Com dedicatória especial aos brasileiros, o primeiro de abril chegou um pouco adiantado ao The Voice.

Spoilers Abaixo:

Bom dia pra você, que já está cansado dos Battle Rounds e ansioso pra ver como a produção do The Voice vai dar conta de fazer todo esse pessoal cantar ao vivo. Pra você, tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que você não é o único, e a má é que, assim como no ano passado, a galera já está cheia dessas batalhas e a audiência está em queda livre há duas semanas. Torço para que isso não comprometa o programa, e também para que a NBC desta vez aprenda algo com isso (já que em 2011 ela claramente não aprendeu).

Isso posto, tivemos um programa meio mais ou menos, com performances que variaram pouco entre medianas e boas, algumas decisões óbvias, algumas boas surpresas e outras nem tão boas assim (como uma “Who?” ressurgindo das cinzas e indo parar nos Live Shows). Vamos às batalhas:

Batalha 13 – Team Adam: Pip x Nathan Parrett – You Know I’m No Good (Amy Winehouse)

Pobre Nathan. Se ele já se sentia o underdog por saber que os quatro coaches viraram para o Pip e apenas um para ele, imagina se, na época das gravações dessa batalha, ele soubesse que sequer veríamos sua audição na TV. Não sei vocês, mas eu não fui nem um pouco enganado pela insinuação da edição de que “o jogo havia virado”. Durante a batalha, notei Pip um pouco melhor que em sua blind audition, isso me deixou levemente mais conformado com a popularidade do cantor, que realmente superou de longe o nervoso Nathan em termos de presença de palco. Por mais que Pip se vista mal, em um duelo de cantores medianos, achei que ele estava alguns passos à frente do adversário, e concordei com a decisão de Adam Levine.

Batalha 14 – Team Cee Lo: Erin Martin x The Shields Brothers – What’s Love Got To Do With It (Tina Turner)

Que pareamento estranho! Os Shields Brothers são extremamente agitados e barulhentos, e a voz de Erin Martin é tão calminha… Não consegui entender. Eu tinha gostado muito da Erin em sua blind audition, e detestado os irmãos, mas, se a edição já me fez torcer um pouco contra a ex-modelo convencida, a batalha me levou de vez para esse lado. Erin não deu conta de cantar, e, pra mim, a maioria dos artifícios usados em sua abordagem serviram apenas para esconder sua extrema limitação e incapacidade de alcançar certos tons e notas. Por isso, fiquei contrariado quando Cee Lo optou por ela e eliminou a dupla de roqueiros. Mas quem sabe com uma música mais adequada ela não surpreenda? No caso de Erin, talvez valha aguardar.

Batalha 15 – Team Xtina: Ashley De La Rosa x Jonathas – No Air (Jordin Sparks & Chris Brown)

Se Jordin Sparks escolheu canções de Christina durante sua jornada no American Idol 6, nada mais justo que Christina retribuir o favor e promover uma música da vencedora da franquia concorrente. Gostei bastante do pareamento. Vale ressaltar, porém, que essa batalha foi a mais desinteressante do Team Xtina pra mim, porque nunca vi futuro para nenhum deles nos Live Shows. Talvez pela baixa expectativa, acabei me surpreendendo e me empolgando com o desempenho de ambos os concorrentes. A química entre eles foi legal e tudo foi realmente muito bem ensaiado. Vocalmente, Ashley mandou melhor que o mediano Jonathas, mas o carisma desse último transbordou pra fora daquele ringue, e eu gostei mais disso. Desde a semana anterior, quando soube desse duelo, já achei que ia dar Brasil-sil-sil, já que Ashley foi completamente ignorada pela edição. Mas estavam zoando com a nossa cara (“Vai ter reviewer falando pra galera não se apegar a quem não aparecer nas blind auditions e quebrando a cara, haha”, divertiram-se os responsáveis), porque Christina decidiu partir o coração do brasileiro e levar a insossa Ashley para os Live Shows. E quem ficou insatisfeito pode se consolar pensando o seguinte: se ainda houver algum sangue brasileiro nas veias de Jonathas, provavelmente o veremos se aventurando por outros realities por aí.

Batalha 16 – Team Blake: ALyX x Jermaine Paul – Get Outta My Dreams, Get Into My Car (Billy Ocean)

“I don’t think she’s having fun”, disse Blake após o primeiro dia de ensaios. Ali, a sentença da (também ignorada anteriormente) ALyX estava dada. Confesso que me irritei um pouquinho com essa premissa de “Quem se divertir mais ganha”. Tem que mandar melhor no gogó também, né, galera? Mas a batalha foi a prova de que Jermaine não tem problema algum nesse quesito. O cara foi o verdadeiro dono do palco. Eu confesso que fiquei um pouco mais fã da ALyX por causa daquele visual esvoaçante que não me deixava tirar os olhos dela durante a performance, e aquela maluquice desesperada que ela inventou no final foi até legal. Mas, por mais que eu tenha uma queda por underdogs, Jermaine mereceu demais a vaga que conquistou nos Live Shows.

Batalha 17 – Team Adam: Angel Taylor x Katrina Parker – Bleeding Love (Leona Lewis)

Eu tinha certeza de que Angel Taylor seria pareada com Mathai, e me surpreendi muito quando Adam disse o nome de Katrina (isso também significa que já estou com pena do cordeirinho que vai enfrentar Mathai na última rodada). Talvez eu seja minoria, mas gostei bem mais da audição da Katrina, provavelmente porque fui infinitamente mais cativado pela escolha da música. Essa é mais uma batalha em que eu tinha certeza de que a dona de um dos pimp spots da primeira fase do programa venceria. Mas, ao ver a limitação vocal e os problemas de afinação de Angel tanto durante os ensaios quanto na batalha em si, concluí que a coisa tinha ficado mais fácil para Katrina, com sua atuação praticamente impecável. Além disso, as caras e bocas de Angel, que já tinham chamado minha atenção durante a audição, desta vez me incomodaram. Apesar do nome da concorrente, quem realmente mostrou um cativante ar angelical foi Katrina, enquanto Angel quase parece estar meio bêbada enquanto canta. De fato, Katrina ganhou essa batalha com louvores, e as decisões de Adam continuam me deixando feliz. Vale a observação: pensando em estilo, de fato Katrina me lembra Adele, mas vocalmente… Menos, Christina. Muito menos.

Batalha 18 – Team Blake: Gwen Sebastian x Erin Willett – We Belong (Pat Benatar)

Já comecei torcendo por Gwen, tanto por preferi-la vocalmente quanto porque histórias tristes que cativam a audiência costumam me afastar muito dos candidatos que a usam (eu sei que não é necessariamente culpa deles, mas não consigo evitar). Além disso, Gwen me surpreendeu demais durante a batalha, enquanto Erin, apesar de ter ido bem, não fez nada que eu já não imaginava que ela fizesse. Blake fez mais ou menos a mesma avaliação que eu, e por isso eu fiquei meio desconfiado dos reais motivos que o fizeram dar a vitória a Erin. E a postura de Gwen ao ser eliminada só me fez gostar mais ainda dela. Maldito Blake, que a pareou justamente com a participante que estava perdendo o pai. E vale observar duas coisas: primeiro, RaeLynn vai acabar se tornando minha favorita do Team Blake, o que automaticamente me faz questionar a qualidade dos cantores dele este ano. Isso me leva à segunda questão: quando o coach que representa o estilo country começa um time com quatro cantores desse estilo e de cara elimina logo as duas melhores, algo deve estar errado com ele.

É isso. Hoje (finalmente!) será exibida a última rodada de batalhas. E, com os resultados desses dois últimos episódios, a única coisa que posso dizer é: seja o que Deus quiser!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.