Não se enganem, o quinto episódio da sexta temporada, leva o nome de Janine, mas não é sobre ela. É sobre planos, encontros e desencontros, é sobre falhas, erros e reconhecimento. É também sobre a frustração, sobre o medo e sobre reviver traumas. É… é sobre muita coisa, mas definitivamente não é sobre Janine, rs. Bora nessa?

A virada de chave que talvez tenhamos procurado tenha vindo neste episódio, não em sua forma total ou cinematográfica, mas sutil e perceptível para quem ainda tem a paciência de acompanhar. O encontro de Tia Lydia com Serena foi no mínimo curioso, a suja falando da mal lavada, a cria falando da criadora, aquele meme do homem-aranha em que uma aponta para outra. Chega a ser gozada a maneira como elas apontam as falhas do sistema que elas ajudaram a construir, na mesma medida em que comparam quem foi a pior algoz. Chega a ser piada a maneira como elas continuam agindo como se estivessem certas sob alguma perspectiva e errado mesmo é o que a outra fez de pior. 

Tia Lydia segue em busca da sua redenção, segue tentando acertar depois de só falhar, segue querendo corrigir os erros, ainda que pelos propósitos errados. É aquela velha máxima que tanto conhecemos “os fins justificam os meios”. Trocar figurinhas com Serena só nos serviu mais hipocrisia e doses de vergonha alheia, pensar em um plano que as beneficie não é algo inimaginável. O discurso do aprisionamento dos corpos das mulheres, sob a justificativa da fertilidade é cruel, e como sempre a gente vivencia o direito das mulheres perdendo força, minando e se esvaziando em todos os discursos pró família e pró sociedade. Talvez a vontade incansável de salvar a Janine tenha mais a ver com a perda do controle sobre a Aia do que a vontade de querer fazer o bem. Tia Lydia não percebeu que ela perdeu, que na batalha entre o controle das Aias, das suas “meninas”, ela simplesmente perdeu. E não há nada mais doloroso do que retirar o controle de alguém sobre algo ou outro alguém. E há tempos Tia Lydia não detém o controle das Aias, o que a deixava realizada, regozijando e feliz era poder fazer o que bem entendesse com as suas meninas, sob a justificativa da vontade do Senhor.

Não me entendam mal, a priori não há nada de errado em fazer algo seguindo os ditames de alguma coisa que você acredita, mas não é esse o caso. Bom senso é importante e não cabe nem mensurar o quão longe o fanatismo religioso de tia Lydia e demais foram e continuam indo. Não sei se haverá espaço para Tia Lydia na Nova Belém ou se ela será resistência de alguma maneira. De toda sorte, expor para Serena o que ela fez foi um dos pontos importantes, já que muito se discute sobre no que o pedido de casamento pode impactar nessa reta final. 

Ou, estamos simplesmente sendo otimistas demais e com toda certeza o destino de Tia Lydia é um lugar no “Congresso”, influenciando meninas, adolescentes e propondo pautas conservadoras? 

A expectativa que a Nova Belém seja algo verdadeiramente bom para as mulheres durou pouco e tolo/a foi aquele/a que acreditou genuinamente que Gilead não estaria encorpada em novos formatos e novas ideias. Lawrence, Serena, Lydia, Nick e todos aqueles que hoje ocupam posições de destaque na pirâmide fascista de Gilead, perceberam ou percebem que tudo é muito volátil, efêmero, que gera algum nível de desconfiança. Lawrence assistiu de perto o plano sendo orquestrado contra ele. Ok, orquestrado é uma palavra muito forte, no máximo trocaram meia dúzia de palavras, pois todos aqueles homens juntos não conseguem raciocinar tanto quanto acham. Mas tornaram Lawrence descartável e provavelmente irão se apropriar das suas ideias, manipulando como bem entenderem. Não tenho a menor ideia como o mais novo membro do Alto Comando vai agir sabendo de tudo, mas fiquei intrigada com o seu encontro com a June. Da última vez eles se odiavam e por mais espírito proativo e bondoso que ele tenha, rever June é reviver pequenas doses diárias de estresse. Ócios de ofício, vocês sabem como é. 

O plano do Mayday quase deu certo e reviver o trauma de estar naquela casa novamente certamente foi aterrorizante. Moira fugiu de lá há tempos, mas possui mágoas e traumas. A sua discussão com June foi necessária e parece que estava engasgada, era questão de tempo até Moira explodir com a protagonista, e eu sinto que todos em algum momento estão no limite de explodir com June. Certa ou não, o fato é que veio aí as comparações, mais uma vez, sobre quem sofreu mais e o que isso impactou na vida de cada uma. Moira traz um ponto sobre o protagonismo de June e a sua necessidade em querer ser a salvadora. Todas querem, até o Luke quis: “é o meu plano”. Todos querem o reconhecimento de terem sido a salvação, e não deve ser fácil ser amiga e esposo de uma pessoa que é esse destaque, é a esperança.

Repito, certa ou não, June tem seus motivos e longe de mim tirar a razão do que faz e como faz, mas talvez tenha existido uma soberba ou apagamento em relação a Moira. Talvez esse desabafo tenha servido para algo, vamos ver… o fato é que Lawrence pode ou não se juntar ao Mayday novamente, não de forma superficial ou parcial, mas no estilo “foda-se essa merda, eles querem me matar”. Até onde essa broderagem ou o pacto da cumplicidade dos homens vai vigorar? Lawrence perdeu tudo e continua perdendo, perdeu a esposa, perdeu prestígio, tentou se apegar a uma ideia, levou ela adiante, mas criou inimigos no processo. É coerente com sua narrativa tudo que viveu e se hoje se revoltar totalmente, vai fazer muito sentido. 

Bom, e por fim, e talvez um pouco importante, Nick está com sérios problemas e só um casamento para ocupar Wharton e deixar de lado a investigação do que aconteceu na emboscada. Estava na cara que Nick ia terminar o serviço assim que soube que ainda tinha gente viva, mas resta saber o que vai acontecer com ele após descobrirem que depois de receber sua visita o cara não está mais vivo. Isso se de fato se concretizar, afinal, sem corpo sem morte, hehehe. De toda sorte, desde o episódio em que ele e June se despedem não se despedindo, eu estou com o pressentimento de que a qualquer momento podemos nos despedir de verdade do personagem. Ficou na cara, ainda que sem querer, mas ficou. E com toda certeza não teremos final feliz para esse casal, talvez para Serena e Wharton, mas eu me recuso a falar disso, rs. Talvez na próxima review. A ver. 

Blessed be the fruit 1: Já pensou que irônico a vida da Serena virando um inferno após aparentar que ia ser conto de fadas? Eu não duvido nada dessa promessa de biblioteca e o carai a 4 não ir a lugar algum. 

Blessed be the fruit 2: Quem vai ser o primeiro a morrer e por qual razão o Luke? 

Blessed be the fruit 3:. Janine passou por tanto, que eu não sei como ela ainda não coringou ali dentro. 

Blessed be the fruit 4: Antigamente eu achava mais difícil entrar e sair de qualquer parte de Gilead, tive a sensação que cada um faz o que quer até onde é possível e quando querem que não seja mais, eles fazem vista grossa. Ê roteiro brincante. 

 

Contagem regressiva, amores!! Faltam 5 episódios, estamos literalmente na metade e ou as coisas ficam corridas demais ou algumas muitas coisas vão passar batidas. Juntinhos na próxima? Um cheiro e um beijo! 

REVISÃO GERAL
Nota:
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