Augustine surge em TVD para evidenciar aquele velho problema de reciclar tramas antigas…

E claro que estou referindo ao eterno dilema de Damon em ser o herói ou o vilão, afinal, todo o enfoque desta trama aqui é exatamente balançar a imagem de namorado perfeito que o personagem parecia estar desenvolvendo desde o início desta temporada, fazendo um dos protagonistas da série girar sempre em um looping eterno, que parece nunca ter fim. E isso é grave, muito grave.

Primeiramente, vale destaca que esse problema de tramas cíclicas é super comum em séries já veteranas, o que não faz de TVD uma merda que deveria ser cancelada… Longe disso. E mais, não sei se eu sou muito otimista ou se a maioria dos fãs são haters que, desde a temporada anterior, só esperam o mínimo deslize para tacar pedras em The Vampire Diaries. E foi isso que percebi lendo fóruns e tweets sobre esses dois episódios.

Calma lá, The Vampire Diaries fez sim uma quarta temporada para ser esquecida mas, apesar dos deslizes, esta quinta temporada está longe do baixo nível daquela. O que quero expor aqui é que é preguiçoso utilizar Damon desta forma por cinco anos e o personagem precisa se reinventar, como Elena fez ao se tornar vampira, ou Stefan, primeiramente com sua fase Ripper e agora, pós-Silas. Dos três protagonistas Damon é o único preso nesta trama de Herói ou Vilão. Trama, que por si só, é bem idiota, já que Damon é claramente um anti-herói, ou seja, figura entre esses dois extremos, agindo com heroísmo da maneira nada ortodoxa que um vilão faria. E isso me incomoda muito.

Mas Thiago, se esse não fode e nem sai de cima do Damon te incomoda tanto, porque então você não se junta aos haters que citou acima e vai xingar muito TVD no Twitter?

Explico: diferentemente do ano anterior, onde tínhamos uma série claramente à deriva, enrolando para chegar num cliffhanger que se tornaria o estopim do início dessa quinta temporada, agora temos uma trama cheia de potencial, cheia de opções, mas que claramente está se focando na mais fraca delas. Ou seja, meu incômodo não é com a trama da Augustine em si, que pode vir a ser super interessante se abordada pelo lado de Greysson e suas experiências, ou até mesmo do relacionamento entre Damon e Enzo, mas sim pelo fato de que, dentre essas tantas possibilidades, preferiram abordar – pela enésima vez – a definição do papel de Damon.

E mais, honestamente, após acompanhar cinco temporadas de The Vampire Diaries e ver TODOS os personagens ali tomarem todas as decisões mais questionáveis do mundo pelos motivos mais mesquinhos, realmente não consigo ver maldade nas atitudes de Damon, afinal, ele foi torturado por cinco anos e teve que desligar sua humanidade para não sofrer com a morte daquele que se tornou seu único amigo e única pessoa com quem ele se conectou nesses anos tão difíceis… Então, podem me chamar de psicopata, mas acho pouco o “extermínio” que Damon vem causando na família Whitmore perto do que tudo que o vampiro passou.

Ainda assim, principalmente neste último episódio, ao se desvencilhar de julgamentos acerca do caráter de Damon e se focar na questão envolvendo Enzo e o pai de Elena, o episódio além de mais ágil, deixou essa trama mais interessante. E mais, acredito que, por mais esgotada que possa parecer a trama neste momento, Aaron pode crescer e se tornar um personagem realmente interessante… Só depende do uso que darão à ele de agora em diante, afinal, o fato dele ser uma Elena de calças traz de volta esse elemento que se perdeu na série quando a mocinha se tornou vampira.

Por outro lado, o que também me fez desistir da ideia de pegar tochas e ir queimar a CW e todos os responsáveis por TVD foi o fato de que a trama de Augustine foi moderadamente equilibrada com a história de Katherine que, queiram ou não, é a dona desta temporada. E o mais inacreditável: sua dupla com Stefan funcionou perfeitamente em ambos os episódios e trouxe um frescor que eu não acreditava ser possível, contrastando de maneira assustadora com Elena e Damon seguindo a mesma história de sempre que permeia o relacionamento dos dois.

E gente, podem me chamar de fã, de desequilibrado ou o que quer que seja, mas pra mim nada mais é do que um fato o que eu afirmo toda semana: Kath é a dona dessa temporada de The Vampire Diaries. Afinal, dentre dois arcos completamente opostos (Silas e Augustine), dentre tantas reviravoltas, foi Katherine o fator comum. Foi ela que movimentou grande parte da trama até aqui. Há uma mudança evidente entre Silas e Augustine e a única constante estre esses dois pontos da temporada é Katherine Pierce.

E aqui os produtores demonstram a criatividade que eles não demonstraram com Damon. Afinal Kath está seguindo a mesma trama que vem seguindo desde que saiu da tumba: sua luta pela sobrevivência. Mas diferentemente de Damon, que fica preso na trama num loop que não tem fim, Kath aproveitou sua trama para subverter completamente sua imagem e praticamente atingir a redenção de sua personagem.

O romance de Kath e Stefan assustadoramente funciona. Kath consegue dar função à Matt. E também é capaz de dar função à Caroline e trazer uma leveza que a personagem não tinha desde os áureos tempos da Vamp-Barbie. Enquanto Elena fica presa sempre à sua trama de julgamentos e culpas, trazendo como um imã tudo o que há de pior nos personagens que com ela interagem e essa culpa que parece não abandonar Damon, Kath vai em caminho completamente oposto. Caroline volta a ser divertida, Matt volta a ser útil e Stefan volta a ser leve e interessar positivamente o público, como todo protagonista deve fazer, deixando explícito que o grande problema de Stefan é Elena e não o personagem em si.

Não é atoa que ante a esse reconhecimento explícito do roteiro de que Katherine é disparadamente seu melhor elemento, o retorno da série e o seu centésimo episódio serão centrados nela e em sua possível morte. Morte esta que, por mais que eu não queira, se tornou cada vez mais plausível após estes dois episódios.

Isso porque, considerando o óbvio, de que esta temporada tem por objetivo trazer a redenção da personagem, e tendo em vista os acontecimentos do último episódio de TVD neste ano de 2013, dá pra perceber que esta redenção fora alcançada, deixando cada vez mais óbvio que, há sim, grandes chances de que Katherine Pierce não passe do centésimo episódio de The Vampire Diaries. E, se confirmando esta triste constatação, nada mais honesto e justo que o centésimo episódio seja inteiramente dedicado a quem movimentou a trama de TVD por pelo menos um terço destes episódios (em minha humilde opinião, em mais da metade deles na verdade).

O problema é que, com a iminente morte de Katherine, se torna ainda mais grave a falha de roteiro que apontei nos parágrafos iniciais – onde falo sobre Damon e o desenvolvimento cíclico e perigoso de sua personagem – afinal, sem o grande curinga que Katherine se tornou para o roteiro a equipe de produção de The Vampire Diaries TERÁ que se arriscar e tirar seus personagens da zona de confortou, ou então a morte de Katherine será também a morte da própria série.

Que fique bem claro: NUNCA NESSA VIDA eu torceria pela morte da Musa Absoluta da série, da rainha de nossos corações, do nosso yogoberry de puro amor, da indescritível e única Katherine Pierce. Mas a verdade é que, dramaturgicamente falando, olhando a trajetória da personagem, não há mais caminhos para serem seguido e este é sim, muito provavelmente, o seu fim (e eu me nego a acreditar nessa história dela reincorporar em outro corpo como traveler porque grande parte do sucesso de Katherine se deve à Nina Dobrev). Não quero sua morte. Mas entendo que é o caminho óbvio.

Tomara que TVD uma as duas pontas que trouxe nessa review excluindo a obviedade, sambando na minha cara e trazendo uma razão forte e útil para manter a personagem na série…

Eu nunca esperei tanto pra ser surpreendido. Eu nunca esperei tanto por um centésimo episódio…

The Vampire Diaries, me surpreenda!

Thiago, você não comentou os episódios, você fez uma análise opinativa apenas sobre dois pontos distintos dele, nem fez piada, nem falou da boca torta da Bonnie e blá blá blá… Me critiquem por isso! Esse espaço é meu e se eu quiser fazer uma review inteira com rimas de rap eu farei… O que justifica o tom diferenciado desta review é exatamente o que justifica também, o atraso dessas duas reviews e a ausência dos OS, substituídos por esses parágrafos que encerram essa review.

Quem acompanha minhas reviews fielmente sabe que, este ano, fiz um intercâmbio e morei por sete meses na Irlanda, retornando exatamente há apenas duas semanas (onde tivemos esses dois episódios de TVD). E só quem já viveu essa experiência sabe o quanto é difícil o regresso. Você retorna, mas seu coração e sua cabeça permanecem por mais algum tempo no outro país… Mais do que isso: acho que uma parte sua, que você nunca mais vai ter de volta, fica lá para sempre… Então, além de não estar psicologicamente estável para cumprir prazos – o que causou o imenso atraso desta review – também fui influenciado pelo meu estado de espírito na hora de assistir aos episódios, julgá-los e escrever acerca deles. Acho que a minha verdade, enquanto escritor, é entregar a vocês a minha emoção, os meus sentimentos, ao ver o episódio… E, embargado em minha própria história, que desenvolveu toda uma nova vida em apenas sete meses, não tive mais nada a observar senão a história desses personagens que aprendi a amar e suas vidas sendo desenvolvidas pelo roteiro.

Então, essa review polarizada em apenas dois opostos, nada mais é do que um reflexo da polarização da vida do próprio reviewer.

O que eu ofereço a vocês aqui não é comentários detalhados e piadinhas acerca de um episódio… O que eu ofereço é muito maior… É um pouco de mim. É O Thiago refletido em The Vampire Diaries..

Os que não gostaram, podem me tacar as usuais pedras…

Com elas ainda vou construir meu castelo (casar com a Kath e ir viver nele com ela feliz para sempre correndo de espartilhos pelo gramado).

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