
A adição de Lemond Bishop a lista de clientes da Lockhart & Gardner — uma lista que já contava com milionários do calibre de Colin Sweeney — sempre trouxe dilemas bons de acompanhar. Mas nunca The Good Wife foi tão fundo como em Runnin’ with the Devil, onde o diabo ganhou nome e sobrenome.
Spoilers Abaixo:
O episódio desta semana foi bastante equilibrado, tanto que nem me pareceu ter saído da quarta temporada, e sim da segunda. O que isso quer dizer é que o episódio apresentou aquela divisão perfeita de cenas de tribunal e de cenas relevantes para o desenvolvimento das personagens.
Tomemos o caso da semana, por exemplo. Para quem não se lembra, ele foi uma continuação daquele que começou em Waiting for the Knock, quando Kalinda encontrou o corpo de uma funcionária de uma das academias gerenciadas por Lemond Bishop no porta-malas de um carro. A funcionária calhava de ser uma informante do FBI, que há anos investiga os negócios legais e ilegais de Bishop. Como o caso está sob a jurisdição do FBI, cabe ao Departamento de Justiça acusá-lo. Mas isso não significa um retorno inesperado de Josh Perotti, porque tivemos a participação de Audra McDonald como uma antiga colega de classe de Alicia.
Não me chamem de rancorosa, mas eu acharia mais interessante vê-la novamente que Josh e seus biscottis. Simplesmente porque eu aceito qualquer chave que abra a porta do passado de Alicia e mesmo que o confronto entre as duas tenha sido morno, eu gostei de saber da reação dos antigos colegas dela — que aparentemente, só ligaram uns para os outros e não para a nossa boa esposa. Um crime!
Voltando a falar no diabo, Alicia chegou perto do inferno neste episódio. Tudo porque Lemond Bishop não acreditava ser possível que ela vencesse nos tribunais. Nós já conhecemos Alicia o suficiente para saber que qualquer afronta ao seu ego é punido com discursos ferozes e escárnio, mas não foi isso o que nós vimos. Como Bishop queria que ela trabalhasse com seu advogado pessoal, Charles Lester, Alicia foi praticamente ameaçada a fazer a coisa errada. A escolha do ator para interpretá-lo não poderia ter sido melhor. É claro que Wallace Shawn interpretou ninguém menos que ele mesmo, mas mesmo assim foi uma adição relevante ao núcleo que já contava com o igualmente assustador Mike Colter.
Novamente, nós vimos o Departamento de Justiça metendo os pés pelas mãos na busca por justiça, mas para mim isso só serviu para ratificar o modus operandi do DDJ, uma correção para aparar as arestas pontudíssimas do caso do Eli.
Enquanto isso, Alicia teve sua primeira reunião como sócia, na qual David Lee permaneceu cruel, com seu jeito típico e cínico de conduzir seu trabalho, inclusive no que tange a administração da empresa, mas foi certeiro ao dizer que mamãe e papai estavam brigando ao se referir a Diane e Will.
Em lados opostos, com Will querendo expandir e Diane querendo ser cautelosa, os dois sócios passaram o episódio em torno dessa questão. Vocês sabem o que eu penso da crise da firma, e a princípio, eu fiquei receosa de ver Will jogando como se não tivesse nada a perder. A cena em que Diane lhe diz isso, falando que eles não podem ser apostadores foi uma das melhores do episódio. Eu digo a principio porque a tentativa de escrever a missão da empresa me mostrou um amadurecimento inesperado. Por isso, mesmo que Diane tenha mudado seu voto, eu não tenho mais medo. No mais, essa trama rendeu cenas adoráveis, com embates, mas cheios de afeição e respeito um pelo outro. Para mim, foi a melhor parte do episódio, aliás, não canso de dizer que Diane e Will é o casal 20 da série.
Outra dupla que chamou atenção no episódio e, quem sabe futuramente, a gente possa também chamar de casal foi Cary e Kalinda. Digam-me, rolou ou não rolou? Se fosse em outras épocas, eu duvidaria que pudesse acontecer algo, mas agora, depois de Kalinda proteger Cary daquele jeito; de se enrolar toda para mentir, o que achávamos impossível; e da cena do bar cheia de flertes, aposto que sim, rolou.
E, por último, mas não menos importante, tivemos mais uma nova personagem com a adição de Robyn Burdine (Jess Weixler), a nova investigadora da firma. Não sei bem ao certo o que essa adição pode trazer à série, por enquanto só vimos uma Kalinda incomodada, em reações beirando o infantil ou, pelo menos, o anti-profissionalismo.
Não foi um grande nem memorável episódio, mas foi suficiente bom pra não comprometer a boa fase da série. Fiquemos com a promo do próximo episódio:





















