The Next Day foi a primeira parte de uma trilogia que incluirá a próxima semana e o próximo mês. Mais calmo e mais divertido que o episódio anterior, ele foi igualmente eletrizante.
A batalha de número dois começou quando Diane perdeu para a Florrick/Agos aquele que seria seu último caso, numa manobra honesta, mas que deixou a futura juíza ultrajada talvez por ela já sentir que seu futuro para além da Lockhart/Gardner estava ameaçado. Acho que agora essas farpas e olhares depreciativos farão parte do campo de batalha, só me resta me acostumar que meus personagens queridos agora se odeiam.
Se odeiam e se conhecem muito bem, o que é uma combinação destrutiva especialmente para Will e Alicia, os dois generais que comandam esses exércitos. Will se diverte com a competição, e Alicia não fica atrás, embora para Will pareça ser tudo mais leve. Talvez seja a experiência ou a sobrecarga de energia. Ambos estão jogando sem levar em consideração as consequências porque Alicia escolhe resolver a questão através da Ordem que suspendeu Will, o que pode vir a prejudicá-lo no futuro, mas ele não agiu muito preocupado com isso quando mandou ratos ou arquivos censurados.
Quando Alicia fala que Will já mostrou as suas verdadeiras cores àquele Comitê, ela não estava errada e começa a ficar cada vez mais evidente que mesmo que ele sempre tenha procurado proteger Alicia, ele sempre fora irresponsável e ousado no campo profissional. Durante a entrevista que Diane dera a Mandy Post, ela é questionada acerca dessa faceta dele e ela diz que ele entende os mecanismos da lei e os usa em favor do cliente. Neste episódio, nós o vimos usando-os em benefício próprio e, nas palavras de Lionel (Edward Herrmann), foi exatamente por esse tipo de comportamento que ele foi suspenso.
Eu acredito que Alicia levou em consideração que Will não seria irresponsável ao ponto de sujar a sua imagem perante ao Comitê novamente, mas o que acontece é que nenhum dos lados quer ceder e aqui eu não me refiro somente a Will e Alicia, mas a todos os envolvidos. Enquanto nenhum deles ceder, os conflitos só vão ficando cada vez mais pessoais e violentos. Eu só esperava mais de Alicia, e que ela tivesse recuado diante do comportamento dele, de forma a protegê-lo da mesma forma que ele sempre fez com ela.
Mas eu acho que os dias de ter Will como protetor estão contados para ela. Afinal, o vídeo que registra a fraude nas eleições para governador já voltou a aparecer nas cenas dos próximos episódios. Embora Will também possa se prejudicar caso isso venha a tona, eu acho que caso os conflitos continuem crescendo exponencialmente, a possibilidade de Will se utilizar o vídeo não pode ser excluída.
Há também a questão de Marilyn ter recebido uma ligação anônima sobre Peter ter abusado de seu poder para conseguir que a ChumHum escolhesse a F/A. Essa atitude se encaixa nesse perfil ousado de Will. Não acredito que ele tenha feito isso, mas não excluo essa possibilidade. Em seu modo comandante em tempo integral, ele anda mais passional que nunca. Espero que ele não se perca no meio do caminho, mas algo me diz que ele ainda vai se machucar (sim, mais) e até machucar outras pessoas.
Depois do grande baque do episódio anterior, ele está com a carga toda e quer dominar o mundo da advocacia. Inclusive, sua proposta me fez pensar se, por acaso, a L/G vai acabar recrutando velhos conhecidos da gente, como Elsbeth, Canning, Crozier, Patti Nyholm, Viola Walsh, etc. Imagina? Mas enquanto isso, ele vem extravasando sua energia acumulada correndo, fazendo tatuagem e se envolvendo com mulheres do tipo que fazem propostas como “me faça um filho depois de três dias de relacionamento” (?). Essa Isabel é real? Nós vimos o novo casal na casa dela, mas as cenas em que ela vai a L/G e eles são flagrados pela secretária se beijando foi estranha, assim como a que ele sai do carro e ela fica sozinha.
Enquanto isso, Alicia não quer dominar o mundo, quer apenas construir seu espaço e destruir a L/G, mas seus soldados podem ser um obstáculo e, ao que parece, Grace também. A grande preocupação de Alicia nesse episódio foi que sua filha anda socializando e chamando atenção e seu repentino interesse por armas que não me convenceu. Essa história me cansa um pouco, embora a cena em que Grace faz um sanduíche tenha sido engraçada e os King, quando perguntados antes de a série estrear e cenas estavam aparecendo, acerca dessa cena de Grace vendo armas, eles responderam que não poderiam dizer o porquê. Espero que isso seja porque uma história interessante esteja a caminho.
Já Diane tinha preocupações muito maiores e Christine Baranski brilhou. Brilhou desde o colapso no banheiro até quando ela confirma para Will que Peter a prejudicou, passando pela fineza cortante de desejar um bom dia a Alicia depois de ter seu caso de volta, com a fala de duplo sentido “Não quero que se esqueça disso” que ilustra esse texto. Como se não fosse o suficiente perder a chance de ter seu cargo dos sonhos de uma maneira tão revoltante, em seus primeiros dias de casada, Diane passou pela provação de ver seu amado se aliar aos seus, agora, arquirrivais. Tudo em nome da justiça, justificou o correto Kurt. Pontos para o casal que conseguiu separar o profissional do pessoal, o que não acontece com o casal “Bill and Hillary on steroids”, como bem demonstrou Marilyn e nem assim Alicia acordou para a vida. Aliás, será que não veremos nenhuma reação de Alicia sobre o que Peter fez com Diane? Será que Alicia sabe?
No final, L/G ganhou a batalha da vez, ficou com a cliente e deu uma rasteira na rival se associando a firma com quem a FA&A andava negociando. Quem mandou titubear, Alicia, Cary e cia? E, o mais importante, Will recuperou sua aliada de outras tantas guerras.
Em tempo:
– “É uma estranha psicologia, não é? Ele pode machucar a esposa como quiser, mas quando alguém tenta, ele se torna absolutamente selvagem”. Quando ouvi isso, eu quase bati palmas, ou melhor, comemorei feito Will no final do episódio.
– Eu gostei de Marilyn. Será que devo? Embora ainda não tenha visto necessidade da sua existência, por enquanto apenas pra nos explicar o quanto Peter desviou do caminho ético outrora prometido. À propósito, a atriz Melissa George está grávida na vida real e os roteiristas resolveram usar isso na série. Resta saber se tem uma intenção maior por trás disso.
– Desta vez, Nancy Crozier (Mamie Gummer) e o caso da semana ficaram muito em segundo plano (e o que falar do caso dentro do caso com Geneva? Valeu pela volta de Geneva e, claro, por toda interação jurídica). Não que eu esteja reclamando, o foco tinha que ser mesmo em nossos personagens. Já Edward Herrmann e seu Lionel, apesar de também da rápida participação, foi muito mais válido. Talvez esse tenha sido o grande caso da semana, ou seja, Alicia levando Will para o conselho de advogados.
– Cary não teve seu momento “acordando no dia seguinte” como Alicia, Diane e Will. Significa?
– Quando Will disse que vai deixar de ser educado, eu só me lembrei do conselho de Verônica no final da temporada passada. Demorou, mas parece que Will acatou.
– Até os pijamas de Diane são gloriosos!
















