Não é extremamente satisfatório quando uma série, após retornar de um hiato de quase um ano e meio, consegue nos blindar com um episódio tão bom quanto os das suas últimas maravilhosas temporadas?

Eu ri. Ri muito. Fazia um bom tempo que não assistia The IT Crowd, mas foi fantástico ver que os atores e suas interpretações (das figuras mais malucas e bizarras de uma empresa britânica) continuam tão afiados quanto antes. Foi bom rever o bobalhão do Roy, o nerd/idiota do Moss, as besteiras da Jen e as bizarrices do Douglas. Tudo estava lá. Exatamente como conseguia me lembrar.

Spoilers Abaixo:

Nessa Premiere, descobrimos de Roy acabou sendo chutado por sua namorada após um longo tempo; que Moss ainda vive com a mente em outro universo, especialmente no universo dos games; que Jen continua tentando subir na hierarquia da empresa; e (não poderia esquecê-lo) Douglas Reynholm, o dono da companhia, que permanece com os mesmos pensamentos machistas e estúpidos, o que, em minha opinião, lhe confere o título do personagem mais engraçado da série. Claro que, para quem assistiu esse retorno triunfal da série, é muita ousadia minha afirmar algo assim. Todos estavam primorosos, na verdade.

Antes de continuar, creio ser importante deixar claro algo logo de início: sei bem que muitas pessoas não apreciam o humor britânico. O consideram chato e muito monótono. Quanto a isso, paciência! Eu pensava o mesmo de The IT Crowd antes de começar a assistir a série. Felizmente, resolvi dar uma chance a ela, e hoje estou aqui, gastando os três parágrafos iniciais dessa review para elogiá-la. Ironia da vida? Pode ser. Mas não tira os méritos da série, que é excelente. Falar de generalidades é fácil, difícil é criticar especificamente.

Vamos, portanto, para a  história do episódio:

A trama inicia-se quando Jenny resolve disputar a vaga para gerente de entretenimento da empresa (algo que todos afirmam não ser para ela). Ela pensando tratar-se unicamente de ter que entreter os sócios da companhia, os levando para festas e shows, mal imaginava, no entanto, que a principal função deste emprego é levar os sócios para bordéis e lhes garantir prostitutas. Mais sem-noção e politicamente incorreta do que as Reynholm Industries (sim, existe um site de mentira da empresa) só mesmo a Veridian Dynamics (da cancelada série Better Off Ted).

Por outro lado, Roy encontra-se numa fase de depressão após o rompimento do seu namoro sério e longo (o que se tratando dele foi uma tremenda conquista enquanto durou). Chegando ao ponto de apagar, via Photoshop, sua ex de todas as fotos em que eles estavam juntos (definitivamente engraçadas as fotos ficaram). Sua principal tristeza, no entanto, foi a garota não ter sequer se despedido dele, o que foi uma “puta falta de sacanagem”. Sem motivos para se alegrar e vivendo numa tremenda fossa, seu desânimo acaba contundo quando Moss… Ops! Estou me adiantando aos fatos. Depois retorno a ele.

Moss, o verdadeiro nerd da série, está projetando um jogo de RPG, usando desde músicas “misteriosas” até um dado com 20 faces (!). Claro, que só conhecemos um pouco do jogo quando Moss começa a jogar com os sócios e faz com que Roy… Ops de novo! Lá vou eu me sobrepondo a linha dos eventos. Também retornarei mais adiante a este ponto.

Por fim, Douglas, o empresário “Cabeça de Merda do Ano” (foi um prêmio que ele recebeu de feministas revoltadas com ele), após relutar um pouco, acaba por contratar Jenny para o cargo (que segundo ele é para homens). Ele, depois de descobrir o que o prêmio significava de verdade, chega a convidar as feministas para mostrar como ele mudou. Não conseguindo via diálogo (o que nunca foi seu forte) resolve dormir com uma delas, que acaba lhe revelando que Jen… Calma! Ainda não é o momento certo.

Só após assumir o emprego (que não a impede de continuar chefe do departamento de IT da empresa) Jen percebe que terá que lhe dar com um bando de tarados e machistas de ternos. Chegando-se ao ponto de Roy compará-la com Fredo, o irmão cafetão de Michael Corleone, o Poderoso Chefão (daí o título do episódio). Claro que não podemos nos esquecer que Fredo acabou m… Quase escrevi! Muita calma gente. Nos próximos parágrafos revelarei tudo que ocultei até o momento.

Contudo, a salvação de Jen vem de onde ela menos esperava: Moss e seu joguinho de RPG. Ao levar os sócios para o jogo, como sua última cartada, inicialmente eles ficam desconfortáveis e chateados principalmente com Roy, que com sua depressão pós-relacionamento estraga o ânimo de qualquer coisa. Jen chega até a ter uma conversa com ele, tratando-o como uma prostituta e ela agindo como seu cafetão, mas a situação do rapaz está péssima. Isso até, já após algumas rodadas (e várias horas), todos estarem mais empolgados com o RPG, inclusive os sócios, que já agem como verdadeiros nerds. A sacada do episódio ocorre mesmo quando Moss, que é o mestre do jogo, finge ser uma garota com quem Roy teve um envolvimento há algum tempo (“três luas atrás”, para ser específico). Claramente, ele se passa pela ex de Roy, que inicialmente fica relutante, mas termina por desabafar como se estivesse falando com sua ex. A melhor parte do diálogo foi quando Moss diz “adeus!”, despedindo-se de Roy e dando-lhe (por vias estranhas) o que ele tanto queria. Sem dúvida, um bonito e engraçado momento da forte amizade entre os dois. Destaco aqui as caras e bocas dos dois (incluindo a trilha sonora de fundo que Moss coloca), que contribuíram muito para meu ataque de risos.

Tudo parecendo ótimo, Roy já estava mais animado, Jen conseguindo conquistar os sócios, e Moss criando um jogo de sucesso. Isso até Douglas contar a Jenny que descobriu ter sido ela a responsável pela denúncia de dentro de empresa, acusando-o de ser o que ele é mesmo. Ela, ficando temerosa de retaliações, retorna para o departamento de IT, onde pergunta a Roy o que aconteceu com Fredo no filme. “Ele terminou assassinado pelo Poderoso Chefão”, conta-lhe Roy. E aqui, em mais uma excelente sacada, surge Douglas se livrando do tal prêmio, jogando-o pela janela e começando a rir, sendo que nesse exato momento Jen estava indo embora. O prêmio acerta um carro bem próximo a ela, o que a assusta mais ainda quando olha para cima e vê Douglas rindo como um louco. Jen, logicamente, acaba fugindo desesperada.

Espero ter conseguido traduzir um pouco o quão divertido foi a história. Claro que só mesmo assistindo para apreciar tudo. Agora só aguardando o próximo episódio na semana que vem.

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