Os ventos de The Good Wife correm para várias direções.

É uma realidade difícil de suportar, mas é uma realidade. Quanto mais The Good Wife segue por sua sétima temporada, mais vai ficando claro que a morte de Will Gardner deixou uma herança indigesta. O tempo todo em que a Lockhart & Gardner existiu na sua forma original, ela nunca abriu espaço para hesitações. Não importava o amor de Will por Alicia ou o quanto ela fosse boa no tribunal. A firma sempre seria intocável, sempre seria cristalizada e a parceria entre seus dois sócios-fundadores permaneceria sólida.

As coisas se confundem um pouco… Mesmo aqui, no meu trabalho de reviewer, onde meu papel é apontar minhas impressões, não posso dizer com certeza que a areia movediça em que se lançou esse núcleo da série seja um problema de condução ou um estabelecimento natural da trama. Quer dizer, posso mesmo dizer que a série vai mal porque não define um caminho? Será que essa falta de caminho não é o caminho adotado, propositalmente, por roteiristas que queriam que a morte de Will deixasse marcas mais profundas?

Também há duas formas de analisar isso e uma delas é aceitando que sim, ainda que ser proposital não diminua os efeitos negativos. Na maioria do tempo esse “ping-pong” de poderios soa inseguro, como se a cada semana os criadores do show mudassem de ideia sobre para onde querem ir. Se querem Alicia sozinha, se querem Alicia com Lucca, se querem Alicia numa nova firma, numa firma velha com sócios novos, numa firma velha com sócios novos e antigos problemas… E por aí vai. Toda semana o vento parece soprar numa direção diferente e todos por lá resolvem seguir sem pestanejar.

Só posso aceitar a proposta de Diane agora se ela for parte de um teste ou embuste. De outra forma, quando a compreensão de que Alicia seria a substituta perfeita para Will surgiu tão absoluta? Uma hora Diane quer colocar Alicia no lugar dela e na semana seguinte Alicia já virou uma aliada tão necessária que Diane a traz para perto para arquitetar o momento em que poderão convencer Cary a sair. Cary, que foi o parceiro de Alicia quando saíram da L&G, depois voltou para a L&G porque ficou sem Alicia, até chamá-la de volta como simples empregada… É uma bananosa de intenções contraditórias que chega a ser cômica. Acho que Lucca está certa e Alicia precisa contar a verdade para Cary, sendo esse o movimento que oferece o mínimo de dignidade depois de tudo que aconteceu.

Com Peter a coisa também é crítica. Parece que as formas de processá-lo vão se acumulando e nenhuma delas chega ao efetivo. Isso não deixa de ser condizente com a maioria dos políticos, mas já ficou cansativo que nada nunca chegue a nenhum lugar. A série ainda sabe muito bem como se revestir daquela elegância sobre a qual falei com vocês e todo o plot com o banheiro foi daquelas coisas que tiram o show do lugar comum. É inesperado, divertido e quando está centrado em Eli é garantia de sucesso.

Com isso, a parte mais refrescante do episódio acabou sendo – vejam só – aquela que focou na relação de Jason e Alicia sendo descoberta pela família. Owen e Veronica são ótimos juntos e as sequências iniciais do episódio foram deliciosas de assistir. Esse romance, porém, ainda me soa um investimento desnecessário para uma última temporada e com tão poucos episódios a seguir. Sabemos que Jason não tem a força e o histórico necessários para ser considerado um parceiro de Series Finale. Se tentarem cavar isso, será pior. E não, não é um machismo velado por não suportar Alicia como uma “mulher sanguínea e sexual”, é simplesmente desnecessário. Jason não pode “acabar com ela no fim”, não há espaço para torná-lo relevante com um final marcado para daqui a seis semanas. Com todos os seus pseudo-amantes, Alicia já provou seu ponto de vista, de que é uma mulher sexualmente ativa e segura… Mas, lá estamos batendo nessa mesma tecla. Assim como nessa eterna dança-das-cadeiras legal envolvendo Peter e as parcerias de firma. Uma espécie de “operação tiro para todos os lados”, sendo os lados todos familiares, cheirando a mofo e meio usados, mas que como com todo fogão velho, encontram sempre um jeito de funcionar. Não, não parece proposital… Parece sem norte… Para uma série prestes a acabar, um investimento centralizado seria esperto, inteligente e bem-vindo.

Objection: Mike Tascioni é ridículo e ao contrário de Elsbeth, não é no bom sentido. Acho forçado, falso e nada engraçado.

Objection Number 2: Matthew Morrison barbudo e todo sério… Mas, deu a maior saudade de Glee.

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