Tratando do assunto mais importante.

Seria ingênuo definir The Mentalist como algo diferente de Red John. Toda a premissa da série se baseia no serial killer e na forma com que ele se relaciona com Patrick Jane. Assim sendo, quanto mais a trama se aproxima de seu grande vilão, é natural que as histórias passem a se concentrar cada vez mais em esclarecer alguns pontos sobre ele. Nesse aspecto, ainda que a história de Bruno Heller tenha seus problemas, é inegável que ela se saia bem nos momentos em que se concentra em seu grande alvo. Até por isso, ainda que The Desert Rose e Black-Winged Redbird não cheguem a ser brilhantes, são extremamente eficientes em suas propostas.

Ambos os episódios não são profundamente centrados em Red John. Possivelmente isso é parte de uma estratégia de Heller para não explorar excessivamente seu arco principal nos primeiros episódios e ter de passar longas semanas sem sequer mencionar o assassino ou a investigação de Jane. É verdade que essa não é a maneira mais impactante de abordar o assunto, mas é a que mais se adequa ao caráter procedural de The Mentalist, que jamais passará muito tempo sem um caso da semana ou algo do gênero.

Assim, a série utiliza esse primeiro contato da sexta temporada para explorar todos os suspeitos da lista de Jane. Ainda que Kirkland e Stiles apareçam apenas em um momento, e não diretamente, é muito provável que sejam centro das atenções nos próximos episódios. É verdade que a maneira com a qual The Mentalist faz com que todos pareçam repentinamente suspeitos é artificial e incômoda, mas a série faz bem o trabalho de tornar todos igualmente capazes de ser Red John, de maneira única ou combinada, seja lá como Heller tenha decidido seguir sua história.

Em The Desert Rose, temos a figura de Partridge. Por ser um dos personagens com o qual o espectador tem o menor contato, é natural que The Mentalist logo procure descartá-lo, e a maneira ágil com que o faz, utilizando-o como mais um passo à frente de Red John, é esperta e não procura enganar o público por muito tempo, apesar de utilizar praticamente todo o tempo do season premiere para isso. É muito provável que esses descartes se distribuam ao longo da temporada, assim há grandes chances de que o serial killer seja revelado ao final desta (o próprio Heller já admitiu fazê-lo, embora isso não signifique muita coisa).

Já em Black-Winged Redbird, The Mentalist ataca outros quatro suspeitos. Embora Bertram já surja no episódio anterior, é aqui que as suspeitas sobre ele começam de fato a surtir efeito, culminando em um divertido diálogo entre Rigsby e Cho enquanto vão a uma cena do crime. E o surgimento de Smith e McAllister como envolvidos em algum esquema com o chefe da CBI pouco acrescenta de fato à trama, se insinuando mais como algo relacionado a alguma corrupção policial que logo deverá ser relevada para descartar o trio.

Ou não. Na verdade, The Mentalist trata os suspeitos de forma consideravelmente igualitária, de forma a tornar qualquer pista exibida como algo descartável. Não deixa de ser uma abordagem curiosa, já que a série tem um histórico de enganar seu público sem maiores remorsos. Mas aqui, embora a facilidade com que “pistas” são mostradas ao espectador insinue o contrário, o que Heller faz é tornar tudo ainda mais misterioso, ensinando a quem assiste que todos podem ser Red John, assim como todos tem seus motivos para não ser. Se, ao final de tudo, a revelação fizer sentido, essa estratégia terá sido muito válida.

Tudo isso passa pela personalidade de Jane e como ele reage aos acontecimentos. A forma com a qual The Mentalist trata seu protagonista quando Red John está envolvido é interessante, tornando-o mais tenso e desesperado, mas, principalmente, sem saber como agir. A forma destemperada com que ele pede por água quando Lisbon é atacada é um bom exemplo disso, assim como as contínuas mortes de pessoas envolvidas com ele. O que contrasta com a frieza com que continua tratando suas investigações, o que cria um bom retrato do que o assassino representa para ele.

Por falar nos casos, os dois episódios mostram investigações bastante distintas. Em The Desert Rose, a trama que envolve uma pequena cidade é interessante e envolvente, já que mostra todos os suspeitos rapidamente e passa a brincar entre eles. E a cena em que Jane revela o culpado é criativa e se aproveita de diversos elementos já mostrados durante o episódio, o que torna a solução mais crível. Nesse aspecto, The Mentalist tem se mostrado mais inteligente com seus casos, evitando os pecados com finais que aconteciam em alguns momentos de temporadas anteriores, em especial no quarto ano.

Em Black-Winged Redbird, o roteiro de Tom Szentgyorgyi é inteligente em praticamente todos os aspectos. A começar pela cena inicial, que já insinua que a morte de Titus Stone se dá por conta de suicídio. A partir disso, a série constrói bem o background da vítima, levando o espectador a criar em sua cabeça os motivos do suicídio. Por conta disso, a cena em que a prostituta revela o apreço de Stone por se fingir de samurai, e que esses eram os únicos momentos em que ele parecia satisfeito consigo mesmo, é importantíssima para o desfecho do episódio, assim como diversos outros diálogos que fazem com que tudo isso tenha seu sentido.

Assim, ainda que The Mentalist não tenha iniciado sua sexta temporada de maneira a desenvolver com profundidade seu principal arco, ainda é competente com o que se pretende a fazer. Se isso nos levará a um fim satisfatório, só o tempo dirá.

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