Um episódio bom para a semana e ruim para a série.

Eu lembro da primeira review que escrevi para The Originals. A série tinha acabado de voltar de hiatus, todo mundo estava curioso para ver se a “nova” Rebekah prestava, e ainda tinha um monte de histórias ganhando força por causa dos membros revividos dos Originais. E era um período para se empolgar! The Originals começou uma série de tramas que atiçou nosso entusiasmo e que queríamos ver onde chegaria.

De fato, a coisa parecia tão bem construída que minhas primeiras palavras na review foram “Ciúmes! Traições! Mudanças! The Originals voltou e sabe exatamente onde quer chegar”.

Bom, a série está chegando onde queria sim. Tudo aquilo que foi apontado desde aquela época está caminhando para uma conclusão: Rebekah se adaptando ao novo corpo, Klaus protegendo a filha a qualquer custo, Hayley tomando as próprias decisões, Elijah tendo vida própria, Freya conquistando espaço na família e Dahlia vindo reinvindicar Hope. Mas os passos para chegar nisso são, na melhor das hipóteses, abaixo da qualidade que sabemos que a série consegue chegar.

Uma vez, quando eu tinha uns sete anos, meu pai descolou uma viagem para Caldas Novas para nossa família. Naquela época nós não tínhamos muito dinheiro pra gastar com esse tipo de coisa, então a ideia de ir para um hotel com piscina aquecida e tobogã me fez pirar. A questão é: eu não lembro de nada do hotel. Nada, nada, nada. O que eu lembro, e está impresso na minha memória eternamente, é da viagem. De fazer guerra de fandangos com meus irmãos no banco de trás. De comprar aquele pozinho colorido que explode na boca num posto macabro na estrada. Dos meus pais contando histórias da época em que moravam em Manaus e a série de bichos que tentaram comer eles vivos (nunca se mude para vilas em construção perto de florestas).

E eu tenho certeza de que o hotel foi o máximo – não existe nada mais feliz do que um moleque num tobogã -, mas o que realmente me faz olhar para trás e ter saudades daquela viagem foi cada quilômetro rodado dentro daquela caminhonete apertada, pelas rodovias sinistras da Goiás dos anos 90.

Então eu preciso ser sincero com vocês. Eu realmente tentei gostar desse episódio. Sério. Eu estava tão decidido a curtir cada minuto dele que até assisti o “Anteriormente, em The Originals”, coisa que eu não faço em nenhuma série. Mas não deu.

E não é que eu achei o episódio ruim. Pelo contrário, foi bem legal. Teve lutas, traições, lágrimas, tudo que precisa para um episódio emocionante. Mas é que cada parte que eu curti nele foi bruscamente cortada, sem nunca chegar a um clímax. Sabe aquela expressão “coito interrompido”? Pois é. Do que adianta ter bons personagens em uma boa história se você nunca consegue ver mais do que alguns minutos deles? Ou um episódio bom para a semana, mas que prejudica todo o potencial da série?

Vamos lembrar que não estamos assistindo um curta-metragem de dez minutos. É uma série de mais de vinte episódios por temporada , que tem como obrigação cuidar para que cada personagem seja desenvolvido dentro da trama maior da temporada, ao invés de usados e descartados de repente.

Mas vamos lá… Hora de falar do que teve de bom e do que poderia ser melhor.

KLAUS VS/& MIKAEL

Klaus e Mikael sempre foram um dos maiores temas em The Originals. O filho bastardo odiado pelo pai abusivo sempre foi um assunto forte na série e, pela primeira vez, conseguimos enxergar os dois em um contexto diferente: como aliados. Ou, pelo menos, tão aliados quanto conseguiriam ser. Klaus e Mikael sempre foram muito mais parecidos do que admitem: ambos são movidos por ódio e desconfiança (fruto dos traumas em seus passados) e justamente por isso vivem um ciclo vicioso de amargura. Ao mesmo tempo, o que eles tem de melhor dentro deles é despertado pelo amor às suas primogênitas. Logo, apesar de todo o rancor entre eles, protegê-las de um inimigo em comum foi um fator forte o suficiente para uma aliança temporária – rendendo algumas das melhores cenas do episódio.

E bote “temporária” nisso. Por mais que “Klaus & Mikael” fosse algo destinado a terminar em sangue, simplesmente não dá para engolir que descartaram essa nova dinâmica tão apressadamente.

Todos já sabíamos que Mikael nunca conseguiria matar Klaus e que, eventualmente, ele teria de ir embora. Não faz o menor sentido apressar esse resultado inevitável e sacrificar todas as cenas que ainda poderíamos curtir com essa nova dinâmica até lá.

Mais uma vez, para nossa infelicidade, The Originals mandou embora um personagem antes mesmo de aproveitar todo seu potencial.

HAYLEY & JACKSON

E o que dizer de Hayley e Jackson? Era esperado que, em algum momento, eles declarariam independência do Klaus. Essa semana ficou comprovado que ela já não confia mais na proteção do híbrido, mas, no final, acabou não dando em nada e as cenas com eles não acrescentaram muito.

AIDEN & JOSH

Aiden está perdidinho e não é nenhuma surpresa. Por um lado ele tem o amigo a quem deve sua lealdade, mas por outro tem um híbrido milenar que pode matá-lo em menos de um segundo. Fora isso, ele tem que se preocupar com o futuro do clã e, convenhamos, não é o Josh que vai dar os conselhos que ele precisa. Não Josh, ser responsável por um clã inteiro não é a mesma coisa que ter amigos. E, sejamos sinceros, nem isso você tem. O que você tem é a Davina e a garota passou dias desaparecida, quase morreu, e você nem tchum.

FREYA

E por falar em lealdade, um dos maiores questionamentos ultimamente era a de Freya. Quem estava certo? Elijah e Rebekah em aceitá-la de braços abertos ou Klaus de desconfiar até do último fio de cabelo loiro dela? Rebekah começou a duvidar também, mas acabou que Freya realmente estava do lado deles. Bom, de todos eles, menos de Klaus – que certamente não vai ganhar uma estrelinha na testa depois de matar Mikael.

Aliás, nós nem sequer conseguimos ver Mikael e Freya juntos direito, antes de se livrarem dele. Outro ponto pesando contra a despedida precoce do personagem. A pior parte é que, apesar de ter sido uma cena emocionante (Klaus precisando de respostas, Mikael se conformando com seu fim e Freya desesperada), não dá para engolir que ela ficou parada lá. Todo aquele poder e ela simplesmente aceitou que não tinha o que fazer?

Mas esse é o mal de The Originals: tudo precisa funcionar em prol do Klaus. Tramas são cortadas precocemente, personagens fortes ficam fracos e até mesmo o roteiro perde a coerência. Independente disso, custava ter o Elijah (ou outro personagem que sabe do perigo de Mikael) ter “matado” a Freya para ela não interromper o Klaus? Faria muito mais sentido do que vê-la chorando como uma garota indefesa.

DAHLIA

Depois de trinta mil “Dahlia is coming” eu esperava bem mais da chegada dela. Os Mikaelson tem essa tendência em se apresentar primeiro possuindo os outros, então foi bem legal ver a tia levando a técnica a outro nível (como se já não fosse constrangedor o suficiente ter muita gente te olhando em circunstâncias normais). Mas o embate com Klaus e Mikael foi bem meh. Klaus lutando contra várias pessoas ao mesmo tempo? Por favor, temporada passada ele lutou com a mesma quantidade de gente e eles eram VAMPIROS. Pessoas sendo arremessadas pelo ar na igreja mais profana de New Orleans? Pfff. Da última vez tinham bruxas fazendo um parto macabro e a Hayley morreu. Inimigos desaparecendo assim que você se lança contra eles? Dahlia é parente do Loki, agora?

A atriz é fantástica (aqueles olhos são dela mesmo ou são lentes? Dá até medo olhar direto pra eles.), mas depois de gerar tanta expectativa em cima da mulher que é “completamente trevas” era preciso algo mais macabro e assustador. Não um repeteco de tudo que já vimos.

Apesar disso, ainda estou empolgado para vê-la nos próximos episódios. Quanto mais perto Dahlia fica de Hope, mais personagens se juntam contra ela e mais intensa a história fica.

JOSEPHINE

Josephine era uma personagem interessante e os embates verbais com Elijah eram sempre algo bacana de se assistir. Ela era uma ponte para toda a comunidade de bruxos que raramente temos a oportunidade de ver em The Originals e eu esperava que o relacionamento dela com a Freya viesse a ser uma trama na série. Mas não, tinham que colocar ela num barquinho com o Mikael e mandar os dois pra se encontrar com Esther, Sophie e cia.

É mais difícil manter um líder pros bruxos em New Orleans, do que um professor pra Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts.

E esse foi “Night Has a Thousand Eyes”, galera. Aiden não sabe o que fazer, Rebekah não sabe o que fazer, mas, pra bem ou pra mal, Klaus SEMPRE sabe o que fazer (e geralmente envolve matar alguém).

– Dahlia nem sequer deixou a Josephine terminar a música. Você passa muito tempo numa caverna e seus modos vão pro espaço.

– Aparentemente não é grande coisa andar com estacas por aí em New Orleans. Numa cidade infestada por vampiros, os lojistas tem que conhecer seu público mesmo.

– Como Josephine e Mikael morrem, mas o Josh CONTINUA vivo, eu não sei. Mas é bom os personagens secundários começarem a esfregar a cabeça dele pra dar sorte.

E vocês, o que acharam do episódio? Dahlia era o que vocês esperavam ou realmente precisava de algo a mais? Comentem aí e vejo vocês semana que vem com “When The Levee Breakes”, com mais Dahlia e o retorno da psicóloga mais amada/menos remunerada de New Orleans.

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