A facilidade que os americanos tiveram nas batalhas mostradas nos episódios anteriores a esse deixou a sensação de que somente os perigos do acampamento na selva eram uma ameaça aos americanos, e que a população de ratos e caranguejos assustava mais os fuzileiros navais que os próprios japoneses. Aparentemente, em Peliliu tudo mudou.

Spoilers Abaixo:

Com Melbourne ainda recente na memória, os combatentes alimentavam a expectativa de uma nova folga após outra conquista, mas ao invés disso foram mandados para Pavuvu, uma ilha quase imperceptível acima de Guadalcanal, e que na descrição deles próprios era o “lugar mais nojento abaixo do sol” . Além desse choque comparativo que existiam entre os lugares, a campanha nessas pequenas ilhas que não deveria durar mais que dias se arrastou por meses e o rápido avanço sobre o território japonês não dava trégua pra nenhum dos lados. Conforme a ofensiva americana se intensifica, fica nítida a exaustão dos soldados da marinha que, pouco a pouco, vão sufocando o alcance do Império Japonês, como é mostrado nos mapas interativos que atualizam o Teatro de Operações do Pacífico que limita as fronteiras marítimas do Japão a cada batalha perdida.

A abordagem de alguns temas que já foram usados é reciclada sob o ponto de vista deslumbrado dos personagens recém introduzidos na série, e mostra como a unidade reagia à chegada dos novos recrutas e as primeiras impressões que os inexperientes combatentes tinham dos preparativos que antecediam o confronto.  Portanto no início destacaram-se as cenas que retratavam o convívio dos soldados, que sobreviviam nas condições precárias dos acampamentos, e como na adversidade o laço entre os que estavam lá há mais tempo e os mais novos se fortalecia, provando não haver nenhuma grande diferença que os separava que não a desconfiança. O desconforto dos fuzileiros navais que ainda lutavam no Pacífico era contrastado com a comodidade que o Sargento John Basilone vivia, agora que estava de volta ao seu país e gozava do prestígio e estrelato que acompanhavam os heróis que vendiam bônus de guerra.

Mas a parte mais marcante do episódio foi o desembarque em Peliliu. A seqüência inteira é ótima, desde os minutos que precedem a invasão, onde os olhos se acostumando com a claridade vão aos poucos identificando o cenário do campo de batalha conforme a vista se adapta ao ambiente, até a chegada dos botes anfíbios as areias da ilha. O mérito da equipe de direção está em tornar palpável o clima entre os soldados, e realçar os pequenos detalhes que facilitam a compreensão do medo que eles compartilhavam. Cada cena é uma demonstração do virtuosismo técnico de seus realizadores, seja na ansiedade provocada pelas sirenes que preparavam as companhias para o ataque, seja nos pingos de água que caiam neles anunciando a proximidade das bombas que atingiam o mar. O clímax chega ao confronto em terra, quando as tropas americanas desembarcam embaixo de tiros e as baixas que antes pendiam para os japoneses agora se equilibram. Em cada plano nota-se a influência das outras obras de Spielberg e a qualidade que o acompanha. A câmera de mão próxima a Eugene quando uma bomba estoura ao seu lado e todos os impecáveis efeitos especiais (vou relevar a explosão do bote) são algumas provas da qualidade que acompanha o produtor.

Uma analogia da Segunda Guerra Mundial com o Grand Canyon resume a quinta parte de “The Pacific” reforçando a importância do testemunho de quem presenciou a história, sem depender exclusivamente das evidências visuais (justificando talvez os depoimentos nas aberturas). De certa forma é um jeito honesto de dizer que não importa o realismo das cenas nem a evolução técnicas de filmagem, eles nunca poderão imprimir a profundidade do que os combatentes experimentaram . Não existe gancho melhor do que a expectativa deixada pela ótima impressão de um episódio.

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