria isso, claro que não, nunca, magina!). Achei extremamente empolgante, e, apesar de ter certeza de que a coroa vai para Cassadee Pope semana que vem, ousarei dizer: a cantora que se cuide, porque a competição está brava, e ganhar sem fazer melhor que a concorrência é muito feio! Observação aleatória: mesmo que Terry não vença o The Voice, já podemos dar a ele o título de “melhor cara de surpresa feita toda vez que o programa tenta lhe causar um infarto e chamar alguém dos cafundós do Judas para ir vê-lo”. Simplesmente sensacional!
E é isso, pessoal! Chegamos ao fim do show de segunda, e eu já dou como certa e eliminação de Trevin Hunte (quem não?). Desta vez, não vejo um modo de o rapaz se salvar, e acho que realmente chegou a hora dele no programa. Espero não me surpreender.
RESULTS SHOW
E não me surpreendi. Trevin Hunte foi o único eliminado do Top 4, fazendo com que Terry McDermott, Cassadee Pope e Nicholas David sejam os três finalistas da terceira temporada do The Voice. Ou seja, independentemente do vencedor, já teremos uma terceira temporada com um resultado muito mais justo do que a anterior, não é bacana?
Não me entendam mal. Trevin é um excelente cantor, com uma voz como pouquíssimas pessoas neste mundo devem de fato possuir. Mas ele ainda precisa se encontrar musicalmente, amadurecer, evoluir e estender os próprios limites para que de fato possa ser lançado ao mercado. Consagrá-lo antes disso não faria bem ao The Voice, e provavelmente não faria bem à própria carreira do cantor.
Além dos resultados, tivemos duetos de ambos os times, que gostaria de comentar brevemente aqui:
Team Blake – Little Talks (Of Monsters and Men)
http://www.youtube.com/watch?v=7fTHWi-YtmA
Não acredito que Terry finalmente mostrou que tem totais condições de ser um artista contemporâneo! Acredito que isso tenha sido o mais revelador desta performance, com um Terry bastante à vontade e, se me perdoam dizer, cantando melhor que a própria Cassadee Pope, que está mais acostumada a um repertório moderno. Interessantíssimo!
Team Cee Lo – Hero (Mariah Carey)
http://www.youtube.com/watch?v=FKY-yRPwPzM
Você nota como Trevin é limitado quando a produção obriga Nicholas David a cantar uma música de diva para fazer dueto com o companheiro de time. Música manjada demais, e acabou me dando sono. Infelizmente, o Team Cee Lo levou uma surra do Team Blake.
Por fim, fomos presenteados com três performances bem bacanas de artistas da temporada passada. Tivemos a sensacional e maravilhosa vice-campeã Juliet Simms (Team Cee Lo), que 9 entre 10 fãs do programa acham que deveria ter vencido, quebrando tudo com seu single “Wild Child” (infelizmente, a versão em estúdio é consideravelmente melhor que essa apresentada ao vivo). Também fomos abençoados por mais uma perfeição vocal do finalista do Team Xtina, Chris Mann, em sua apresentação de “Roads”, de seu CD homônimo. Por fim, tivemos RaeLynn (Team Blake) cantando seu single “Boyfriend” e desenterrando os nomes das cantoras Nicole Galyon (Team Adam) e Hailey Steele (Team Xtina), co-autoras da música junto com a própria RaeLynn, que mostrou que o mundo continua o mesmo e ela ainda não sabe cantar, mas esbanja carisma e “sapequice”. Ah, também tivemos a ilustre presença, só que não, do finalista do Team Adam, Tony Lucca, pedindo desesperadamente para que os espectadores não esqueçam que ele existe, porque ano que vem tem CD. Seguem as três performances, a quem interessar:
Juliet Simms – Wild Child
http://www.youtube.com/watch?v=6aA5bzTtSko
Chris Mann – Roads
http://www.youtube.com/watch?v=SyHbfCIuLX8
RaeLynn – Boyfriend
http://www.youtube.com/watch?v=sxcHkqs6pGc
WAIT! I AIN’T DONE YET!
Já que, na próxima semana, teremos a grande final desta temporada, gostaria de gastar um espacinho um pouco maior com aquela minha leaderboard pessoal de costume, mas acompanhada por com uma breve análise de cada candidato. Vamos lá?
3) Nicholas David
Por que pode/merece vencer: é exatamente tudo o que o The Voice representa – o talento em sua forma pura e simples –, e jamais conseguiria chegar longe em shows que se preocupam demais com aparência ou “star quality” como o American Idol e o X Factor. Seus vocais são praticamente impecáveis, e Nicholas é de uma singularidade incrível e necessária para o show.
Pontos fracos: a pergunta “Que ano é hoje?” pulula loucamente em minha mente sempre que vejo Nicholas David. Consigo imaginar um álbum bacana, com influência do jazz, do blues e do soul, para se ouvir em casa, bem relax, mas não consigo vê-lo tendo algum sucesso comercial ou mesmo muitos ingressos para shows vendidos. Acredito que Nicholas está condenado a ter uma carreira voltada para um nicho muito específico, o que não é necessariamente ruim.
2) Terry McDermott
Por que pode/merece vencer: canta absurdamente bem, é extremamente interessante e carismático e fez escolhas muito sábias ao longo da competição. Terry tem um estilo muito bem definido e defende seu rock clássico com competência invejável a qualquer outro candidato desta temporada que tenha tentado defender qualquer estilo.
Pontos fracos: embora de forma mais discreta, a pergunta “Que ano é hoje?” também acompanha o candidato, especialmente por causa do cabelo. Tenho a claríssima impressão de que, caso Terry vença, ele tem totais condições de estourar nas paradas, desde que seja enviado pela produção do The Voice aos anos 60, 70 ou 80. Sua trajetória foi muito competente, cheia de músicas consagradas que conquistam facilmente os fãs do rock, mas será que com material original Terry consegue decolar?
1) Cassadee Pope
Por que pode/merece vencer: foi a única artista com estilo contemporâneo a chegar ao Top 4, e carregou uma boa base de fãs do Hey Monday para apoiá-la. Por ser a única mulher e a única artista com repertório mais moderno, pode se beneficiar de uma possível divisão de votos entre Terry e Nicholas. É extremamente carismática e fácil de se gostar e, aparentemente, mesmo que cante um rap do 50 Cent, terá uma legião de fãs dispostos a pagar pelo que ela lançar. É de longe a candidata mais baixada na temporada, tendo sido a única que atingiu o #1 nos single charts do iTunes – e duas vezes! Foi, tranquilamente, a cantora que mais evoluiu no programa, encontrando novos caminhos e aprendendo a conhecer e controlar melhor a própria voz. É a mais eclética entre os finalistas, sendo capaz de navegar tanto no country quanto no pop/rock com extrema habilidade. Cassadee é a única candidata que não depende muito de material para fazer sucesso, pois sua imagem e estilo têm tudo a ver com o que o mercado atual gosta e ouve, e tem tudo para se tornar a primeira vencedora do The Voice a realmente ter relevância no mundo da música.
Pontos fracos: Cassadee é sem dúvida a pior vocalista do Top 4, o que não diz muita coisa, já que todos são ótimos, mas distancia-a um pouco do espírito do programa. Sua limitação vocal e suposta fama antes do programa são motivos de rejeição – rejeição que Terry e Nicholas não parecem carregar. A cantora também vem passando por uma crise complicada de identidade no programa, com Blake empurrando canções country goela abaixo e ela meio que achando melhor aceitar, não sei se por resignação ou por estratégia (country sempre rende mais votos). É interessante pensar que seu álbum poderá ter umas duas ou três baladas puxadas para o country (Kelly Clarkson está aí para provar que o céu é o limite para quem é competente), mas sua identidade é pop/rock, ela sabe disso, e nós sabemos também. Será que ela será capaz de se manter fiel às suas raízes?
E vocês, o que acham? Convido todos a esse exercício de análise: todos temos favoritos, mas quais serão os pontos fracos dos seus? E os fortes daqueles que vocês rejeitam? Expectativas para a final? Fiquem à vontade, o espaço é de vocês, e até a finalíssima, na semana que vem!





















