
The Mentalist retornando à rotina.
Spoilers Abaixo:
5×14: Red in Tooth and Claw
Não há dúvidas de que a quinta temporada de The Mentalist traz um nível de qualidade que a série não via há anos. Curiosamente, esse fato se reflete na quantidade de “Previously on The Mentalist…” vistos nos últimos episódios, ainda que para retomar tramas menores, sem relações com os arcos principais. E quando a série traz catorze capítulos mostrando uma visão criativa completamente diferente sem a necessidade de troca de comando, é de admirar que esteja conseguindo se renovar dessa maneira. E Red in Tooth and Claw só comprova essa tese.
Escrito por Jordan Harper, o episódio se foca na morte de Linda Parfrey, encontrada espantosamente atirada às minhocas em uma universidade. Ela concorria a uma disputada bolsa, o que pode ter atraído a inveja de alguns de seus colegas. Enquanto isso, Lisbon tenta liberar verbas para que Van Pelt faça um importante curso que melhorará suas técnicas para investigação computadorizada, mas esbarra no mau humor de Bertram, que está cansado de perder no pôquer. É aí que Jane decide ajudar sua colega, mostrando seu vasto conhecimento no nobre jogo de azar.
É interessante que The Mentalist tenha decidido por retomar o arco envolvendo a noite de pôquer que Lisbon passara a frequentar algumas semanas atrás. Primeiro por haver a teoria de que Red John está nessa mesa, e o fato de a série dar importância para essa trama reforça mais ainda a tese. Mas acima de tudo por ser uma atividade de Lisbon fora da CBI, algo que The Mentalist raramente explora, nem com ela nem com nenhum personagem. Até mesmo Jane, o protagonista, não possui exatamente um background reforçado fora da agência, tornando a série excessivamente dependente de seus casos. Diferente de Castle, por exemplo, que aborda pequenos arcos familiares como válvula de escape. É verdade que The Mentalist jamais o fará por não ser de seu feitio, mas é uma limitação que Bruno Heller por vezes precisa contornar, nem sempre com eficácia.
Nesse aspecto, é curioso que Red in Tooth and Claw trabalhe dessa forma para finalmente encontrar uma desculpa para que Van Pelt deixe a série provisoriamente. De fato, já era impossível esconder a gravidez de Amanda Righetti, e The Mentalist já tinha passado do momento de fazê-la desaparecer. Ainda que sua motivação em aprender sobre computadores seja ligeiramente repentina, é interessante que, além de Lisbon, ela também seja tratada com um carinho um pouco maior. Em outros tempos, Heller não hesitaria em repentinamente não contar mais com ela, possivelmente inventando um motivo aleatório que soaria claramente como uma indecisão criativa.
O que envolve até Jane na história. É interessante como o episódio trabalha o protagonista, levantando perguntas sobre as reais intenções do consultor, já que não se sabe se a ajuda a Bertram mostra um grande altruísmo da parte dele ou uma grande vontade de se divertir. Aliás, é sempre eficaz quando The Mentalist investe no personagem como uma pessoa inerentemente dúbia, tomando ações que muitas vezes parecem egoístas mas na verdade não o são, e vice-versa. Além disso, sempre que Jane mostra suas habilidades de maneira mais sutil e sem trapacear as coisas se tornam mais interessantes.
Por sinal, quando Jane resolve dedicar seu tempo ao caso da semana o resultado é igualmente eficaz. Séries como The Mentalist se apoiam no fato de que suas investigações trazem algo a mais, fazendo o espectador se sentir inteligente através de certas sacadas. É o que acontece aqui, visto que Red in Tooth and Claw se foca principalmente nas habilidades do consultor, fazendo com que cada diálogo com os suspeitos sejam importantes, além de criar divertidos diálogos, conduzidos com grande clareza por Randall Zisk, diretor do episódio. Tudo isso torna o desfecho da trama bastante crível, já que o assassino demonstra com clareza suas motivações, evitando a sensação de que o desfecho da história acontece de maneira aleatória, como em outras ocasiões.
Até mesmo no que diz respeito a Cho e Rigsby o episódio acerta. A pequena rixa entre os dois, bem como grande parte de suas conversas, como a que o primeiro afirma “ter parado de fazer perguntas há muito tempo”, funcionam por trazer um alívio cômico pouco usual para The Mentalist, mostrando que a série tem maior habilidade hoje em aproveitar todos os seus personagens, garantindo alguma função para todos.
Ainda que não possa ser incluído entre os melhores exemplares desta quinta temporada, Red in Tooth and Claw é eficiente em sua proposta, jamais permitindo que o fato de não ser um episódio focado em tramas principais atrapalhe a narrativa. Essa é a iniciativa que sempre falto em The Mentalist, e que a série parece ter finalmente encontrado.
5×15: Red Lacquer Nail Polish
Red Lacquer Nail Polish definitivamente não parece um exemplar da quinta temporada de The Mentalist. Retomando velhos vícios encontrados em anos anteriores, a série parece se esquecer de todo o seu desvio criativo para se tornar mais agradável e menos repetitiva. Mais que isso, tenta voltar a apostar em grandes clichês narrativos para criar algo que não acrescenta nada para seus personagens, ainda que tente vender uma imagem da existência de alguma relevância.
Escrito por Eoghan Mahony, o episódio trata da investigação do assassinato de uma socialite, encontrada queimada em sua casa. O que faz com que a CBI procure o responsável por tal crueldade, passando por todas as pessoas envolvidas em sua vida, mostrando que ela tinha sérios problemas com diversas pessoas, exceto pela mulher que a ajuda a navegar com seu barco. Enquanto isso, Rigsby tem problemas para aceitar que Van Pelt não está tão interessada nele quanto ele nela, motivando algumas provocações por parte de Cho.
Essa trama paralela em Red Lacquer Nail Polish é exatamente o que faz do episódio tão abaixo do nível desta temporada. Toda a obsessão de Rigsby por Van Pelt é algo já exaustivamente explorado pela série, e já rendeu todo o caldo possível. No entanto, The Mentalist parece querer investir nisso de novo, e o faz de forma tão repentina que não consegue soar mais que desespero para que Rigsby tenha alguma função na série. Assim, chegam a ser vergonhosas as investidas do roteiro nessa trama, como quando exibe uma sala repleta de ruivas, insinuando de forma nada sutil sua paixão por Van Pelt. São coisas como essa que The Mentalist deveria abandonar de vez, mas parece muito apegada aos erros de seu passado.
Por conta disso, o episódio lembra bastante outros tempos da série, investindo em histórias com pouca ou nenhuma relevância para os personagens, apenas acreditando que um bom caso da semana é o suficiente para tornar a história atrativa. É verdade que estamos no meio da temporada, momento em que é natural a diminuição de ritmo. Mesmo assim, é diferente desacelerar as coisas de mergulhar The Mentalist em um completo marasmo mais uma vez.
Na verdade, a investigação é até bem trabalhada, utilizando uma abordagem narrativa bem estruturada, transformando a vítima em uma figura misteriosa que precisa ser desvendada tanto quanto seu assassinato. Assim, cada diálogo com os familiares é importante para que o desfecho faça sentido, o que torna a reviravolta menos repentina, já que soa como mais uma atividade escusa da socialite, ao invés de uma desesperada tentativa de chocar o espectador. É interessante quando procedurais promovem esse tipo de inversão de papeis, o que quebra a repetitividade. Assim, é natural que os saltos promovidos pelo roteiro sejam todos focados nessa quebra de paradigma.
Ainda assim, a investigação traz velhos vícios de The Mentalist, como a insistência em criar certos suspeitos para serem descartados em seguida, ou pelo fato de fazer com que a investigação gire em círculos, retornando a pessoas já descartadas anteriormente sem grandes motivos aparentes. Assim, ainda que o episódio seja muito competente em estabelecer suas reviravoltas, cria uma forte sensação de que a série procura apenas preencher seus quarenta minutos com qualquer coisa, pouco se importando com a qualidade dessa trama. Em outras palavras, ainda que Red Lacquer Nail Polish tenha uma casca interessante, lhe falta um recheio menos insosso.
E se Red John é mencionado no final do episódio, é apenas para que tenha a desculpa de que em algum momento cita o serial killer. Não é compatível com a atual fase de The Mentalist, de forma alguma.














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