Agora vai, hein.

Se concentrando numa primeira metade em que priorizava o desenvolvimento da trama e dos personagens, The Legend of Korra volta a nos trazer dois episódios focados na ação, mas apresentando também ótimos elementos além das lutas, como a dinâmica entre seus personagens.

Em Battle of Zaofu a tensão estabelecida com a chegada das tropas de Kuvira avança rapidamente para o estágio seguinte, a partir do momento em que a Grande Unificadora usa um discurso intimidante caso a cidade se recuse a se render. Interessante notarmos que a manipulação da palavra está presente desde o começo na série, chegando ao auge em sua segunda temporada com Varrick usando o discurso em seus “movedores” para incitar a guerra civil entre as duas tribos da água. Todo antagonista de Korra apresenta, até certo ponto, um bom argumento para justificar suas ações, o que explica como todos eles tinham seguidores. Eram líderes natos, e todo ditador, seja de que tipo for, tem que ser um líder, e isso se aplica também à Kuvira.

O que eu mais estou gostando na temporada é não somente o destaque, mas também à importância de Varrick para a trama. Se num primeiro momento parecia que o personagem tinha voltado para o lado negro da força, agora essa dubiedade caiu por terra (sem trocadilhos) e se tem alguém que pensa rápido sobre pressão, é ele. Ri muito de todas as cenas dele, em especial àquela em que ele ameaça Junior com a bomba, explicando o porquê de ele ter um timer e um controle remoto. Bolin é o personagem perfeito para dividir a cena, pois seu timing cômico também é muito bom, e com os dois juntos em tela, a coisa fica ainda melhor.

A luta entre Korra e Kuvira ainda não foi “a” luta, mas já serviu como um bom aperitivo antes do prato principal. Além de muito bem coreografado, a postura e tom de voz dos personagens foram precisos para dar o tom de superioridade que a vilã atualmente tem. É interessante notar como nada é desperdiçado, inclusive na roupa dos personagens. Seja pelo realismo das rasgaduras de Korra ou pela utilidade prática dos adereços de Kuvira, o aspecto técnico e o nível de detalhes foi muito bem explorado no episódio.

Novamente o que me incomodou no episódio foi Meelo. Não sei se sou eu que estou de birrinha, mas o personagem está muito chato nesse livro. Até o tom de voz está insuportável. Tudo bem que é importante quando cada personagem desenvolve uma personalidade própria, mas a falta de humildade dele soa não só está irritante como é incoerente. Vindo de uma família de monges que carregam a cultura dos Nômades do Ar e que até pouco tempo eram os últimos de sua nação, onde foi que ele aprendeu a ser desse jeito? Um dos lemas mais básicos dos nômades é que eles não utilizam violência, como a Jinora fez questão de salientar para Opal, mas o moleque parece que ignora isso e quer sair por aí dando porrada no primeiro que aparece. Está na hora de acertarem a medida com ele.

Já em Reunion, temos o Time Avatar se reunindo novamente, com exceção de Bolin, que ainda está em sua jornada com Varrick. Aqui as duas tramas paralelas funcionam muito bem, conseguindo uma ficar sempre em pé de igualdade com a outra. As duas cativam da mesma forma o público, em muito pelo ótimo roteiro de Michael Dante Dimartino, que conseguiu equilibrar de forma satisfatória os conflitos, ações e alívios cômicos presentes no episódio.

O capítulo conseguiu reforçar bem a importância e personalidade de Varrick, que tem sido um dos meus personagens favoritos desde que ele apareceu. Se no primeiro confronto com os Mecatanques de Kuvira o larápio não teve nenhuma utilidade, agora novamente ele colocou sua genialidade para funcionar, desta vez em prol do time. As doses de ação e comédia nesse plot estavam na medida certa, conseguindo elevar ainda mais a qualidade do episódio. Para mim um dos melhores momentos do episódio foi quando, apenas pelo olhar, Bolin e Varrick bolam um plano. A forma precisa como Varrick pula no momento exato em que Bolin faz seu movimento mostra o quanto os dois estão afinados e em sintonia. Bolin também melhorou muito desde que se voltou contra Kuvira, e até mesmo suas técnicas de luta estão melhores do que antes. A forma como ele dobrou a lava com os pés enquanto estava com as mãos amarradas, além de plasticamente bonita, mostra como as dobras podem ser melhores exploradas e saírem um pouco daquela forma mais tradicional da série, com as mãos, como se fosse magia do Dragon Ball.

Seguindo o nome do livro, a forma como as duas tramas do episódio ficaram equilibradas se mostra muito acertada. Também tivemos boas doses de ação e humor no plot da reunião do time, o sendo o segundo item representado aqui pelo Príncipe Wu. Kuvira, mesmo sem aparecer em cena, mostra que não está para brincadeiras e fará tudo para se manter no poder, incluindo raptar o legítimo herdeiro do trono do Reino da Terra.

É importante notar que o que foi mostrado nos outros episódios não está sendo desperdiçado, e a técnica aprendida por Korra para localizar pessoas através das raízes das árvores espirituais mostra o aprendizado e amadurecimento da Avatar, fatores que serão decisivos no confronto definitivo com Kuvira. As cenas de ação se mostraram tecnicamente bem feitas, principalmente as de perseguição pelas ruas de Republic City, que lembra um pouco a nostálgica primeira temporada.

A reunião do time serviu para entrosar novamente os membros, que estavam distantes por três anos. Essa sincronia também será importante na conclusão do arco, então já foi bom a primeira discussão ter sido agora, para que o roteiro foque daqui para frente no que for realmente importante. Fui só eu ou mais alguém sentiu falta de um momento ainda mais Korrasami no reencontro das duas? Acho que isso é algo que só ficará na imaginação dos fãs.

Nos trazendo dois ótimos episódios para embalar a temporada, The Legend of Korra “did the thing” e agora nos resta torcer para que a qualidade se mantenha nessa segunda parte da jornada.

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