
Com três episódios tão distintos, tanto no assunto como na qualidade, The Mentalist parece fugir da mesmice que vinha assombrando a série. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Spoilers Abaixo:
Sei que atrasei (e muito) as reviews de The Mentalist. Nesse fim de ano a correria foi muito maior do que eu esperava, e minhas séries todas ficaram atrasadas, tanto para escrever como para assisti-las. Agora, com o começo de 2011, as coisas voltarão ao normal e suas reviews estarão no blog em um tempo aceitável. Espero que entendam a situação e aceitem minhas sinceras desculpas.
É fato que The Mentalist já teve momentos mais regulares. Quando a série estreou, na fall season de 2008, o sucesso de audiência foi tremendo, e a série desbancou a aguardada Fringe como hit da temporada. O sucesso foi tanto que Simon Baker conseguiu ainda uma indicação ao Emmy de 2009, como melhor ator em série dramática. Mas já na segunda metade da primeira temporada a série mostrou sinais de cansaço em sua fórmula, e quando a fall season de 2009 veio e com ela a segunda temporada de The Mentalist, os roteiristas não conseguiam mais produzir episódios com histórias interessantes, prendendo-se a uma mesmice, deixando de lado até o ácido humor de Patrick Jane, que tornou-se cada vez mais amargurado. Nessa terceira temporada, a série termina 2010 com um balanço neutro, mostrando em alguns momentos que ainda consegue divertir seu espectador, mas abusando da inteligência do mesmo em outros.
3×08: Ball of Fire
Nesse episódio, Jane é sequestrado por uma pessoa misteriosa. Cabe então à CBI investigar o desaparecimento de seu consultor. Para isso, investigam cada caso em que Jane trabalhou desde o começo de sua partipação na agência. Em sua investigação, chegam ao Dr. Wagner, capturado por Jane no episódio piloto da série. Evasivo, o doutor deixa claro que existe alguém muito irritado com o ex-vidente. Enquanto isso, Jane vira-se muito bem com sua sequestradora, uma vingativa garota.
Ball of Fire pode perfeitamente ser considerado como o melhor episódio dessa terceira temporada, e facilmente um dos melhores da série. Pela primeira vez, os roteiristas deixaram Jane de fora de uma investigação, envolvendo-o no caso de outra forma. O resultado disso foi um perfeito desenvolvimento do roteiro, em que a equipe da CBI consegue finalmente ter destaque. E embora fique claro que Lisbon e cia não tenham presença para segurar uma série inteira, aqui vemos uma excelente participação deles, que conduzem bem a investigação.
Mas o melhor do episódio é sem dúvidas a interação entre Jane e Rachel, que marca o outro lado das investigações conduzidas pela CBI. Enquanto em todos os episódios da série os coadjuvantes raramente foram tratados como mais que simples coadjuvantes, e nunca tratados como o “outro lado da moeda”, aqui vemos uma garota com um poço de mágoas guardadas por Jane, o que trouxe uma nova perspectiva dramática para o episódio, além de uma sólida atuação de Baker, que há tempos não conseguia brilhar. Some-se a isso o brilhante diálogo conduzido pelo competente diretor Stephen Gyllenhaal entre Lisbon e Wagner na prisão, com um eficiente jogo de sombras, e entendemos o porquê de Ball of Fire conseguir prender tanto a atenção do especador.
3×09: Red Moon
Aqui, Jane e a equipe da CBI está diante de um serial killer, e com um MO dos mais peculiares. Um assassino de policiais, em uma cidade interiorana da California. Durante a investigação, recebem a ajuda de um suposto vidente: Ellis Mars, que jura que o assassino segue as fases da lua para atacar suas vítimas. Jane então usa as maluquices de seu “colega” para conseguir resolver o caso. Além disso, Red John volta a ser citado, ao supostamente estar envolvido com Todd Johnson, que acaba sendo queimado vivo em sua cela, na sede da CBI.
Red Moon é facilmente o episódio mais fraco dos analisados nessa review tripla. Com uma trama arrastada e sem nenhuma novidade pertinente para o espectador, o episódio se coloca como um dos pontos baixos dessa irregular temporada. É verdade que a chance do envolvimento de Red John com Johnson abre uma boa possibilidade para os próximos episódios, mas como isso ocorre nos minutos finais, ficamos um bom tempo lutando contra a vontade de desistir de assistir ao episódio. Com Mars temos momentos divertidos, devido aos seus insanos devaneios, mas o personagem não mostra a química necessária com Jane, que poderia trazer melhores situações. O consultor, aliás, está bem apagado, talvez pela atmosfera sonolenta criada pela direção, que reflete também no restante da equipe. Aliás, Lisbon e Van Pelt não conseguem repetir os bons momentos de Ball of Fire e colaboram com o mau desempenho do episódio em geral.
Enquanto o caso em si não traz nada de novo e os personagens mostram-se apagados, a chance de Red John poder novamente ser abordado, e dessa vez de maneira mais séria, é um ponto positivo para a série. Imagino que os roteiristas tenham a sensibilidade de perceber que tornar a trama do serial killer demasiada longa possa prejudicar o desempenho da série de maneira definitiva. Não vejo como o arco passar dessa terceira temporada sem ficar evidente a encheção de linguiça. A série precisa de uma nova trama, que possa trazer novo fôlego à série. Além disso, um bom desfecho do plot de Red John traria uma maior empolgação ao espectador, e diminuiria a irritação por alguns absurdos que a série comete (o desaparecimento de Kristina que o diga).
3×10: Jolly Red Elf
No último episódio de The Mentalist em 2010, temos um caso com tema natalino acima de tudo. Após o assassinato feito para parecer suicídio de um Papai Noel por hobby, a equipe da CBI é chamada para descobrir o culpado pelo crime, depois de chegar a conclusão que realmente houve um. Enquanto isso, a CBI traz J.J. LaRoche para investigar o assassinato de Todd Johnson, no episódio anterior. Jane surge como principal suspeito do crime, uma vez que foi o último que viu o criminoso vivo, além de Johnson antes de morrer ter pedido para falar exclusivamente com Jane, o que causou maiores suspeitas. Acreditando que o envolvimento de Red John no crime é evidente, Jane procura Minelli, antigo chefe da CBI e agora aposentado, para acionar seus contatos em busca da lista de suspeitos de LaRoche.
Depois dessa breve descrição, comecemos a análise do episódio em si. É muito bom quando uma série se despede de um ano com um ótimo episódio. Isso revitaliza o desejo de espectador de continuar assistindo à série. Causar ansiedade é um recurso que precisa ser bem dominado por qualquer produção para TV, se quiser manter sua audiência. Jolly Red Elf faz bem isso, sem precisar de um cliffhanger atirado nos últimos segundos para isso. Além disso, LaRoche surge como um personagem com potencial para criar um excelente conflito com Jane, coisa que não víamos desde a morte de Bosco. Sua investigação sobre a morte de Johnson renderá ótimos momentos para a série, além de finalmente termos um arco para ser desenvolvido, coisa que The Mentalist carecia bastante.
Fora a história paralela, tivemos o caso principal do episódio. Aqui não tivemos grandes novidades, apesar de que ver um Patrick Jane bêbado acabou tornando a cena final do episódio bem divertida. A investigação é conduzida com um certo cuidado, e a culpa de Layla era de certa forma previsível, embora longe de ser óbvia. O desenvolvimento do caso envolveu algumas desnecessárias investidas, como a convenção dos Papais Noéis, que nada acrescentou ao episódio.
Em um ano em que The Mentalist não conseguiu se manter regular, nada melhor que terminá-lo com a esperança de que 2011 traga melhores momentos para a série. Esses três últimos episódios trouxeram essa esperança. Que venha a segunda metade da temporada!
No twitter: @GabrielOliveira














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