O último homem na Terra é um Miller. O último homem no espaço também. Quando The Last Man on Earth estreou em março, não faltaram elogios à toda a criatividade e originalidade entregues pelo piloto. O que prometia ser uma série diferente, no entanto, acabou caindo na mesmice sobre sexo que assombra a maioria das sitcoms atuais. As questões sobre o que é viver em sociedade e sobre a natureza humana em sua versão mais primitiva ainda estavam presentes ali, mesmo que escondidas, mas perderam força a cada episódio em que Tandy evoluía para voltar atrás no episódio seguinte. Mas os capítulos recentes deram sinais de que ainda havia como salvar a série. Será que “Screw The Moon”, o último episódio da temporada, conseguiu esse feito?

O sentimento de inferioridade que Tandy sente em relação a Phil fica ainda maior no season finale quando o protagonista percebe como Carol é especial em sua vida. Pena que ela não retribui o sentimento logo de cara. A decisão de fazer o protagonista se apaixonar por Carol de verdade era o caminho inevitável da série, já que, desde o início, os dois personagens funcionam como opostos que se completam, por mais que muita gente não goste da moça. Só que as mentiras e mais mentiras que inventava – inutilmente – para se mostrar melhor que aqueles que acreditava serem seus competidores finalmente levam o grupo de Tucson a perder a paciência com Tandy. Sem a intervenção de Todd e até de Carol – mais decepcionada do que com raiva das atitudes de Tandy –, cabe ao novo Phil Miller expulsar o protagonista de sua própria cidade.

Enfrentar a realidade de ser expulso de seu próprio lar traz à tona um lado quase esquecido de Tandy: mesmo sendo um adulto, Phil ainda não amadureceu por completo. A jornada do protagonista durante essa temporada era justamente chegar a um ponto em que parasse de dar um passo à frente para voltar dois no episódio seguinte. O fundo do poço em que foi jogado dessa vez – completo com papel higiênico como alimentação – parece fundo demais para que Phil consiga sair sem ajuda; bom, então, que Carol tenha conhecido o lado mais frágil de Tandy e entenda que ele precisa de ajuda para se tornar uma pessoa melhor. Essa é mais uma prova de como os dois se completam e se precisam.

Quando tudo parece resolvido após Tandy ter sido perdoado pelo grupo mais uma vez, o novo Phil Miller revela que seu lado intimidante e mandão é também seu lado maníaco. Nada justifica largar uma pessoa no meio do deserto, mas o interessante nisso é que é possível entender a linha de raciocínio do bonitão, já que tudo que ele queria era um bom lugar para viver com seu grupo e Tandy representa uma ameaça a esse equilíbrio. Sem esperanças de sobreviver, Tandy – agora Phil novamente – é salvo por Gary (a bola de vôlei) e Carol, que decide arriscar e se entregar para o sentimento que já vinha nutrindo pelo protagonista há algum tempo, por mais que tivesse dúvidas se esta era a melhor atitude a ser tomada. Os dois (e os amigos imaginários do bar) dão às costas a Tuscon e seguem em direção a lugar nenhum, e, ainda que cheios de falhas, unidos pela primeira vez.

Preocupado em encerrar os arcos dos personagens principais, o season finale é o primeiro episódio que equilibra a trama do protagonista com as histórias dos coadjuvantes de maneira acertada. Assim, Todd e Melissa ainda têm tempo para firmar seu romance de vez. Sem medo de deixar seus sentimentos pela loira bem claros, Todd continua insistindo que a ama mesmo que ela não o ame de volta, e, para a surpresa até da própria Melissa, ela também se declara para ele (a química entre os dois às vezes chega a ser mais forte que a entre Will Forte e Kristen Schaal). É engraçado falar de equilíbrio entre personagens coadjuvantes quando Erica e Gail continuam sem personalidade nenhuma e o desfecho do novo Phil também não tenha sido mencionado. Todd e Melissa com certeza voltam para a próxima temporada, mas será que os outros três vão continuar morando na antiga vizinhança de Tandy/Phil ou vão seguir outros caminhos? Perceber que isso não faz diferença é ainda mais engraçado.

Assim, chegamos ao final da temporada de The Last Man on Earth. Mesmo com (muitas) falhas ao longo do caminho, a série conseguiu cumprir seu propósito e ainda encontrou abertura para se reinventar, já que as possibilidades de locais para onde Phil e Carol podem ir são infinitas – além, é claro, da incrível adição de Jason Sudeikis (visto lá atrás, ainda no piloto) como o último homem no espaço e como irmão de Phil Miller. E aí, o que você achou da primeira temporada? Pretende voltar para a próxima (que deve acontecer já em setembro, de acordo com os produtores Phil Lord e Chris Miller)? Aproveitando, agradeço ao pessoal que comentou semanalmente e àqueles que, mesmo sem comentar, acompanharam as reviews aqui do Série Maníacos. Até mais!

Outras observações:

“Geez, haven’t you ever wanted to have sex just for fun?” “Are you kidding right now?”

– TRÊS DIAS comendo papel higiênico. Tá aí o motivo de Phil ser o último homem na Terra, mais forte que isso não existe.

– A musiquinha do Phil pra Carol: <3

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