A “Alta Fantasia” como berço do Role Playing Game (popularmente conhecido como RPG) serviu de modelo para a estrutura de “quest”. A “quest” é uma missão, um passo da jornada como todo. Como vencer uma batalha que faz parte de uma guerra ainda maior e mais perigosa. E nada mais compreensível que The Shannara Chronicles siga essa estrutura também como série. Se na première dupla tivemos a apresentação dos personagens e ambientes, motivações e a aparição da ameaça no horizonte, nesse começamos a vislumbrar a capacidade dos poderes até então somente citados e as indagações próprias daqueles que acabarão sendo o trio principal e engrenagem motor da trama. E também os encontros fortuitos de linhas narrativas tão comuns a historias desse gênero.

Amberle e Wil depois de escaparem da morte certa com a ajuda de Allanon tem como missão retornar à Arborlon e assim sacramentar o papel da princesa como aquela que é a única capaz de retrazer a sentinela de volta a vida. O detalhe é que ela se acha a causadora do destino da arvore e sofre (antecipadamente) com a culpa por algo que não fez. Wil por sua vez tenta salvar Allanon, ferido gravemente após a batalha com a Fúria, sem saber que o druida tem truques e forças magicas poderosas ao seu favor. A perda temporária de rumo acaba levando os dois de encontro a Eretria. A garota que recebe como missão juntar Wil e as pedras élficas novamente, visto que seu pai Cephelo, líder dos nômades quer deter magia para si.

No reduto dos nômades as coisas ficam mais claras entre o trio e provável triangulo amoroso da série. Mesmo que humana e elfa não se entendam, Eretria prefere manter a honra de “matar” com razão e não como o pai deseja. O desvio também serviu para que Wil testasse um pouco do sangue da dinastia salvadora das Quatro Terras e utilizasse pela primeira vez as Pedras Élficas, mesmo que ele não soubesse o que estava fazendo nem os efeitos que isso teria com ele. Eliminar a Fúria foi mais fácil com magia e serviu para acender ainda mais o desejo de Cephelo de dominar o poder que elas contem, mesmo sem saber o preço pago.

Com Allanon salvando mais uma vez a dupla e os efeitos (sangrentos) dos ataques demoníacos nas vilas das Terras do Oeste sendo vistos pela primeira vez. Nessa parada antes da chegada no reino élfico ficamos conhecendo Bandon. Os motivos de ele ter sido preso daquela forma e de como ele possui a mesma “sensitividade” de Amberle ainda são um mistério que deve ser melhor explorado no decorrer da série. Porém em Arborlon prevejo um golpe e talvez uma possível tomada de poder entre os Elessendil. Arion não está nada feliz com as atitudes que o pai Eventine está tomando e isso pode levar a uma troca de poder no reinado élfico, ainda mais agora que todos sabem que Wil é o último descendente de Shannara e de uma linhagem muito mais poderosa que a deles. Mas por hora quem tem o destino posto em prova é Amberle. Como única capaz de levar a semente de Ellcrys para o Sepulcro e colocá-la no Fogossangue e assim fazer com que a sentinela continue viva, ela deve enfrentar uma batalha dentro do coração da arvore contra seus piores medos e tensões. Só assim ela pode ser aceita para cumprir a missão.

Continuando com o ritmo fluido e com a mesma qualidade visual de seu piloto, The Shannara Chronicles demonstra não ser somente um genérico de fantasias épicas. A jornada está só começando e a batalha pelo destino das Quatro Terras promete ser interessante.

Glossário das Quatro Terras:

Fúrias: demônios alados capazes de cortar carne humana com suas asas afiadas. Provavelmente de inspiração grega, onde as fúrias eram espíritos da vingança vindos do inferno mitológico deles.

Sepulcro e Fogossangue: O Sepulcro é o local onde a semente do Ellcrys deve ser depositada para dar origem a uma nova, logo após ser mergulhada em Fogossangue, chama mágica. Sua localização é um mistério a muito guardado.

Proibição: lugar para o qual os demônios foram banidos após a batalha que perderam.

 

Folhas do Ellcrys 1: Não bastando Manu Bennett e John Rhys-Davies, temos mais um egresso dos filmes de Peter Jackson na série: Jed Brophy, o Dagda Mor. Além de ter sido um dos anões em “O Hobbit” (Nori) e feito vários orcs em “O Senhor dos Anéis” ele já participou de “Legendo of the Seeker”, “Xena” e “Hercules”;

Folhas do Ellcrys 2: Gostando bastante da coragem visual de colocar vísceras penduradas de um cadáver em uma série “adolescente”;

Folhas do Ellcrys 3: Mais shirtless e situações constrangedoras nesse episódio.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.