De forma mais natural, o enredo de The Night Manager começa a se desenvolver acelerando um pouco mais o ritmo. A trama de espionagem toma forma e a rede que liga Londres a operação de Pine fica mais próxima, de ambos os lados. Com o passar do episódio é possível entender o motivo dos três primeiros terem sido tão frenéticos e até um pouco confusos.

Everyone’s attracted to you. Who are you?

– Jed

Nessa nova fase da minissérie, depois de apresentados os personagens e fatos fica fácil acompanhar o progresso do plot. Jonathan Pine está cada vez mais inserido na operação de Roper, seu papel undercover quase alcança o impecável se não fosse por um fator. A mania de transformar o espião em um playboy womanizer é contagiante pelo visto, o gosto de Pine por mulheres “proibidas” é inconveniente.

Também no lado de Richard Roper, Jed já não aparenta mais a tola que se fazia de cega. A chegada de “Thomas” trouxe uma espécie de epifania para a monótona vida de socialite dela, a personagem pode contribuir muito para a trama e surpreender dependendo do rumo que escolher. A revolta dela pelas descobertas feitas sobre Roper é notável, a mudança do alias de Pine pareceu contribuir bastante na questão e abalar um pouco mais a confiança dela nos dois; apesar de que com “Andrew” ela foi mais compreensiva.

A nova identidade de Jonathan, Andrew, ficou muito encaixada na sua verdadeira operação e o êxito da missão dele é enorme. Ele ainda tem grande chance de usar Jed pra derrubar Dick e Angela sabe disso, mas a proximidade com a namorada de Roper é um deal breaker. Jonathan, por vezes, é muito volátil, essa proximidade dele com as mulheres envolvidas nas missões é bem perigosa. O personagem não parecia o tipo womanizer quando trabalhava no hotel, fica estranho forçarem isso pra encaixá-lo no contexto do que acham que é espionagem.

Mayhew é um personagem que poderia aparecer mais, o chefe de Burr sempre aparentou ousado, corajoso e disposto a contornar as dificuldades pra Angela. Seria interessante explorar mais o plot que o envolve, é bem traçado e parece fazer bastante sentido. Rex contar pra Pamela, a chefe dele, foi um erro grotesco ainda mais por ele saber que tem pessoas do governo envolvidas na corrupção, porem o fato acelerou a trama de forma inimaginável.

Mesmo com o fator womanizer de Jonathan, Roper parece cego quanto as intenções dele e isso fica parecendo um pouco amador; apesar de Jonathan ter entrado muito bem no personagem interpretado pro vilão, um homem do calibre de Richard deveria ser mais cauteloso. Por outro lado, a cena de Corky ajuda mais a proximidade de Jonathan na operação de Roper, além da parte cômica que envolve sempre esse personagem. Contudo, Lance ainda pode surpreender e atrapalhar Andrew se ele não se atentar a certas coisas, assim o enredo fica até mais crível.

Os codinomes desvendados com a ajuda de Alo ajudam muito a missão de Angela não ser sabotada, também propiciaram o timing perfeito para que esse plot não ficasse arrastado sendo revelado somente no final da série como de costume. Halo ser o MI6 e Felix a CIA facilitando pro Roper em troca de mais fundos é um catalizador enorme para o enredo ficar extremamente envolvente, a melhor coisa de séries de espionagem são as conspirações descobertas ao longo das operações.

A morte do Apo foi uma cena muito impactante, mostrou que a série não tem motivos para segurar pontos chave como esse até o último momento e complicou algumas coisas tirando o obstáculo de outras. Joel procurando alguém na casa de Alo ficou sem muito suspense, poderiam ter colocado um pouco mais de expectativa para essa descoberta, ainda mais para quem não leu a obra de Le Carre.

Enquanto Joel descobre Apo, Andrew encontra mais problemas. Angela fez certo em querer dispensar o Pine, o envolvimento dele com Jed compromete toda a operação e é bem lógica a raiva de Burr, um asset fora de controle é uma faca de dois gumes. Entretanto é impossível não admirar a destreza e determinação de Jonathan ao enganar os agentes do MI6 e sua handler, talvez não tenha sido a melhor estratégia, mas com certeza foi ousada.

We’re being watched

– Andrew

O episódio partindo do cliffhanger do anterior ficou muito melhor, a sequência foi mais natural e a confusão notada nos três primeiros episódios sumiu. O elenco é muito talentoso e com a melhora do roteiro a sensação é de que agora sim a série anunciada está mais compatível com as expectativas de todos que aguardaram ansiosamente por essa trama. Encaminhando para a sua conclusão, The Night Manager é definitivamente um must see.

Gray Area: Jonathan é nato na espionagem, ele é discreto e bom com pessoas. O protagonista tem suas falhas, mas é acima da média.

White & Black: na cena de Corky com a salada de lagosta, John Le Carré faz um cameo (bem no estilo Alfred Hitchcock, discreto e sensato).

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