Depois do tropeço da semana passada, que mesmo assim não significou necessariamente um episódio ruim, The Good Wife voltou a fazer o que faz de melhor: abordar várias tramas interessantes e importantes num mesmo episódio, sem que elas sejam tratadas de forma superficial em momento algum.

Spoilers Abaixo:

Já faz um tempo que a série costuma desenvolver seus episódios onde os três núcleos principais são abordados em torno de um tema geral. Dessa vez, esse tema foi princípios. Tratou-se da importância deles nas vidas dos personagens e em como eles os definem. Mais importante ainda: se esses princípios representam suas reais convicções e até que ponto eles estão dispostos a sacrificá-los.

No núcleo jurídico do episódio, o protagonismo ficou por conta de Diane, que resolveu defender seu interesse romântico, o perito Kurt McVeigh (Gary Cole), personagem que marcou excelentes presenças em outros momentos da série. Ele estava sendo processado por supostamente ter falsificado um laudo pericial em conluio com uma perita de um laboratório contratado pela promotoria. Kurt afirmava categoricamente que o homem, o qual foi absolvido por causa da falsificação da prova, era o responsável pelo disparo que matou um policial durante um assalto a banco. Diane, por sua vez, pretendia basear sua defesa num possível erro que Kurt teria cometido durante sua perícia, o que ele discordava categoricamente. Nós sabemos bem o quão firme são as crenças do personagem, especialmente quanto ao fato de que ele jamais se presta a defender um criminoso ou culpar um inocente. Um exemplo de homem íntegro. Foi por isso mesmo que não cheguei a acreditar em momento algum que ele teria sido motivado por racismo (?) ou interesses escusos. Talvez esse ponto possa até ser criticado por alguns dos espectadores, mas quando se considera que essa trama trouxe Diane em todo o seu esplendor de volta aos holofotes principais, considero um mero detalhe sem importância. Os destaques dessa subtrama ficaram por conta tanto do “pedido” de casamento feito por Kurt a advogada (o qual ela recusou) e do juiz dorminhoco (que jurava estar apenas pensando em silêncio).

Na área política, o show foi de Eli Gold. Primeiro de tudo, achei interessante que a trama tenha mesclado a vida pessoal do personagem com seu importante papel na campanha de Peter. A presença de sua filha logo no início já deixou claro que esse seria um episódio diferente, onde Eli seria visto de uma forma mais “humana”, por assim dizer. Até hoje ele sempre foi retratado como um cínico, canalha, um homem disposto a fazer de tudo para que seu candidato vencesse as eleições. Na verdade, foi assim mesmo que ele foi vendido ao público logo no começo da série: como um mestre da manipulação. Por isso achei no início a nova perspectiva dada a ele um tanto curiosa, mas que depois se converteu em interesse profundo pela história. Vê Eli se interessar romanticamente por uma mulher foi estranho. Mesmo assim, o forte da trama foi o conflito de interesses que o personagem teve que lidar. Por um lado, ele havia descoberto uma ótima forma de tirar a áurea de santa da candidata Wendy, que era o fato dela ter empregado durante anos uma babá ilegal; Por outro, ele iria destruir completamente a vida de uma garota dedicada, afetuosa e simpática, pela qual ele estava sinceramente gostando. Não cheguei a imaginar em momento algum que Eli fosse abrir mão de uma oportunidade política dessas, especialmente por causa de uma paixonite. De qualquer forma, ele agiu dentro dos seus princípios, o que ele mesmo admitiu a garota quando afirmou que era um hipócrita. Eli não mudaria sua natureza, quem ele é. Tentar achar uma forma de conciliar dois interesses conflitantes não era seu estilo, e por isso mesmo ele fez o que considerava preciso. O destaque dessa história ao meu ver ficou por conta da babá Natalie Flores, interpretada pela atriz America Ferrera.

Por último, temos a parte que envolve a família Florrick, que retomou a trama envolvendo as mudanças de idéias e princípios de Grace, a filha de Alicia. A garota está em busca de identidade, o que a faz se apegar cada vez mais a conceitos não só diferentes como contrários aos ensinados por seus pais durante toda a sua vida. A abordagem religiosa foi bem construída e, como não poderia ser diferente, tratada de forma mais leve e sem provocar grandes polêmicas (até mesmo The Good Wife precisa nos lembrar de vez em quando que possui limitações por ser exibida na TV aberta). O importante dessa história é que ambos os filhos de Alicia estão passando por sérias transformações. Enquanto Zach está descobrindo cada vez mais sobre as dificuldades de se meter em relacionamentos amorosos, Grace vive explorando novas formas de pensar e agir. Eu particularmente achei cômico o tal grupo cristão “sementes de mostarda”. A interpretação que o líder deles dá as frases e pensamentos de Jesus são bem diferentes. Talvez isso seja um ponto a se considerar: Grace anseia por mudanças em sua vida. Ela deseja um direcionamento, uma causa justa pela qual lutar ou princípios para serem agarrados e defendidos. Analisando-se a situação estrutural da sua família, é compreensível essa atitude. Não é fácil para uma adolescente ter que lidar com pais que convivem juntos, mas que não poderiam estar mais distantes emocionalmente. Isso sem contar os trabalhos de ambos: uma mãe que defende criminosos e um pai de moral duvidosa envolvido no jogo sujo da política. Espero que a série volte a tratar mais vezes desses conflitos que os pupilos de Alicia vêm enfrentando. A parte a se destacar é justamente o tal discurso religioso estranho que Grace estava assistindo no PC.

Para concluir, preciso só ressaltar dois pontos: a trama sobre Kalinda não foi posta completamente de lado, sendo que ficou claro que há um homem muito interessado em entrar em contato com a investigadora. Será ele o seu marido oculto? Veremos. O outro ponto foi o final do episódio, que deixou bem evidente que se dará semana que vem o desenrolar do golpe que Diane e Will estão tramando contra Bond. Será que eles irão conseguir? Será que Bond tem uma carta na manga a ser usada em caso de emergência? Enfim, quero assistir o quanto antes o próximo episódio.

Twitter: Adriel_SS

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