Não adianta, por mais que a gente tente melhorar e deixar os erros para trás, eles sempre voltam para nos assombrar, cedo ou tarde. Foi essa a lição que Diane aprendeu nesse final de temporada cheio de reviravoltas. Depois de uma temporada tão boa, a hora é de fechar ciclos e preparar o terreno para o que está por vir.
Incrível como as coisas foram se complicando para Diane, como uma bola de neve. Tudo foi dando errado por conta de coisas que ela disse. A forma como o roteiro utilizou fatos isolados da temporada para construir um caso contra Diane foi muito bem feito. O público sabe que ela é inocente e não estava planejando contra a vida do presidente, mas quando tudo é colocado fora de contexto, para construir a narrativa que o procurador queria, o resultado é convincente.
A pergunta que fica é: quem estava espionando Diane e quer tanto derrubá-la? Espiona-la na própria casa mostra que o alvo era ela e não Tully, da mesma forma que entrar em contato com Ruth para conseguir as gravações dos encontros com o comitê democrata. Ruth ridícula, aliás, cagando pra Diane e jogando ela embaixo do ônibus sem dó.
Foi uma forma interessante de fechar o ciclo de Diane na temporada. Pensei que ela fazendo as pazes consigo mesma e com a realidade em que vive e a segunda chance com Kurt seria o ponto final da jornada de negação e más escolhas pela qual a personagem passou. A segunda chance ao casamento ainda está lá, mas pelo visto deixar seu canto do mundo são não é o bastante e Diane está pronta pra lutar de volta.
Outro evento esperado para esse final de temporada era o parto de Lucca e ele não decepcionou. Além de servir como bom alívio cômico, com o festival de xingamentos e Marissa literalmente dando de cara com o chão, tivemos uma espécie de conclusão para a situação do relacionamento entre Lucca e Colin. Acho que Colin vai vencer a eleição e vai embora para DC sozinho. A reação de Lucca ao ver Maia e Marissa no fim do episódio foi uma cena feita para deixar a gente feliz. A expressão de Lucca ao ver que não precisa de um homem para ser feliz e que as pessoas que quer ter lhe esperando são suas amigas foi linda e um dos melhores momentos do episódio e da temporada.
Por fim, como não poderia deixar de ser, The Good Fight não poderia se despedir sem abordar mais um tema problemático da sociedade americana. Usando os casos de ataques aos advogados como ponto de partida, o debate sobre o desarmamento foi bastante coerente com a situação atual do país. A entrada de uma representante da NRA (Associação Nacional de Rifles, nos EUA) que, não só tenta, como consegue transformar uma discussão sobre diminuir as armas nas ruas para uma campanha para armar mais pessoas é algo que ocorreria a qualquer minuto nos EUA. Resta saber se a decisão de Adrian em não ser tão fiel ao que o conselho decidiu vai gerar alguma repercussão na próxima temporada.
The Good Fight encerra sua segunda temporada fazendo muito mais do que esperávamos dela. A série não só entregou uma segunda temporada bem melhor que a já excelente primeira temporada, como conseguiu se tornar uma produção relevante e essencial na sociedade atual. Há alguns problemas, como o descuido com Maya, que encerrou a temporada sem muita relevância na narrativa da série, um erro que precisa ser arrumado logo. Mas o saldo consegue ser bastante positivo, com acertos como a chegada de Liz, que pareceu que ia dar muito errado no começo com a briga com Diane, mas depois que tudo se resolveu tudo ficou no lugar certo.
The Good Fight foi de uma série essencial neste ano e nos deu uma jornada maravilhosa nessas treze semanas. O que nos resta agora é esperar pela próxima temporada e nos prepararmos para mais bons momentos.
Alegações Finais:
– Diane espalhou o boato sobre o procurador para tê-lo demitido. Mas isso acabou com o caso contra ela? Quero respostas.
– Francesca maravilhosa cobrando da mãe de Lucca estar em dia com filmes importantes como Get Out e Black Panther.
– Precisamos de mais reuniões do conselho mais bizarro da história. Se toda vez sair um jingle maravilhoso, vai valer a pena.
– A cena da informante saindo pelo lado errado é um dos detalhes que fazem essa série maravilhosa.
– “Kill all the lawyers!” Virou “Kill all the journalists!” no finzinho do episódio e isso é algo bem mais próximo da realidade e isso é assustador.
– Afinal, tem um casal transando vestido de Trump do outro lado da rua ou não?
– O vaso de flores da abertura sendo usado foi um ótimo toque.
– Mais uma temporada que se encerra. Nos vemos anos que vem!






















