Um reboot bem eficiente.

Spoilers Abaixo:

Antes de tudo, tenho que deixar claro: adoro “The Killing”. Sei que muitos não concordaram com os caminhos que a série seguiu ou se irritaram com o ritmo mais cadenciado que a narrativa tomava, mas pra mim ela sempre cativou. Confesso, até fiquei triste quando anunciaram o seu cancelamento logo após o fim da segunda temporada. Mas foi um luto que não durou muito e vendo esses dois primeiros episódios da nova fase de “The Killing”, a impressão inicial é que sua ressurreição foi uma decisão acertada.

Acho que o maior erro do seriado na sua primeira temporada foi a divulgação de que a série seria sobre o mistério de quem matou Rosie Larsen. Ao longo dos episódios, fomos vendo que não era bem essa a história que estávamos assistindo, ela era mais sobre reflexos da morte de uma pessoa sobre diferentes núcleos de personagens. O drama, os conflitos, os desenvolvimentos emocionais, tudo isso sempre foi mais importante que a identidade do assassino, e isso irritou a audiência que foi atrás da série movido por essa propaganda enganosa, ainda mais depois do polêmico episódio final da primeira temporada. Já pra mim, a série era sobre Holder e Sarah, tanto que nessa nova fase, eles foram os únicos personagens a retornarem. A química deles me fazia rir e acabei me apegando à dupla, tanto que meu episódio favorito da primeira temporada é o infame “Missing”, que foca mais no passado dos dois. E a boa notícia é que os crimes desta vez envolvem a maior ponta solta das temporadas passadas: o caso anterior de Linden em que um garoto desenhava uma paisagem misteriosa repetidamente. Então, adeus papai Larsen, adeus candidato Richmond e adeus filho mala da Sarah, agora só ficamos com o melhor.

Um grande acerto nesta nova fase da série foi a adição de coadjuvantes extremamente interessantes. A primeira delas é a andrógina tomboy Bullet. A defensora das meninas de rua oprimidas já me cativou e as poucas cenas em que ela teve interação com o Holder foram sensacionais. Na boa, eles dois foram feitos um pro outro. E agora que a sua melhor amiga Kallie deve ter se tornado a nova vítima do assassino misterioso (quem mais acha que o anel azul dela vai ser importante no futuro?), a interação deles dois deve ser ainda maior. Já o outro coadjuvante de destaque é Ray Seward, condenado à morte pelo assassinato de sua esposa e interpretado magistralmente por Peter Sarsgaard. As brincadeirinhas que ele tem feito com os guardas da prisão onde ele aguarda sua execução estão sendo sensacionais. Ele consegue tudo o que quer com suas manipulações. E tudo indica que ele não seja o culpado do crime, apesar de suas atitudes parecerem muito injustificadas no momento. Ainda não consegui criar nenhuma teoria do que realmente move Seward, mas já vibro toda vez que ele aparece na tela. Instigou-me e me conquistou de primeira.

Numa dupla de episódios que serviu como introdução ao novo mundo de Sarah e Holder pós-Rosie Larsen, já vimos que Linden está pronta para voltar ao jogo e que nem tudo era o que parecia ser no seu antigo caso mal-resolvido. A descoberta final dos corpos em decomposição no lugar mostrado pelo desenho do garoto formou um plano belíssimo, planos esses que acompanhado pela fotografia perfeita da série já se tornaram uma das suas maiores qualidades. Podemos concluir agora que os detetives estão, na verdade, em busca de um assassino serial, que age desde a época que Ray foi preso, dando a entender que a sua esposa foi a primeira vítima desse maníaco. Não sei quanto a vocês, mas fiquei louco pra ver mais e estou ansioso para assistir a essas histórias se desenrolando e se cruzando. Sinto que essa nova jornada possa ser ainda mais gratificante que a primeira.

Em Tempo de Audiência: A audiência desta estreia foi similar a do primeiro episódio da temporada passada. Sinal de que o público que acompanhou o caso de Rosie até o final gostou do que viu.

Em Tempo de Outros Novos Personagens: Não sei se esta temporada tentará transformar todos os coadjuvantes em suspeitos. Pessoalmente, acho mais interessante introduzir o assassino como um novo personagem, já mostrando quem ele realmente é. Mas, em todo caso, vamos decorando os prováveis futuros suspeitos: o Pastor do abrigo, o casinho jovem da Sarah, o namorado narcisista da Lyric, o novo parceiro do Holder, o cafetão que estupra Bullet e a namorada do Holder. Bem, a maioria não faz sentido como suspeito, mas está tudo aí.

Em Tempo de Vaquinhas: Achei belíssimo o paralelo da cena em que a Linden encontra as vaquinhas mortas com o lago de garotas em decomposição que ela descobre no final.

Em Tempo de Melhor Frase dos Episódios: “Se você quer agir como homem, eu vou te tratar como homem”. – Stephen Holder esculachando Bullet.

Artigo anteriorTeen Wolf – 3×01: Tatoo [Season Premiere]
Próximo artigoAudiência USA – 31/05 a 06/06/13