Amigos, após um episódio com bons momentos, mas que não me agradou tanto, que felicidade termos, na minha humilde opinião, um dos melhores (se não, o melhor) episódio de “The Mandalorian”!

Como eu destaquei na semana passada, o episódio desta semana traz de volta Miggs Mayfeld (Bill Burr), que apareceu anteriormente no capítulo 6 do primeiro ano. Mando precisa do criminoso, pois este trabalhava para o Império, portanto pode conseguir a localização do Cruzador de Moff Gideon, e que participação boa! Da primeira vez que o vimos, o personagem até foi interessante, mas foi totalmente trabalhado como um antagonista unidimensional e irritante, o que muda neste episódio. Mais para frente volto a falar sobre isso.

E como de praxe, sem enrolação, o episódio já começa com Cara Dune tirando Mayfeld da prisão. A reação dele quando vê Boba Fett e joga um “Puxa, por um segundo achei que você fosse um outro cara”, só para logo em seguida ver o Mandaloriano, é impagável. Falando em Boba Fett, depois de tanto tempo com aquele “look” surrado, já era hora do Caçador de Recompensas dar uma polida na armadura, que ficou tinindo com uma nova pintura. Apesar da Disney não ter anunciado uma série para o personagem no Evento desta sexta, onde diversas produções foram oficializadas, acho muito improvável que não tenhamos uma história solo do anti-herói em breve. Outra coisa bem legal aqui é a Slave 1, a nave de Boba Fett, que é mostrada por dentro pela primeira vez EVER! (Ok, ela foi mostrada em “O Ataque dos Clones”, mas aquela parte maior que gira toda é novidade pelo que eu sei!) e apesar de ser apenas um detalhe, é muito legal poder ver a maneira como a nave “estabiliza” os tripulantes quando decola e pousa. A turma vai então para Morak, planeta tropical e humilde que está sendo explorado pelo Império, e enquanto decidem quem vai se infiltrar na base, o episódio flerta pela primeira vez com a possibilidade de Mando tirar o capacete, quando ele coloca a mão na parte lateral em um momento de dar um frio na barriga. Falarei mais sobre isso em breve.

Quando eu falo que este pra mim é um dos melhores, se não o melhor episódio de toda a série, é porque tudo aqui foi feito com excelência. Um dos meus momentos favoritos deste capítulo cheio de eventos marcantes, é a conversa entre Mayfeld e Mando no veículo Imperial. Este momento não só escancara para o público a confusão e hipocrisia do protagonista para com suas crenças, mas também toca um pouco em Geopolítica! Como Mayfeld diz, “Império, Nova República. É a mesma coisa para esse povo. Invasores…” Estas questões políticas são muito interessantes de serem trazidas para um universo de fantasia como o de Star Wars. Creio que isso só aproxima aquela Galáxia ao nosso mundo, com todas suas complexidades e dificuldades. Será que a paz é realmente possível em um Universo tão gigantesco e plural como este? Acredito que não, como Mayfeld diz, “Em algum lugar desta galáxia alguém está governando, e alguém está sendo governado”. Ponto de vista interessante e discussão madura que George Lucas não trabalhou em sua Trilogia Clássica, quando coloca a queda do Império como resultante de uma paz aparentemente eterna. Não julgo, os filmes eram mais simples lá atrás, mas gosto de ter um conteúdo que flerta, mesmo que ocasionalmente, com algo assim.

Falando agora de outro aspecto do capítulo, a ação deste episódio está sensacional! O veículo de Mando e Mayfeld está carregado de Rhydonium, substância altamente volátil e explosiva, e o roteiro usa esse elemento para desenvolver uma dinâmica que não poderia ser mais divertida e tensa, visto que eles não podem sequer acelerar muito, pois isto explodiria a substância. O confronto entre Mando e os Piratas em pleno movimento é muito bem filmada e novamente brinca com a possibilidade de vermos o rosto de Din quando sua armadura começa a ser destruída pelos inimigos. O diretor do episódio, Rick Famuyiwa, voltou a mostrar que se garante na direção da série. As coreografias de luta também estão no ponto, e a tensão em ver aquele tanto de bomba quase explodindo é muito efetiva. Esta é pra mim uma das melhores sequências de ação de toda a série, o que não significa tanto, já que “The Mandalorian” constantemente entrega ótimos momentos de pancadaria. Outra coisa interessante mostrada é a capacidade de Mando em combate sem o uso de “gadgets”. Nós estamos acostumados a vê-lo usando uma infinitude de equipamentos, e aqui ele dá um baita trabalho para os piratas só com o corpo a corpo.

E como o próprio Mayfeld disse, eu não consigo pensar em outro momento em que senti felicidade em ver Stormtroopers e TIE Fighters e até torci para eles. A recepção dos Imperiais também faz a audiência ver aquele grupo de uma forma mais humana ao comemorar e parabenizar seus companheiros após uma vitória. Humanização esta que será discutida em breve. Mando e Mayfeld chegam na base, então, e assim… Era óbvio que Mando iria mostrar seu rosto depois de todas essas provocações? Era. Isso diminuiu o impacto do momento? De forma alguma. O que mais me agrada é todo o desenvolvimento que a série deu para esta mudança do personagem. O primeiro momento que iniciou Mando neste novo caminho foi no Finale do primeiro ano, quando tira o capacete para o IG-11, seguido por seu encontro com Bo-Katan, que claramente planta dúvidas em sua cabeça. Depois disso, nós temos Din levantando o capacete até a boca, como destaquei na Review do Capítulo 12, coisa que nunca havia feito. E para finalizar toda esta saga, temos todos estes momentos que mencionei no decorrer do texto. Isso meus caros, é desenvolvimento de personagem em sua forma mais pura e feita de maneira acertadíssima. Baita trabalho de Jon Favreau, que deve ter sido quem planejou tudo isso. Porem, nós já tínhamos visto o rosto de Mando, então porque este momento é tão especial? Porque aqui ele coloca pela primeira vez algo a frente da conduta que seguiu durante toda sua vida, ou melhor, alguém: a criança. O peso emocional que aquele “Eu vou perder o garoto para sempre” emana é absurdo. Sensacional, apenas.

Troopers combatendo os Piratas em “The Believer”.

Falando agora de Pedro Pascal, não tem muito o que dizer. Que presente poder vê-lo como Mandaloriano durante todo esse tempo. O ator consegue passar a sensação de extremo desconforto perfeitamente, especialmente na cena da cafeteria, que novamente brinca com a tensão e com a antecipação. A atuação de Bill Burr também não fica para trás. O arrependimento, desprezo e trauma de Mayfeld não poderiam ser mais evidentes, e o momento em que ele atira no Oficial, fecha muito bem esse arco do personagem, que foi apresentado como um antagonista irritante anteriormente, e em apenas 38 minutos teve todo um desenvolvimento e fechamento de arco incrivelmente satisfatório.

A cena de fuga também é super divertida, com Stormtroopers levando tiro pra tudo que é lado e Cara Dune e Fennec Shand dando aquela boa cobertura de longe. Mando e Mayfield, fogem, então, na Slave 1, onde o Ex-Império finalmente explode o Rhydonium na base, provando para Dune (que lutou do lado oposto durante a guerra, e evidentemente o desprezava), que seus sentimentos para com o Império mudaram completamente. Isso se ele não foi coagido a trabalhar para o Regime, visto que durante aquela conversa no veículo ele fala um pouco sobre isso, apesar de não afirmar que foi realmente obrigado. E antes do fim do episódio, ainda dá tempo de uma referência! Aquele dispositivo absurdo usado por Boba Fett para destruir as TIE Fighters é chamado de “Sysmic Charge”, que foi apresentado em “O Ataque dos Clones” durante a perseguição entre Jango Fett e Obi-Wan.

“Em breve ele estará de volta comigo. Ele significa mais para mim do que você imagina”. Esta é a frase que Mando usa para dizer a Moff Gideon que ele vem aí. Foi taticamente inteligente dizer ao seu inimigo que você está atrás dele? Não, mas o efeito dramático compensa completamente um detalhe desses. O mais interessante, é que isso é exatamente a mesma coisa que Gideon diz para Mando no Capítulo 8, quando tem Cara Dune, o sumido Griff Carga e o próprio Mando reféns em Nevarro. Muito legal ver como a exata mesma frase pode ter significados completamente diferentes dependendo de quem a diz, e de seus objetivos. Que roteiro redondinho, dá gosto! Antes de terminar, o Season Finale promete demais em episódio que tem o potencial de entregar algo ainda mais absurdo para uma série já gigante.

“The Mandalorian” entrega desenvolvimento de personagem e ação frenética em um de seus melhores episódios.

REVISÃO GERAL
Nota:
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