Muito da operação Genoa não funciona mais para mim, mas apesar da derrapada de One Step Too Many, a safra de bons episódios continua.

Algumas resenhas atrás eu disse que Genoa poderia ser melhor se não tivessem trazido Jerry de Washington para ser o culpado pelo fiasco e agora eu atesto que sim, poderia ter sido. One Step Too Many afundou todo esse arco ao colocar toda a culpa em Dantana, que em sua avidez, manipulou tão mal o vídeo da entrevista que é possível ver o jogo de basquete pulando em quadros desconexos.

Eu ainda não sei como vão mostrar que o restante das provas que o News Night compilou é falso, embora esse seja o caminho mais provável. A sucessão de coincidências para que Genoa ser falsa e a culpa ser apenas de Jerry foi tão forçada que ofuscou um bocado um episódio tão bacana. Não fosse Genoa, seria um episódio sobre a vida das personagens, o que eu adoro. Muitas das pontas soltas que o salto de seis meses deixou foram respondidas e eu fiquei contente com as respostas.

Will e Nina Howard estão namorando e MacKenzie sabe e eu simplesmente adorei quando ela chama Nina de Lady Macbeth! À princípio eu torci o nariz para Will e Nina como um casal, como mais uma pedra no caminho de MacAvoy, mas eu sinto que as coisas podem melhorar. As cenas romantiquinhas dos dois foram meio difíceis de engolir, mas eu gostei de toda a discussão da audiência gostar ou não de Will e, é claro, Will jogando futebol americano no programa matutino, cena que por pouco não ilustrou esse texto, de tão nonsense e ótima.

Do outro lado dessa história, tivemos a ótima cena entre Mac e Don, que tocaram em assuntos importantes. Don acompanha o que tem acontecido com Maggie, pelo menos e não dá uma chance a Sloan por ser o chefe dela. Ainda bem que Mac o corta na hora porque isso não é motivo que se preze. O restante da conversa focou na questão de ser ou não ser Jim – Shakespeare, de novo! – o que foi bacana de ver em pratos limpos.

Jim provavelmente será o herói de Genoa, já que ele está no red team e contra Genoa e Jerry Dantana ao mesmo tempo. Eu achei todas as suas cenas com Maggie, Hallie e Taylor boas mas eu senti que elas funcionaram mais por causa das mulheres que pelo próprio Jim, cuja aventura para transar com Hallie soou Neal demais para o meu gosto.

Allison Pill estava ótima o tempo todo e eu quero muito ver o que acontece até ela tingir o cabelo de vermelho. O episódio foi bem dividido mas eu queria que tivéssemos visto mais de Maggie. E é com esse sentimento que eu me despeço, querendo ver alguma coisa a mais ou alguma coisa a menos em The Newsroom e nunca ficando 100% satisfeita. Será que um dia eu chego lá?

Outros pontos:

– Eu entrei no site do Soho Grand Hotel NYC e a suíte mais barata custa 1.059 dólares. Jim não compra um vestido que custa mais que o carro dele, mas aluga um quarto de hotel que custa “três anos de salário” só porque não vê a namorada há um mês. Nada que envolve sexo e Jim me convence, assim como Neal e seus casinhos.

– Falando em Neal, nada de Shelly ou do Occupy.

– Não gostei que Sloan já estava levantada e com a poeira da história das fotos íntimas sacudida. A indicação ao Emmy de Olivia Munn está garantida, para quê gastar mais tempo de tela com essa história, não é mesmo?

– Shakespeare é o novo Miguel de Cervantes? Já compraram o Macbeth ou o Henrique V de vocês?

2×07: Red Team III

Se tem uma coisa que eu gosto é de ser surpreendida e foi isso o que senti vendo Red Team III, o terceiro de uma ótima safra de episódios.

Red Team III contrariou todas as minhas expectativas. Eu não esperava ver o fiasco Genoa acontecendo, mas sim mais pessoas contando o que aconteceu. Eu não esperar ver a culpa ser dividida entre Jerry, Mac, Will e Charlie. Eu não esperava ver a equipe do News Night e do Right Now brigando entre si por causa dos buracos na história de Genoa. Red Team III puxou o meu tapete de baixas expectativas e entregou um episódio muito bom, melhor que o anterior e menos melhor que o quinto, o meu predileto de toda a série.

A primeira surpresa do episódio foi o processo que temos acompanhado não ser um que envolve difamação pela mentira que foi Genoa, mas sim a tentativa de Jerry Dantana de conseguir cinco milhões de dólares. Eu ainda tenho dificuldade em aceitar o tamanho da besteira que Jerry fez, mas ele funciona melhor que os Lansing como vilão. Ele é tão ávido quanto a equipe do News Night mas meteu os pés pelas mãos, o que mostra o que pode acontecer quando se tem as boas intenções do 2,0 mas não o autocontrole. Os melhores momentos de Thew Newsroom trabalham com esse paralelo. Na primeira temporada, um dos melhores momentos foi quando Sloan reportou o desastre de Fukushima.

Eu ainda tenho alguns problemas com o fato de Jerry ter sido um canalha completo de processar o canal. Não é algo que Sloan teria feito, por exemplo. Mas eu acho que isso é uma consequência do formato de retrospectiva da série, pois ela precisaria trazer alguma espécie de consequência para Genoa sem que essa consequência crescesse a ponto de influenciar a linha do tempo real que Sorkin reproduz, onde nada disso aconteceu. É por isso que a história se encaixa logo após várias notícias importantes e impactantes, como os ataques de Benghazi. A reação blasé do Pentágono reforça ainda mais o artifício e ainda funciona bem dentro da narrativa da série, criando tensão.

Ainda sobre o processo, eu gostei de ver como Sorkin não diminuiu o erro de MacKenzie, quando ficou evidente que ela errou tão feio quanto Dantana. Claro que o dela não foi deliberado, mas não é o tipo de erro que uma jornalista com o cacife dela comete e sai ilesa. Tirando Jerry, ela é a quem teve mais culpa, já que Will e Charlie foram enganados pela fonte, que foi a maior derrapada que eu vi num episódio de The Newsroom, porque nunca um episódio conseguir ir do bom ao terrível de uma cena para outra. Toda a vingancinha foi melodramática, uma virada de novela mexicana de baixíssima qualidade. Pronto, tirei isso do caminho.

Embora eu tenha achado forçado todas as menções ao jogo de basquete que Will estava vendo, o jogo de basquete na edição do depoimento, do relógio duplo nos jogos e do relógio enorme que um aleatório resolveu trazer para MacKenzie, só para mostrar que ela só percebeu tudo por coincidência, eu fiquei encantada com o trabalho de Emily Mortimer neste episódio. A câmera não fugia dela em momento algum e a atriz aguentou firme.

Ao final, tivemos a cena de Leona confrontado o trio e decidindo não aceitar suas demissões. Jane Fonda estava linda e plena gritando com todos os três e eu gostei de vê-la franca e honesta ao falar o que pensa sobre o canal e o News Night. Uma cena ótima que não deveria ter sido cortada tão abruptamente como foi, pois dá vontade de ver mais, mais e mais. Essa foi a sensação que este episódio deixou, mesmo com a tosqueira melodramática com direito a tapa na cara. Que venham os dois últimos episódios e que eles sejam tão bons quanto.

Outros pontos:

– Adorei a advogada praticamente dizendo que a culpa de tudo era de Jim, quando ele claramente culpava Dantana. Adorei todas as cenas de Rebecca Halliday.

– Gostei de que o ponto de vista de Jerry, que destoa bastante do restante da equipe, recebeu o mesmo tratamento textual do ponto do de Jim, por exemplo. Já não gostei tanto de muitos terem, infantilmente, apoiado Jim quando ele não conseguia dar um motivo decente para não reportar Genoa.

– Eu queria ter visto a cena de Maggie cortando o cabelo cronologicamente. Esperei por isso, mas acho que não vai chegar.

– Se a temporada terminar com o publico ainda desconfiando da equipe do ACN, imagina que temporada linda não deve ser eles se esforçando para consegui-la de volta.

The Newsroom retorna somente no dia 8 de setembro.

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