
E não é que The Mentalist finalmente planeja desenvolver um arco interessante?
Spoilers Abaixo:
Há tempos venho reclamando que The Mentalist abre mão de desenvolver uma maior continuidade à sua história. Sei que muitas séries como CSI, NCIS e derivadas sofrem desse mesmo mal e nem por isso deixam de ser um sucesso. Mas The Mentalist desde o seu episódio piloto propôs-se a ser diferente. E para isso, é necessário que a história faça sentido e prenda o espectador até o próximo episódio. Bloodsport, apesar de cometer alguns erros, consegue atingir essa proposta eficientemente.
A equipe da CBI é chamada para resolver o caso do assassinato de Charlotte Mitchell, uma escritora que fazia pesquisas pra seu novo livro, sobre a luta entre Manny Flaco e Rowdy Merriman. Mitchell foi morta durante a luta e os principais suspeitos são os envolvidos na luta, como os lutadores, o empresário Len Artash e o treinador de Falco, Suge Lima. Jane passa a usar então suas habilidades de dedução para descobrir o verdadeiro culpado pelo crime. Enquanto isso, LaRoche continua com sua investigação sobre a morte de Todd Johnson, interrogando dessa vez Rigsby, que se enrola durante a entrevista e acaba fazendo o investigador desconfiar da integridade dele, devido a um suposto envolvimento com seu pai, um criminoso de primeira.
Após esse pequeno resumo do episódio, começo minha análise pelo caso da semana. Bem estruturado, o roteiro nos apresenta ao crime cometido contra a escritora em uma inteligente e ágil sequência, em que ao mesmo tempo em que Merriman é derrotado por Flaco no ringue, Mitchell é encontrada morta. Isso é suficiente para que o espectador tenha certeza que nenhum dos lutadores matou a mulher, mas ao mesmo tempo desperta a sensação de que um deles esconde algo.
Após a introdução do caso, vemos Jane mostrando suas técnicas de dedução de um modo divertido, brincando com coisas como observar os movimentos dos lutadores e dar dicas para um experiente treinador. O que torna The Mentalist uma série interessante é justamente os momentos em que Jane explora seu lado pseudo-vidente, sem que o personagem pareça arrogante como em alguns episódios anteriores. Além disso, dessa vez Jane pareceu parar de brincar com sua equipe, colaborando mais do que de costume para a investigação, sem perder sua admiração pelo quebra-cabeça.
Mas não é só de Jane ou bons momentos que vive Bloodsport. Apesar do desenvolvimento do roteiro ser adequado, o episódio comete alguns erros, como no momento em que o ex-treinador de Flaco,Floyd Benton, é preso e interrogado por Lisbon. A discussão sobre o uso de esteróides em atletas até é válida, mas a forma como foi colocada no episódio fez toda a cena parecer desnecessária, além de contribuir muito pouco para a solução do caso em si. Além disso, o desfecho do caso caminhava muito bem, até que o roteiro parece querer se apressar sem nenhum motivo, tornando o final do episódio um tanto quanto socado, quando dois culpados surgem em menos de 3 minutos de tela. É uma pena que os roteiristas tenham tido uma falta de cuidado tão grande em um episódio em que tudo corria tão bem.
Apesar do caso ser interessante do ponto de vista narrativo, a premissa dele não é tanto. Não é a primeira vez na série que vemos coisa parecida, com relação a esportes. É verdade que é praticamente impossível variar assuntos tanto assim, principalmente quando a série vai ganhando muitas temporadas, mas seria interessante que a série inovasse mais de vez em quando, como em Ball of Fire.
Terminada a discussão sobre o caso da semana, é hora de analisarmos a continuação da investigação de LaRoche. Na review passada, afirmei que a entrada do personagem faria um bem para a série, e fico muito feliz em ver que estava certo. Além de garantir à série o desenvolvimento de um arco diferente do de Red John (apesar de provavelmente ele se ligar ao serial killer de alguma forma), passamos a ter bons momentos com os coadjuvantes da série, agora aproveitados adequadamente. É verdade que a atuação de Owain Yeoman é fraca e não consegue causar no espectador a tensão da discussão de Rigsby com LaRoche, mas duas coisas são importantíssimas nas interações entre os dois. Primeiro, Cho mostra ter um senso de amizade fortíssimo, e agora está envolvido até o pescoço no atrapalhado esquema do amigo. Além disso, como pudemos ver nos últimos segundos do episódio, numa hábil mudança de foco, Jane sabe que LaRoche está investigando Rigsby. Estava imaginando se em algum momento do episódio a lista de suspeitos conseguida por Minelli seria aproveitada pelo roteiro, e lá está. Pelo olhar de Jane, Rigsby é um dos suspeitos de LaRoche, e a entrevista não foi por simples rotina. Com certeza o investigador descobrirá as falcatruas de Rigsby, e a coisa ficará bem feia para ele. Não vejo nenhum motivo de Rigsby ter matado Johnson, mas o fato de ele figurar numa lista de suspeitos será importantíssimo para o personagem.
Com um episódio competente que consegue trazer ao espectador a expectativa de ver o capítulo seguinte, The Mentalist mostra que tem a intenção de conectar melhor suas histórias. Curiosamente, a audiência aumentou consideravelmente nesse episódio, o que mostra que o público é bem sensível às melhoras.















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