
Nos quatro episódios que precedem Amen, The Newsroom mostrou seus pontos fortes quando focava na urgência dos bastidores, e seus pontos fracos quando tentava ser uma comédia física e textual. Neste quinto episódio, porém, a série junta esses dois pontos num só. A mistura, longe de perfeita, nos entregou o melhor episódio da temporada.
Spoilers Abaixo:
Eu comecei o texto com um elogio, mas não se engane — a série está longe de atingir as expectativas que os vídeos promocionais e os trabalhos anteriores de Aaron Sorkin elevaram. Alguns leitores comentaram que os meus textos apresentam um pouco de má vontade com a série. Mas não é. É apenas esperança de ver uma série melhor. Em minha opinião, ela ainda precisa de mais para ser uma das melhores coisas na tevê atualmente.
O episódio desta semana, por exemplo, foi o melhor da série até então. Mas precisava melodramatizar ainda mais algo que já é dramático, como o desaparecimento de um jornalista estrangeiro, por responsabilidade de um canal americano? A falta de sutileza é um dos principais problemas da série, que acaba nos tratando da mesma forma condescendente e manipuladora que a mídia que ela tanto critica faz.
Não sei se vocês perceberam, mas a série sempre acerta quando mostra as consequências do jornalismo politicamente correto do News Night — que agora está contagiando todo o setor jornalístico da emissora, haja vista o comportamento de Don e Elliot. Episódio passado, as tentativas amorosas e bebidas na cara de Will viraram notícia. Neste episódio, as coisas tomaram proporções maiores e supreendentemente, um novo alvo: Mackenzie – e acertaram em cheio no ponto fraco de Will. Fiquei surpresa ao ver utilizarem a confusão dos e-mails como artilharia e gostei bastante do programa de fofocas matutino intervindo por Charlie. Ainda bem que Will não caiu na cilada de aceitar a chantagem daquela jornalista inescrupulosa, que com certeza iria vazar a notícia da propina. O discurso que ele fez para ela, mais um, foi sensacional e bastante verdadeiro.
Enquanto isso, no outro lado da guerra entre News Night e AWM, ao não abrir mão dos seus novos ideais e preceitos, a estratégia do alto comando do telejornal é continuar confrontando Leona & Cia. Não sei se é uma atitude lá muito saiba provocar a alta cúpula ainda mais, mas, jornalisticamente falando, vem funcionando. Bom, pelo menos dentro dos objetivos de Will & Cia.
Quando Leona disse que sua arma seria demitir Will para manter a integridade jornalística do canal eu fiquei curiosa em como isso iria se desdobrar. Para a minha surpresa, o namorado de Mackenzie era político e a fofoca sobre Mackenzie e seu namorado foi interessante, mesmo tendo tido toques de vilania barata em sua conversa derradeira.
Paralelamente, o jornal cobriu os eventos revolucionários no Egito. Mesmo havendo um certo excesso na parte de Neal — com os laços muito aleatórios com o novo correspondente e tudo mais —, foi positivo tocar na questão do envio de jornalistas ao fogo cruzado. As manifestações da Primavera Árabe não só trouxeram à tona o desejo de democracia desses países, como também evidenciaram os problemas que passam os profissionais ao fazer a cobertura desses eventos. Os relatos de violência (física, sexual, psicológica) por parte da categoria são constantes e preocupantes. O episódio ficou apenas no Egito e seus protestos da Praça Tahrir, mas foi o suficiente para uma abordagem sensível da temática, exagerada em alguns momentos, mas ainda assim válida.
A comédia foi tão física (e falha) nesse episódio que boa parte dos personagens saiu machucada. E mesmo aceitando de bom grado o lado comédia romântica despretensiosa da série e curtindo algumas cenas, ela não vem acertando o tom. Nada contra comédia física, Sorkin, inclusive, já a fez bem nas suas antigas séries, mas com Newsroom muitas vezes parece que estou vendo cenas de um sitcom barato. A parte dramática também às vezes escorrega. O final por exemplo. Toda parte de Will e Mac — ou Kenzie! — culminando no abraço dos dois foi emocionante. O ato da equipe de contribuir financeiramente e aplaudir, digamos, o heroísmo do chefe, também, se não fosse o maldito paralelo com Rudy. Eu fiquei me perguntando do porquê de interromper um episódio para explicar o enredo de um filme. Quando episódio acaba, eu vejo que foi somente para contextualizar o final, que não precisava de contextualização.
Se ainda havia dúvidas sobre o comprometimento de Will, elas já não existem mais. Ele definitivamente tomou uma posição intimidando a jornalista e resgatando o correspondente. Sim, ele continua com sua postura nobre, porém prepotente. Acho que a série sabe, em geral, criticar suas atitudes, mas sabe ainda melhor enobrecê-lo. Ele é “mal visto” por suas ações e temperamento, mas termina o episódio sendo aplaudido como o herói do dia. É como se aquela equipe (encabeçada pelo amor de sua vida) trouxesse o melhor do protagonista. Acredito que isso faça parte do plano de conhecermos melhor o personagem, entre seus defeitos e qualidades, e acompanhar seu caminho, digamos, de redenção. E Jeff Daniels vem fazendo um excelente trabalho nesse sentido.
Além da reviravolta no relacionamento de Mackenzie, dos ataques do 44º andar e das insurreições árabes, os irmãos Koch, os protestos de professores em Wisconsin e o dia dos Namorados também deu as caras na redação de News Night. Apesar de díspares, as histórias casaram bem. A série acaba acertando no que é difícil e pecando no beabá. Para mim o xis da questão é que, seja do lado do drama ou do lado da comédia, a série não sabe a medida certa. Muitas vezes falta sutilidade nas cenas emocionais e sobra canastrice nas cenas cômicas. Enfim, entre mortos e feridos, a série entregou mais um bom episódio, equilibrando algumas falhas, derrapando em outras e agarrando-se naquilo que sabe fazer de melhor.
Outros pontos:
• Foi bom ver um homem fazendo a vez de fofoqueiro, afastando um pouco a concepção que isso é coisa de mulher fútil.
• Está sendo bom também acompanhar a evolução de Don, ou melhor, descobrir novas nuances do personagem que já não é mais o vilão da história. Mackenzie também ganhou pontos comigo nesse episódio. Menos afetação: é esse o caminho.
• Sloan começou a dar aulas de economia para Kenzie, mas tirando umas risadinhas aqui e ali, ainda a acho subutilizada.
• WikiLeaks citado pela segunda vez na série, não duvido que o caso Julian Assange seja uma das próximas notícias abordadas pela equipe.
• O infeliz tiroteio durante a estreia de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge deve virar notícia ano que vem também. Não acham?
• Houve uma faxina na sala de roteiristas de The Newsroom. Sobraram apenas Aaron Sorkin e mais uma roteirista. Só não sei dizer o quanto essa mudança possa ser efetiva, afinal, todos sabem, a exemplo de seus trabalhos anteriores, que quem escreve quase 100% dos episódios e praticamente monopoliza a linha criativa da série é o próprio Sorkin.
• Os irmãos Koch não devem estar muito felizes com as suas frequentes “participações” na série.
Promo do próximo episódio:





















