
Depois de duas temporadas totalmente distintas, The Mentalist volta e tenta responder a uma grande questão: a série vai adotar qual postura? A da primeira temporada ou a da segunda?
Spoilers Abaixo:
É inegável que The Mentalist seja um grande sucesso. Com altos índices de audiência, a série provavelmente terá longa vida na CBS, que aposta alto em Patrick Jane e seus amigos. Apesar disso, sua segunda temporada foi infinitamente inferior à primeira, quando a série mostrava inteligentes jogos mentais e casos interessantes, o que me levou a colocar um grande ponto de interrogação em The Mentalist. A série caiu na mesmice, mostrando não só casos praticamente idênticos como soluções absolutamente forçadas e respeitando uma rígida estrutura, levando o espectador a desconfiar do próximo acontecimento apenas olhando pro relógio. Mas, a terceira temporada chega, e com ela a esperança de que a série volte a ser interessante como fora. E, pelo menos a princípio, tem dado sinais de que está conseguindo.
3×01: Red Sky at Night
Pela primeira vez em um episódio de The Mentalist (pelo que me lembro, claro) ouvi a frase “Previously on The Mentalist…”, e confesso que fiquei muito feliz. Gosto quando uma série retoma situações anteriores, mesmo que a série seja um procedural até o último fio de cabelo, o que nem é o caso aqui. Enfim, aqui o que vimos foi uma ligeira continuação em segundo plano dos acontecimentos do finale da temporada passada (o próprio nome do episódio passa essa impressão de continuidade). Jane está incrivelmente transtornado pelo desaparecimento de Kristina e tem de trabalhar no caso do assassinato de Peter Russo, motorista de Harvey Dublin, famoso advogado, que se encontra desaparecido. Logicamente o stress de Jane atinge níveis estratosféricos, e ele, que nunca foi exatamente um cara discreto com suas palavras, dá a entender que não passa por um bom momento distribuindo coices.
Ao contrário da esmagadora maioria dos casos da temporada passada, esse apresentou algo diferente. Além de um Jane muito mais melancólico e descuidado do que em outros tempos, o próprio caso mostrou-se interessante. Primeiramente por envolver um sequestro de uma figura importante. Além disso, o fato de Jane não estar nos seus melhores dias tornou o desenvolvimento do caso interessante. Lisbon mostrou o quanto aprendeu a manipular as pessoas com ele, e o força a entrar no caso contra sua vontade, com uma chantagem emocional das mais óbvias, mas que ele não pôde evitar. Da mesma forma, o bom humor voltou a aparecer, principalmente com Cho. Ele sempre foi um escape da série para isso, devido a sua rigidez, que torna situações como a de uma viúva se derramando em lágrimas em algo engraçado.
Gostei muito de ver o cuidado que tiveram na caracterização de Jane, antes sempre bem arrumado e vestido, e agora com a barba por fazer. É fato que isso é obrigação de qualquer diretor meia-boca, mas a série não vinha apresentando nada que me fizesse acreditar em um cuidado desses. A introdução de um novo personagem, Bertram, me parece que vai trazer para Patrick alguns bons momentos, já que os dois não se deram bem desde o primeiro momento.
3×02: Cackle-Bladder Blood
Logo nos primeiros minutos do episódio, Jane atende a uma ligação de uma pessoa que há muito tempo não tinha notícias. Na cena seguinte, aparece flagrado pela polícia segurando a arma utilizada para um assassinato. Trata-se de Danny Ruskin, cunhado de Patrick e grande golpista, que se envolveu no crime mas jura que não é o culpado. Jane agora tenta de todas as formas não só proteger o parente, como descobrir se ele de fato está envolvido com o crime ou não. Para isso, se indispõe com Lisbon e com o Detetive Reece.
Confesso ter achado que a cena de Jane segurando a arma fosse um flashforward, mas fico feliz por ter me enganado. O corte para a polícia invadindo o local logo tornou a situação mais ágil, e até mais divertida. Além disso, achei logo de cara que a culpada seria a irmã, Melanie, pelo tom demonstrado na primeira conversa com Cho e Rigsby. Novamente, me equivoquei, apesar de já termos visto muitas vezes na série a culpada ser a esposa. Independente disso, o desenvolvimento do caso foi muito interessante, uma vez que pudemos ver a aplicação de vários golpes, com Danny e Jane agindo em conjunto. Os dois formariam uma grande dupla se trabalhassem juntos. Um tem uma visão muito ampla das coisas, enquanto o outro é esperto para enganar ou outros. Gostaria de vê-lo mais vezes na série, e acredito que isso vá acontecer num futuro próximo, já que o personagem continua livre. Além disso, as investigações foram conduzidas de forma a existir uma certa ambiguidade e não dar margem para termos certeza da inocência ou culpa de Danny, e isso foi feito com eficácia.
Além do próprio desenvolvimento do caso, tivemos um aprofundamento tanto na personalidade quanto no próprio passado de Jane. Apesar de ele pagar de durão, fica evidente que as mortes de sua esposa e filha ainda o afetam consideravelmente, principalmente após o desaparecimento de Kristina no finale da temporada passada. Pelo desenvolvimento do roteiro nesses dois primeiros episódios, tenho a impressão que o que veremos nessa temporada será exatamente algo mais reflexivo em torno de Jane. Cansei de reclamar que a série não desenvolve seus coadjuvantes de forma satisfatória, mas é inegável que a série trate de Patrick e de sua epopeia contra Red John, então é óbvio que ele terá um destaque muito maior que os outros. Ainda quero que alguns personagens recebam maior atenção e acho que a série necessite disso pra ter maior coesão, mas por enquanto entendo a necessidade de explorar o lado de Jane.
Com dois episódios que superaram em muito minhas expectativas, tenho maior esperança que a temporada será de bons frutos e que a série volte a divertir como antes. Só temo pela possibilidade de os erros da temporada passada prejudiquem a audiência da série, que tem caído.
Obs: Normalmente costumo fazer análises mais profundas dos episódios, mas como trata-se de um review duplo preferi não sobrecarregar o leitor com uma quantidade muito grande de texto. Semana que vem farei uma análise mais completa do próximo episódio.














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