Um dos melhores episódios da temporada até aqui e certamente uma indicação de como será esse finalzinho, faltando apenas quatro episódios para a series finale.
Suprise gerou a expectativa que queríamos e as engrenagens finalmente se movimentaram. A traição de Nick foi o grande cliffhanger e mostrou como todos ali agem por motivações pessoais e nada mais. Talvez a June consiga ser um pouco mais altruísta e consiga fazer algo pensando no outro, tenha essa ideia de coletivo mais aflorada, seja pela sua essência ou pela sua vivência. Mas todo o restante, ao que consigo recordar, age ou agiu pensando nos seus ganhos pessoais e todas as suas ações chegam nesse ponto de confronto.

Que as ações do Nick teriam consequências a gente já sabia, mas eu não imaginava que tal decisão fosse ser de uma maneira tão trágica para o casal e para seus planos de fuga e felizes para sempre. Nick foi covarde, mas o que ele poderia ter feito de diferente? O que poderia ter sido exigido de um personagem que estava quase que entre a vida e a morte e a um passo de ter sido levado para parede? Difícil imaginar que outra decisão poderia ter sido tomada naquele momento e eu entendo o sentimento da June, na verdade o possível sentimento que pode vir, já que o episódio acabou literalmente com a sua descoberta, mas não há muito o que se esperar de alguém que foi aterrorizado pelo medo e que sabe que nunca esteve na posição de poder assumir as suas ações.
Gabriel, para a Serena, e Comandante Wharton para nós, telespectadores, conseguiu fechar o cerco em torno do Nick, o que resultará, possivelmente, em uma eventual chacina com as Aias que eram forçadas a trabalhar no bordel Jezebel’s. Vamos ter que aguardar o que vai acontecer com as meninas que estão lá e se Janine conseguirá escapar de alguma maneira. Acredito que sim, pois infelizmente ela é a querida de um dos Comandantes, o que a salva, mas a aprisiona.
A forma como Nick chega na casa da Serena evidenciou como o personagem deixou de agir racionalmente e em como ele não vê mais perspectiva de que as coisas possam caminhar bem como agente duplo, como Comandante ou como parte da Resistência. Apesar de em todas as temporadas, sempre que possível, Nick ter colocado June como prioridade e ter feito tudo para garantir a sua segurança, o 1% não realizado, a depender de como seja, quase sempre vem de uma maneira imperdoável.

Todos os debates que a série trouxe até agora foram complexos e de forma alguma simplistas, as nuances das motivações dos personagens, as reflexões, os desejos, tudo aquilo que pode se esperar de pessoas em posições de medo, de anseio, de poder, lidando com perdas ou com tragédias. June busca incansavelmente pela Hannah e não há nada que possa pará-la nesse objetivo; Serena se vê numa crescente de conseguir o que deseja, uma família, a ascensão profissional, e o prestígio de ser a responsável por fazer dar certo os planos na Nova Belém. Enquanto uma se vê presa ao passado que tanto a fez mal e reluta em seguir em frente, pois fazer isso significa abrir mão de um pedaço de si. E talvez toda sobrevivência tenha sido por um dia ter a possibilidade de reencontrar sua filha novamente, a outra continua perdida no que um dia acredita ser a sua salvação, destino e vontade de Deus.
Serena não vê que pode estar caindo numa armadilha, daquelas que mulheres héteros caem constantemente e mais corriqueiramente, daquelas que parecem um mau presságio quando contamos para alguma amiga a nossa recém história de amor. Daquelas que vêm de todas as maneiras possíveis. E apesar de não ser amiga, na verdade um pouco muito longe disso, June tenta alertar, da sua maneira, que aquele paraíso não é real, que Gilead continua sendo Gilead e que Serena não está segura, ainda que detenha privilégios. As mulheres nunca estarão seguras em Gilead, nem em Nova Belém, nem em qualquer outro lugar com nomes diferentes, mas que apliquem a mesma forma de controle.

A decisão da Rita em querer permanecer ao lado da sua família evidencia que cada um age por si e pelo que entende ser bom para si. June entende, respeita e de certa forma inveja. Ela queria poder estar com sua família, vivenciar a experiência de plenitude, mas enquanto mulheres estiverem sendo aprisionadas, June por outro lado jamais estará plena. A frustração de não ter conseguido salvar Janine vai ecoar, sobretudo após descobrir que Nick contou sobre o plano. E esta, caso sobreviva, pode não chegar a reencontrar a amiga, não sabemos, apenas confabulamos, mas de toda sorte, foi definitivamente outro sabor ver a Janine colocando Tia Lydia no seu lugar e dizendo as verdades que ela merecia ouvir, ainda que não tenha sido todas.
Perdida, Tia Lydia busca sentido nas ações de Gilead, e falha, afinal, não existe coerência. Aos poucos ela vai percebendo que não existe controle e que seu apito é surdo. Sinto que a personagem vive um pouco perdida quando se trata da Junine, é como se ela não aceitasse que falhou, ainda que a falha seja mais estrutural do que individual. De toda sorte, o futuro da personagem segue meio nebuloso, perdido, talvez um ponto final seja dado sem que precisemos chegar no último episódio. E por falar em personagens perdidos, Moira, Luke e companhia limitada não fez falta e que permaneça assim, mas querendo ou não precisaremos de um final para eles também.
Blessed be the fruit 1: Só aquela bicha doida da Resistência que achou que o plano daria certo. Negócio sem qualquer solidez, claro que ia ocasionar em no mínimo alguma tragédia.
Blessed be the fruit 2: Janine GÊNIA!!! “But, you did have a favorite girl, right? Her name was like May or… April, or something like that.”
Blessed be the fruit 3: Típica frase atual, contemporânea e que podemos escutar em qualquer conversa em alguma cafeteria por esse mundão afora: “Ele é diferente do Fred. E o Fred era o Fred quando vocês começaram
Blessed be the fruit 4: É claro que uma hora as ligações interestaduais iria da merda. Lógico. Lógico, June.
E vocês, o que acharam da traição do Nick? Faltam 4 episódios e a temporada até aqui tá mediana. Talvez Surprise tenha sido a virada de chave que precisamos, será? Bom, vejo vocês na próxima, um beijo e um cheiro!






















