
Quando uma mudança nas regras pode ser bem-vinda.
Spoilers Abaixo:
Definitivamente, algo precisa mudar no The Voice. Essa foi a primeira frase que ecoou em minha mente ao fim da segunda rodada de Battle Rounds. Gente que não tem a menor graça (ou chance) já está garantida nos Live Shows, enquanto, devido a pareamentos pra lá de sacanas, músicos de verdade deram adeus à competição neste episódio. Assim não pode, The Voice, assim não dá!
O programa também me fez pensar se há alguma exigência da Kia, claramente um grande patrocinador, de vincular sua imagem à voz de Miranda Lambert. Porque, olha, aquelas mensagens de voz dela me soam mais fake do que a emoção do Carson Daly durante as batalhas.
Mas nem tudo é tristeza neste episódio (na verdade, pouca coisa é!). Se os pareamentos mal pensados nos levaram a eliminações injustas, também renderam performances incrivelmente boas (alguém me acuda, que em todo momento de ócio quero rever Lee x Lindsey!). Foi tudo tão lindo que até a performance mais sem graça da noite foi “assistível”. Fora isso, durante o treinamento vocal dos artistas, sempre temos microshows muito bacanas de todos os coaches, e, só de ver os quatro cantando, o programa já vale a pena. Maravilha! Isso posto, vamos às batalhas da semana:

Batalha 7 – Team Xtina: Geoff McBride x Sera Hill – Chain of Fools (Aretha Franklin)
Mais um pareamento sábio de Christina, com sua segunda dupla de vocalistas clássicos, que combinam com o melhor da música norte-americana. Enquanto, porém, Jesse e Anthony pendiam para o puro gospel, Geoff e Sera são soul da cabeça aos pés. Assim, da mesma forma como ocorreu com os dois primeiros, era necessário filtrar o time e escolher o melhor representante da categoria para os Live Shows. Isso não implica uma tarefa fácil. Se o vozeirão de Geoff impressionou até Lionel Richie, quem sou eu para dizer o contrário? E nem há motivos para isso, pois, do alto de seus 51 anos de idade, o controle e a técnica do artista são de fato impressionantes. Mas Jewel (ela, sempre ela), que analisou a blind audition do concorrente, deu o melhor conselho possível para Sera: volume não é tudo. Aqui, vale dizer o quanto eu embarquei na ideia de cada lado da batalha ter um conselheiro diferente. Lionel também demonstrou empatia com seu pupilo, mas ver Jewel abraçando a causa de sua candidata e mostrando a ela os pontos fracos de seu adversário e o que fazer para explorá-los foi absurdamente bom! Christina também não fez feio e, assim como a edição bacaninha, foi bastante imparcial e deu ótimos conselhos para ambos. A batalha, apesar de não ter nenhum grande momento, é uma séria candidata a apresentação mais deliciosa de se assistir nesses Battle Rounds. Os dois fizeram bonito demais, interagiram, e mostraram que não é porque o nome da etapa é Battle Rounds que eles precisam agir como inimigos no palco. É fato que a música ajudou muito, mas, independentemente disso, o resultado foi um belo dueto, belo ao ponto de tornar a tarefa de julgá-los separadamente bastante difícil pra mim. Os dois têm voz, técnica e personalidade de sobra. Mas, no fim das contas, também achei sábia a decisão de Christina. Sera tem toda aquela pinta de artista que, somada à sua voz, é mais que necessária aos Live Shows.

Batalha 8 – Team Blake: Charlotte Sometimes x Lex Land – Pumped Up Kicks (Foster The People)
E o prêmio de batalha morna da noite vai para… Bom, sou suspeito pra falar, porque nunca fui lá um grande admirador de nenhuma das duas. Charlotte Sometimes parece ser uma candidata querida, e ela de fato canta bem, mas, além de não ter um timbre que me agrade, simplesmente não consegue me envolver em suas apresentações, não a vejo entrar de fato nas canções e letras que interpreta. Pra completar, foi presenteada com a edição “sou bitch, e daí?”, que nos garantiu todo tipo de constrangimento, desde momentos em que intimida a adversária nos ensaios até declarações poéticas como “Eu quero destruí-la, quero muito que ela perca!” Lex, por outro lado, foi fofa do início ao fim, e, por mais que sua blind audition tenha sido meio desastrosa, me peguei torcendo por ela durante a batalha. Mas Charlotte é uma baita de uma performer, que não se deixou abalar por um segundo durante o duelo. Lex pareceu um pouco insegura e, apesar de ter arriscado bem mais durante a apresentação, como bem pontuou Blake, derrapou um pouco no início. Eu ainda prefiro a versatilidade e timidez de Lex, mas, como não me importo com nenhuma das duas, tudo bem Blake ter escolhido Charlotte.

Batalha 9 – Team Cee Lo: Sarah Golden x Juliet Simms – Stay With Me (Rod Stewart)
E o primeiro cordeirinho de Cee Lo foi escalado para ser devorado. A canção foi uma escolha inteligente, que realmente permitia que ambas se mantivessem fieis ao seu estilo, mas a verdade é que, para Juliet ficar mais à vontade do que estava, só se os arranjos da performance fossem feitos pelo Automatic Loveletter. Gostei do conselho do Ne-Yo, pois acho que Juliet faria bem em se conter um pouquinho mais, e achei uma pena que ele não foi seguido. Por outro lado, isso significa que Sarah foi total e completamente engolida durante a batalha, tornando-se quase dispensável à apresentação. Uma lástima, pois, em seu próprio estilo, Sarah manda bem melhor que o que vimos. Christina, cujo comentário traduziu perfeitamente meu pensamento após a performance, foi sincera: diante da música escolhida, Cee Lo não tinha que pensar antes de decidir. Juliet era presença merecidamente certa nos Live Shows, e fico feliz por vê-la passando.

Batalha 10 – Team Adam: Whitney Myer x Kim Yarbrough – No More Drama (Mary J. Blige)
Se houve decepções com as escolhas dos coaches neste episódio (ver abaixo), Adam sem dúvida passou longe de despertar em mim esse sentimento. Achei muito sábio parear Whitney e Kim, que, apesar de provavelmente serem as melhores vocalistas do time, não haviam mostrado tudo o que podiam em suas blind auditions. Adam estava certo, elas precisavam se enfrentar para que nós compreendêssemos melhor quem são essas artistas. E funcionou. Foi um dueto incrível, e fiquei impressionado com ambas, mas a experiência de Kim falou mais alto. Kim fazia parecer fácil, enquanto a pobre Whitney passou a impressão de estar realmente em uma batalha durante toda a apresentação. Assim que essa batalha foi revelada, eu tinha certeza de que Whitney “prometo-fazer-de-tudo-pra-você-vencer” Myer sairia ganhando. Por isso, fiquei muito feliz ao ver que Adam passou por um momento de conflito e, pra mim, pareceu legítimo que o coach realmente não as pareou antevendo qualquer resultado. No fim, Kim ganhou, mas Whitney saiu com a cabeça erguida, me fazendo torcer para que ela tenha outras chances na vida profissional.

Batalha 11 – Team Xtina: Lee Koch x Lindsey Pavao – Heart-Shaped Box (Nirvana)
E chegou a hora da verdade. O Team Xtina foi o único que conseguiu chegar intacto à metade dos Battle Rounds, só com pareamentos interessantes e decisões sábias, e eu estava começando a achar bom demais pra ser verdade. E era. Vocês não imaginam a minha tristeza ao ver minha querida Lindsey pareada com o excelente Lee. É claro que eu não esperava menos da performance de dois verdadeiros artistas, que têm infinitamente mais do que bons vocais a oferecer. Christina, Lionel Richie e Jewel perceberam isso, e foram responsávels pelo que eu chamaria de a melhor sequência de coaching que já vi até agora no programa. Muito bacana, mesmo! É difícil comparar o estilo dos dois com batalhas de powerhouses como Anthony x Jesse e Kim x Whitney, mas, ainda assim, não tenho medo de dizer que tudo isso que mencionei só poderia resultar no melhor dueto que já vi no The Voice. A suavidade imposta pela canção, associada à interpretação 100% própria de ambos os cantores, que de fato estavam mais preocupados com o bom trabalho do que com quem aparece mais ou atinge mais notas, me fez ficar arrepiado do início ao fim. E o que é aquele falsete da Lindsey? É claro que um dos motivos por que consegui curtir a performance foi a confiança de que ela venceria, mas isso significava que Lee voltaria pra casa, algo que eu definitivamente não queria, não tão cedo. Pô, Christina! Quando dois cantores são tão únicos e originais como você diz (e todos nós concordamos), você não os coloca pra batalhar um contra o outro para que um deles vá pra casa!!! Fica a dica. Jamais questionaria a vitória da incrível Lindsey, que é uma necessidade absoluta nos Live Shows, mas a eliminação de Lee desceu bastante indigesta.

Batalha 12 – Team Cee Lo: Jamar Rogers x Jamie Lono – I Want To Know What Love Is (Foreigner)
Quando você pensa que o pior já passou… DAMMIT, CEE LO!!! Jamar x Jamie, sério mesmo??? E a música escolhida? Covardia define! Jamie não tem um perfil agressivo como Jamar, e não tem o alcance que essa música exigia dele, mas isso não significa que, dentro do seu estilo, o rapaz não brilhasse. Jamie é, ao lado de Lindsey e Lee, um dos artistas com mais personalidade musical nesta temporada, e foi um desperdício imensurável colocá-lo em uma situação dessas. Isso posto, como todo o cenário já deixava claro, o confronto se mostrou extremamente desigual, em que um Jamie lutava a cada segundo para não ser esmagado por um Jamar que crescia absurdamente no palco a cada nota. Com absolutamente tudo contra si, Jamie não poderia ter feito melhor do que fez, e seus últimos momentos no programa me deixaram triste como eu nunca havia ficado antes em uma eliminação. Com sua blind audition, Jamie Lono vendeu no iTunes como poucos participantes do The Voice já venderam, mas, como o programa estreia quando tudo já está definido para os Live Shows, os coaches não sabem realmente quem fará sucesso e quem não fará. Por isso, parabéns, Cee Lo, por não ter o menor senso e se livrar de um dos maiores front runners da temporada. Forget you!
Assim, o The Voice engaja-se na campanha contra a fome, mandando para casa o padeiro e o fazedor de sanduíches para garantir que os norte-americanos continuem bem alimentados. Mas, se você também está tendo dificuldades para viver em um mundo em que Cheesa passa para os Live Shows e Lee Koch e Jamie Lono são eliminados, devo dizer que temos pouco tempo para nos recuperarmos. Semana que vem tem mais, galera! Até lá!





















